Sobre falsos padres, falsos debates e falsa universalidade democrática

Este será meu último texto antes das eleições deste domingo; meu planejamento era nem escrever mais sobre esse tema, mas o espetáculo escatológico que foi este último debate presidencial me força a expressar algumas palavras ante de me recolher ao silêncio. Como vou tratar de vários temas em um mesmo texto, vou separá-los em caixas a fim de não perder nenhum ponto importante e facilitar o entendimento das ideias.

Em primeiro lugar, é importante falar sobre a representatividade em debates políticos. Em outro momento podemos até discutir se o formato de debates como é hoje ainda é valido ou precisa ser reavaliado, mas aqui quero falar somente sobre a representatividade no evento. Entendo que a legislação eleitoral afirme que somente partidos com pelo menos 5 deputados no congresso possam participar de debates eleitorais, porém este modelo é altamente excludente, além de perpetuar o mesmo discurso e narrativa em todos os pleitos. Se é garantida a universalidade do processo eleitoral a todas as pessoas e partidos, ela deveria valer também para a representatividade nos debates. Por que razão é permitido a um extremista de direita como o tal falso padre aparecer no debate e ganhar espaço e visibilidade para suas ideias malucas enquanto a extremistas de esquerda não podem ter o mesmo direito? Por que outros partidos nanicos com percentual de intenção de votos igual ou maior ao falso padre não podem se apresentar ao grande publico e expor suas ideias para provocar discussões diferentes das que sempre são apresentadas? É urgente revisar este artigo da legislação eleitoral: ou se dá visibilidade a todos de forma igualitária para que a população conheça a todos os candidatos ou se cria outro mecanismo que somente os principais candidatos nas pesquisas de intenção de votos possam participar de votos, algo como somente quem tiver 5% ou mais de intenção de votos – portanto com uma parcela que pode impactar efetivamente no resultado da eleição – terá direito a participar de debates. Excludente, com certeza, porém mais justo que o modelo vigente, pois igualaria candidatos insignificantes da mesma forma. Neste cenário, basicamente, teríamos somente 3 candidatos participando do debate neste ciclo eleitoral e somente neste último a candidata palíndromo poderia participar, por ter atingido 5% de intenção de votos.

Aliás, sobre isso, é importante ressaltar que o debate presidencial nestas eleições(e em praticamente toda a história da democracia brasileira) é todo tomado pela narrativa da direita. Todos os candidatos, exceto Lula, são do espectro à direita do pêndulo político. É literalmente todos contra um na construção do diálogo. A narrativa e os temas abordados são todos pautados por esses interesses. O quão enriquecedor poderia ser o debate para a população brasileira se houvessem mais candidatos de esquerda para colocar em pautas temas como transporte público, combate à miséria, saneamento básico, direitos do trabalhador e criação de empregos formais, temas muito mais próximos e impactantes na vida da maior parte da população que o eterno e vazio discurso de combate à corrupção ou “o que o mercado acha disso ou daquilo”? Até quando a discussão política no Brasil será pautada única e exclusivamente pelos donos do poder e nunca pelo povo?

Outro ponto a se destacar é a covardia do atual excremento da República, sem coragem para confrontar diretamente seu principal e infinitamente e superior adversário que lidera as pesquisas, e se utilizar destes candidatos laranjas para que possam atacar por ele. Para quem fica diariamente se colocando como o machão cheio de virilidade, uma postura muito medrosa e fraca. Fica a curiosidade (que espero não ser sanada) de ver como se portaria em um eventual debate de segundo turno, tendo que tratar direta e exclusivamente com adversário único, muito mais preparado e superior em todos os quesitos.

Por fim, se o Brasil fosse um país realmente sério, após 4 anos de absurdos diários, violência, mortes, fracasso na economia, descaso na saúde, falência da educação e entreguismo na defesa do meio ambiente, um candidato como o atual excremente da república não deveria ter mais que 5% de intenção de votos, cota destinada aos lunáticos e sociopatas de todo o país. Com a máquina pública nas mãos ainda poderíamos acrescer outros 5 a 7% de votos, o que somaria um terço do que possui, o que demonstra a falência moral e educacional da maior parcela da população brasileira. Mais triste ainda é ver partidos historicamente relevantes e progressistas como PTB e PDT se sujeitarem a servir de escada para o crescimento de um personagem tão vil e sujo como o capiroto do planalto. Uma vergonha para a história. Getúlio e Brizola se contorcem no caixão.

EXTRA: chamar alguém que se autointitula padre, porém não é ordenado e sequer participa da igreja da qual diz ser representante de impostor e afirmar que está usando uma fantasia não é faltar com respeito nem ofender. É simplesmente relatar um fato. O tal padre surgiu claramente para fazer o trabalho sujo de atacar o Lula nos temas pseudocristãos e de zero relevância para a governança de um país para o que excremento da república possa ser considerado minimamente ponderado, sem ter que assumir a responsabilidade por estes ataques. Uma vergonha que a justiça eleitoral permita esse tipo de conchavo.

IMPORTANTE: eleitores de Ciro e Tebet, sei que vocês insistem na decisão de não apoiar a tal polarização que tanto criticam, mas ela está aí e continuará acontecendo ainda mais fortemente se houver um segundo turno entre os candidatos que vocês alegam repudiar. Portanto, o voto de vocês não terá relevância na redução da polarização se for mantido nestes candidatos. Mas terá EXTREMA relevância se optarem por deixar de lado essa isenção e votar no único candidato que pode ser eleito já no próximo domingo e que irá garantir aos seus preferidos o direito de tentar novamente a presidência daqui a 4 anos com melhores chances. Com Lula presidente já no primeiro turno evitamos, não somente uma escalada ainda maior na polarização e violência até o segundo turno, como garantimos uma mensagem de força da democracia necessária para que possam tentar eleger seus candidatos a presidente em 2026. Com Lula eu tenho certeza de que a democracia brasileira continuará existindo, inclusive com o direito à forte oposição. Com o excremento da república tendo chances de se reeleger, ele ganha força em sua escalada golpista e antidemocrática e tentará se perpetuar no poder, até porque, se sair, sabe que será preso. Vocês têm a oportunidade de verdadeiramente serem a diferença entre a civilização e a barbárie nestas eleições. Podem ser voz relevante no processo democrático ou irrelevância estatística. Sejam conscientes. Em 2018 por escolha eu queria votar em Boulos presidente no 1º turno, mas optei pelo voto útil em Ciro por acreditar que teria maior chance de vencer Bolsonaro e o antipetismo no 2º turno outrora. Agora é a vez de vocês fazerem este movimento em direção ao voto útil em Lula e na democraria. O Brasil conta com vocês! Sejam conscientes!

ADENDO AOS MINEIROS: estamos fazendo bonito nas pesquisas e dando quase 20 pontos de vantagem para Lula contra o excremento da república. Mas não podemos escolher Lula e votar em Zema ao mesmo tempo. Zema é um bolsonaro embalado pra presentes. Zema é o bolsonarismo que aprendeu a escovar os dentes. Não podemos permitir um filhote do bolsonarismo se manter no poder em Minas. Lula é Kalil e Kalil é Lula. Se lembrem disso!

Esqueçam o combate à corrupção

Combate à corrupção – Créditos na imagem

Estamos a menos de 10 dias do primeiro turno das eleições de 2022, as mais importantes desde a redemocratização do Brasil, por isso o momento é bastante oportuno para abordar algumas questões que venho refletindo há meses, com relação a temas relacionados à presumida “festa da democracia”.

E o tema escolhido para abrir esta série de textos que trarei daqui até as eleições não poderia ser outro senão o combate à corrupção, ou sendo mais enfático, a própria corrupção em si. Este é um tema constantemente em voga ao se tratar de política e se for feita uma pesquisa com os cidadãos brasileiros que dizem detestar a política, me arrisco a dizer que a corrupção será apontada como a principal razão de tal “ódio”. Mais do que isso, o atual “presidente” (sempre entre aspas porque o elemento que hoje ocupa o planalto não é digno de ser tratado como presidente de fato), em sua busca ensandecida para se manter no poder – a fim de evitar a prisão por todos os crimes cometidos nos últimos 3 anos e meio – insiste no tema ao tentar colar a imagem de corrupção como exclusiva aos governos do PT e, consequentemente ao presidente Lula.

Não vou aqui fazer uma defesa dos governos petistas, tampouco vou me estender falando dos inúmeros escândalos de corrupção no atual governo, e muito menos vou ceder à tentação de cair na celeuma da competição de quem é mais corrupto, ou quem roubou mais porque não vai levar a lugar nenhum. De forma alguma; aliás, meu objetivo aqui é outro: é de expor a minha ideia de que deveríamos esquecer essa conversa de combate à corrupção em debates eleitorais e muito menos estabelecer esse requisito como parâmetro na hora de escolher um candidato no dia 02 de outubro.

E não falo somente das eleições presidenciais, mas de todo o espectro de cargos e candidatos existentes no pleito atual. É urgente e imprescindível que deixemos de lado essa temática anticorrupção porque a corrupção não deixará de acontecer, independentemente dos candidatos que possamos escolher no início do próximo mês. A corrupção é um traço cultural brasileiro, me arrisco a ir até um pouco mais além e dizer que se trata de uma predisposição da própria raça humana. O homo sapiens, como animal que é, foi constituído biologicamente para garantir a sua sobrevivência e do seu grupo imediatamente ao redor, utilizando para isso de todos os mecanismos possíveis, principalmente o seu imenso cérebro altamente desenvolvido. As regras sociais que ditam que tal comportamento é corrupto foram criadas posteriormente à constituição humana, portanto são estranhas ao nosso comportamento animal, daí que em uma ocasião na qual possamos obter uma vantagem que nos traga uma realização pessoal, raramente deixamos de aproveitar esta oportunidade, ainda que socialmente possa ser vista como um comportamento corrupto.

Sejamos honestos: todos nós cometemos pequenos atos de corrupção constantemente quase sem perceber. Seja furar uma fila enorme porque há um conhecido lá na frente que nos oferece um lugar junto dele, ou então a tal “caixinha” de TV para obter os canais pagos de forma gratuita, ou ainda os “cafezinhos” ou brindes que oferecemos ou recebemos a fim de desenrolar um trabalho mais rapidamente que por vias formais e corretas. Fato é que a diferença entre o cidadão comum que vive a sua vida comum e obtém pequenas vantagens cotidianas vistas como algo normal, e o político no congresso que desvia milhões de verbas direcionadas à hospitais ou merenda escolar de crianças para uso pessoal é puramente a oportunidade apresentada. Qualquer um de nós, que estivesse em condições similares à do político corrupto dificilmente teria uma reação diferente.

“Ah, mas veja bem, você está generalizando, não são todas as pessoas que são assim, isso é um absurdo”, diriam alguns. É mesmo absurdo? Será que, mesmo que lustremos nossa consciência com um verniz de idoneidade e ética, lá no fundo do nosso cérebro, a ideia de obter um dinheiro fácil, quase sem riscos, que eu poderia usar para o que bem entender, não mexe conosco? Será que eu seria capaz de “ceder à tentação” de ter um ganho tão fácil e simples assim?

A questão é pertinente, não acham?

E aí eu chego ao meu argumento final: a corrupção nos governos irá acontecer de qualquer forma. Seja X, Y ou Z no poder, os esquemas continuarão ocorrendo, ainda que uma ou outra voz dissonante queira chamar a atenção para algum esquema em particular. Porque trata-se de uma roda gigantesca que gira independentemente de quem esteja movendo-a no momento. Seja por qualquer motivo, é muito difícil alguém entre no governo, em qualquer cargo que seja, e terá condições de verdadeiramente combater a corrupção.

Sejamos práticos, o discurso anticorrupção é tão velho quanto a própria república brasileira. Temos documento históricos de campanhas na velha republica prometendo o fim da corrupção. Temos a mítica canção do “varre varre vassourinha’ prometendo varrer a corrupção do governo. Temos o “caçador de marajás” que ia limpar o país dos corruptos e caiu justamente por denúncias de corrupção.

Poderia prosseguir por horas, mas o fato é que combate à corrupção deve ser a promessa de campanha mais comum na política brasileira, e por isso não deveria ser a régua utilizada para medir os candidatos. Olhem para o programa de governo de cada um deles, vejam o que propõem para melhorar a dignidade do cidadão brasileiro. Quais suas propostas para a saúde, como irá fomentar a educação, quais as estratégias para o combate à violência e a pobreza, como pretende preservar o meio ambiente, dentre outros temas. Estes deveriam ser os tópicos relevantes ao se escolher um candidato. Esqueçam o combate a corrupção. Nenhum candidato conseguirá de fato mexer com esse tema. Seja por medo de ser rechaçado por seus pares, por ameaças ou simplesmente pelo tamanho do desafio para de fato ter alguma mudança, essa é uma promessa que não será cumprida, então deixem de lado de uma vez por todas essa discussão vazia e cobre dos candidatos maior profundidade de discurso e soluções concretas para os maiores problemas do país.

A redução da corrupção será consequência de um conjunto de transformações socioculturais em nosso país, e não causa. Será preciso investir muito tempo, dinheiro e disposição em ética, cidadania e principalmente educação para que possamos chegar a um patamar de verdadeiramente perceber uma redução na corrupção nacional. Neste momento, não será possível, foquemos, pois, naquilo que está ao nosso alcance: a chance de proporcionar uma vida um pouco mais digna a todos.

Reapresentação

Sejam todos muito bem vindos ao meu blog pessoal. Aqui é um espaço livre para falarmos de tudo aquilo que me interessar ou não, mas considerar pertinente compartilhar com vocês. A ideia de um blog não é nova. Para as (poucas) pessoas que chegarem a este texto e talvez me conhecessem há 10 anos atrás, eu tinha um espaço similar que perdurou de 2009 a 2014, onde eu falava dos meus assuntos de maior interesse. Foi um período bastante prolifico, talvez por falta do que fazer – saudades da tranquilidade da vida naquela época – mas o fato é que ficava bastante tempo interagindo no blog em um tempo que blogs ainda eram uma ferramenta amplamente utilizada na internet – infelizmente as redes sociais vieram e eclipsaram quase que inteiramente todas as demais mídias.

Aliás, sei muito bem que um blog escrito em 2022 é quase um contrassenso, mas a realidade é que a minha vontade é exatamente essa: que este espaço seja um local de resistência, onde a palavra escrita possa resistir e continuar a existir. Em um tempo de vídeos rápidos e uma enxurrada de informações, este blog se propõe exatamente ao contrário; para aqueles que aqui chegarem possam tirar um tempo para ler um texto, refletir e cordialmente expressar suas opiniões se sentir vontade. Não sei quanto a vocês, mas acho que esse excesso de vídeos a que somos expostos estão nos emburrecendo. O texto escrito é mais desafiador, exige mais atenção, mais foco, mais disponibilidade e interesse, além de maior capacidade cognitiva para processar a informação, entender o sentido e finalmente absorver o que está sendo dito. Sei que soa um tanto arrogante, mas não é esse o desejo e sim de colaborar para a continuidade da existência da informação escrita. Ao menos para mim, prefiro mil vezes ler um texto de 3 páginas do que ver um vídeo poucos minutos falando exatamente a mesma coisa.

Como mencionei no início, este blog existiu em uma outra jornada e cenário, de 2009 a 2014, mas que optei por descontinuar devido à escalada do ódio nas redes sociais – mal imaginava eu que isso era somente o embrião de situações ainda mais sinistras e assustadoras e que hoje – agosto de 2022 – sentiríamos saudades de como as coisas eram naquele já longínquo 2014. Em 2020, tentei retornar no mesmo formato, mas com a chegada da pandemia e a descoberta da gestação de minha filha, este projeto ficou em segundo plano. Em 2021 busquei recomeçar uma vez mais, e cheguei neste espaço que hoje vocês encontram. Com maior ou menor assiduidade, tentarei manter uma frequência de postagens, que podem variam conforme as exigências de minha agenda. Porém seguirei insistindo.

Este é um espaço quase terapêutico, onde me expresso com calma e de forma às vezes prolixa a respeito de temas que me incomodam, me inspiram, ou ideias que me ocorrem cotidianamente. Aqui também posto resenhas das leituras que faço, das séries que vejo, ou sobre quase tudo que eu sinta vontade de expressar a minha opinião. Falo sobre política e esportes, e também sobre religião. Ou seja, a santíssima trindade de temas que não se devia discutir serão frequentes por aqui, talvez por fazerem parte da minha formação pessoal.

Portanto aqui falo sobre o tudo e o nada. Na maior parte os temas parecerão que interessam somente a mim, mas se aprendi algo nesse tempo de conexão remota é que nunca temos um interesse exclusivamente nosso, sempre poderemos encontrar alguém que partilhe daquilo. Aqui poderemos conversar, compartilhar e quem sabe até crescer com a opinião do outro. Ainda que possamos falar sobre o ódio, aqui não há espaço para sua existência. Aos que já frequentaram aqui anteriormente, desculpem a repetição do tema, mas aos que chegaram aqui pela primeira vez, achei importante fazer uma reapresentação. Sejam muito bem vindos, sintam-se à vontade. A casa é minha, claro, mas vocês são meus convidados de honra. Um texto, uma conversa, e uma reflexão podem não resolver os problemas do mundo, mas podem fazer maravilhas para ajudar a nos sentir melhor. Ao menos para mim é assim, e espero de coração que possa ser assim para vocês também… Saudações!