Sejam todos bem vindo a mais um retorno do blog. Sempre que sentir vontade, tentarei passar por aqui com alguma reflexão que potencialmente não interessará a ninguém além de mim mesmo, mas seguiremos. Hoje gostaria de falar um pouco a respeito de uma experiência que vivi no início deste novo ano.
Nas primeiras duas semanas de 2025 eu suspendi a minha conta do Instagram. Não foi uma resolução de ano novo – era somente algo que eu já vinha pensando em fazer, e calhou de dar certo justamente na vida do ano. Há tempos que venho sentindo um desconforto ao utilizar o Instagram, uma mescla de preguiça com falta de interesse, e um desanimo com o conteúdo que invariavelmente acabava consumindo por boa parte do dia.
Porém a suspensão de fato demorou a sair por motivos de vício. Não me considero um usuário hardcore do Instagram, mas ainda assim percebi que estou viciado no uso da rede. Sem nem ao menos perceber, ficava por muito tempo rolando o feed ou vendo stories pelos quais eu tinha pouco ou nenhum interesse. É mesmo uma questão de vício, de precisar fazer aquilo sem nem saber o porquê.
Conclui que um afastamento, ainda que provisório me faria bem, e não me faria falta. Mas claro que estava enganado, pois, como todo vicio, a interrupção abrupta causa sintomas de abstinência que podem ser mais ou menos intensos. No meu caso nem foi tão intenso, mas senti em diversos momentos uma vontade quase mecânica de clicar no ícone do aplicativo e ficar rolando o feed indefinidamente. Só não o fiz porque havia desinstalado o aplicativo do celular. Mas o que fiz? Instalei o de outra rede social (no caso o bluesky, que havia criado uma conta uns meses antes, mas não havia utilizado de fato) e passei a usar como o um substituto do Instagram.
Mas o sintoma mais marcante que senti com o afastamento temporário do Instagram foi a sensação de total afastamento do mundo. Nunca fui uma pessoa de sair muito e no momento atual da vida, faço isso ainda menos, então acaba que a forma de me conectar com o mundo e a maioria das pessoas é via rede social e, me afastar daquela que eu mais utilizava, causou em mim um profundo sentimento de solidão e não pertencimento do mundo. Me senti completamente invisível. Foi uma sensação muito estranha, como se de fato eu não existisse para o mundo ou as pessoas ao meu redor.
Percebi que as redes sociais hoje em dia são péssimas, especialmente nesse contexto de gerar níveis de vicio comparáveis às drogas mais pesadas que existem, mas ao mesmo tempo é virtualmente impossível viver sem elas e se manter integrado ao mundo como ele é. Todos nos estamos vivendo de forma atabalhoada e corrida, com inúmeros compromissos da vida se atropelando ao longo dos dias e semanas, e quase nunca temos um tempo disponível de qualidade para dedicar a algo que gostamos ou encontrar pessoas queridas. E quando há esse temo disponível, na maioria das vezes ele não coincide com o tempo disponível da pessoa que se quer encontrar. Assim, seguimos parecendo que estamos próximos pelo contato em rede social, mas cada vez mais distantes.
Acabei voltando para o Instagram, é claro. Não recebi uma mensagem sequer por WhatsApp ou qualquer outra forma de comunicação nesse período, o que me levou a perceber que hoje parece que a nossa vida social de fato acontece nas redes sociais e que a materialização física das relações humanas é só uma pequena faceta dessa realidade – quase como se fossem avatares nossos sendo comandados pela realidade virtual das redes. E me senti sozinho. Ainda que me relacionar virtualmente com amigos e pessoas queridas seja uma forma incompleta de relação, é o mais presente que se é possível de estar nas circunstancias de vida atuais. E isso é bem bizarro e assustador.
Não há reflexão final nem moral da história por aqui, só queria compartilhar a sensação de estranheza e confusão causadas por esse movimento feito no inicio do ano. A nossa vida, em linhas gerais, está cada vez mais confusa e bizarra. Não sei como vocês se sentem, mas eu fico bastante assustado.