Resenhando (#10)

Minha sexta leitura deste ano de 2022 foi o livro “30 e poucos anos e uma máquina do tempo”, da autora Mo Daviau. É uma ficção científica sobre um ex músico que descobre um buraco de minhoca que o possibilita retornar ao passado e reviver shows de música antigos, e ele transforma isso em um negócio com o passar do tempo.

“30 e poucos anos e uma máquina do tempo” – Genérico e sem emoção

Não me lembro ao certo como esse livro apareceu para mim, mas me recordo de ler a sinopse e achar interessante, o que aliado ao bom preço me fez adquiri-lo para a minha biblioteca e iniciar a leitura. Já deixo claro que não esperava muito do livro, foi mais uma compra de oportunidade e, talvez uma pequena identificação com o título – por eu mesmo estar nos trinta e poucos anos e adorar a ideia de ter uma máquina do tempo para reviver shows de rock que não tive a oportunidade de acompanhar no passado – por isso eu tinha baixa expectativa, e era muito mais uma leitura de relaxamento após o livro anterior ter sido uma leitura muito densa.

Mesmo com tudo isso, infelizmente, a leitura foi menos cativante do que imaginava. Ao longo de toda a leitura eu já ficava pensando o que escrever ao término, tentando encontrar bons momentos para relatar, e ao final, essa sensação cresceu ainda mais ao saber que é o romance inaugural da autora. Fico muito sentido em fazer uma resenha negativa sobre um primeiro romance de um autor, porque imagino a frustração que deve ser lutar por muito tempo por uma história e as críticas não serem positivas, ainda que de um simples leitor do interior do Brasil, sem nenhuma influência.
Mas a realidade é que o livro é muito disperso. Questões muito grandes e profundas são abordadas de forma muito simplista e superficial. Normalmente, as histórias de ficção que já li e que envolvem viagem no tempo escolhem dois caminhos: uma explicação cientifica tão profunda e detalhada, como o caso de “Operação Cavalo de Troia”, ou então como uma simples causalidade, como se o portal estivesse sempre ali e fosse encontrado por acaso e não houvesse o que explicar, simplesmente desfrutar, como relatado em “Novembro de 63”, de Stephen King.

A autora, em seu romance, porém, escolheu o caminho do meio em que inicia uma explicação científica para o “buraco de minhoca”, mas parece que desiste no meio do caminho e em alguns momentos aborda como se o portal estivesse ali e pronto, sem muito a dizer. Outro ponto que me incomodou foi que os personagens viajam no tempo, conversam com seus eus passados ou futuros sem qualquer surpresa ou estranheza. Como se fosse extremamente normal você estar vivendo e de repente uma versão mais velha ou mais jovem de si mesmo aparecesse em sua frente, conversasse contigo e tudo fosse feito com extrema naturalidade e sem qualquer consequência para o futuro ou passado.

Sem falar nos desdobramentos emocionais da história, que são resolvidos em um piscar de olhos, sem profundidade ou sem lógica alguma. Em um momento as pessoas estão rompendo o relacionamento e, no momento seguinte e uma viagem no tempo após, se encontram e ficam juntos apaixonadamente, sem qualquer construção emocional que permita justificar aquele envolvimento.

Infelizmente, essa é uma história, na melhor das intenções, para passar o tempo de forma descompromissada, sem esperar muita coisa ou um envolvimento profundo com os cenários, o enredo ou os personagens. Fica como registro histórico, mas sem cativar o leitor em nenhum momento. Nota 2,5/5 mais por simpatia com a autora, por ser seu primeiro romance.

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