Resenhando (#13)

Acabo de finalizar a leitura mais demorada e trabalhosa nesse 2022. Não que fosse a obra mais longa e difícil que encarei neste inicio de ano, mas por algum motivo eu não consegui engajar tão facilmente neste “O Silêncio das Montanhas”, do autor afegão Khaled Hosseini. É a segunda obra do autor que leio, após o sucesso “O caçador de pipas”, que li há muitos anos atras.

Acredito que seja uma questão de gosto pessoal mesmo, mas não consigo me conectar tanto com as histórias escritas pelo autor. Não que sejam mal escritas, muito pelo contrário. O autor tem uma sensibilidade muito tocante ao escrever sobre a cultura afegã e este país tão sofrido e maltratado, que se tornou um joguete nas mãos das superpotências durante a guerra fria e depois.

Este, aliás, é o ponto que mais gosto neste livro: o autor aborda muitos detalhes sobre como era a vida dos afegãos antes, durante e depois dos acontecimentos dramáticos que jogaram o país no meio do conflito entre as superpotências no final da década de 70 do século XX e os posteriores desdobramentos, até nos trazer ao século XXI.

Falando sobre a obra, o autor retrata dois irmãos pequenos vivendo em uma pequena aldeia afegã no início dos anos 50 e os desdobramentos de suas vidas ao longo de meio século. Não vou retratar detalhes da história, mas um detalhe interessante que acabei apreciando, ainda que tenha achado um pouco confuso é o fato de o autor alternar entre diversos narradores sem uma cronologia específica e declarada. Não há aquele prefácio em cada capítulo, informando “cidade tal, dia tal, ano tal”. A narrativa inicia-se sem que você saiba quem é o narrador, onde ele está e nem em qual época. Tudo isso vai sendo desvelado aos poucos durante a leitura, até que se consiga fazer a conexão de onde está a história e como esse fato se conecta com o restante da narrativa.

Um outro ponto bastante legal, é que a narrativa avança sempre tendo como narrador um personagem pessoa diferente do personagem principal naquele momento. Quase sempre os detalhes da história são fornecidos por um personagem secundário e por muitas vezes sem uma conexão direta com a narrativa principal, quase como se ficasse sabendo das histórias por um terceiro que o informa.

Acho que um dos pontos que me pega um pouco nas histórias do autor é que há sempre uma melancolia latente em todos os personagens, com uma sensação de que ninguém pudesse ser de fato feliz, mesmo os personagens felizes na história. Talvez seja um reflexo do próprio autor, que explora em suas obras toda a tristeza e o sofrimento que se abate sobre o povo afegão, mas confesso que é uma sensação que mina bastante a minha empolgação com a leitura. Não consigo avançar por muito tempo na história, preciso de fazer pausas sucessivas, para não me deixar levar por essa energia melancólica, para respirar e não ficar também melancólico.

Mas não é um livro ruim, é uma leitura rica, cheia de detalhes, que dá uma dimensão da realidade vivida pelas pessoas no país, a tristeza, as circunstâncias que minam a capacidade do país em se estabilizar, e personagens cheios de nuances e facetas. Apesar de triste e melancólica, é uma leitura recomendada. Nota 3,5/5.

Políticos & Afins

Resolvi compartilhar com vocês uma história que tem rolado nos últimos meses de uns entreveros meus com um vereador aqui do município de Uberlândia. Não vou citar aqui o nome do vereador a fim de evitar potenciais problemas legais uma vez que a classe é bem volátil, e no Brasil de 2022 todo cuidado é pouco, não é mesmo?

Fato é que nessa legislatura é a primeira vez que conheço pessoalmente um vereador em exercício de mandato. Quando digo conhecer, me refiro ao fato que a minha vida cruzou com a da pessoa anteriormente à sua chegada ao poder. No caso em questão, conheço o vereador dos meios de convivência da igreja, grupos e pastorais nos quais participava e ocasionalmente cruzava com ele em encontros e eventos. Apesar de nunca termos sido amigos, nos tratávamos bem, ele era muito próximo a meus irmãos e por mais de uma vez chegou a frequentar a minha casa.

Desde muito jovem ele buscava um engajamento na política, tentando se associar a eventuais candidatos e tudo o mais. Acabou se lançando candidato a vereador em alguns pleitos anteriores, tendo votação irrisória. No ano de 2016 tentou novamente e apesar de ter tido uma votação um pouco melhor, não conseguiu se eleger, mas acabou beneficiado pelo escândalo ocorrido na Câmara Municipal onde quase toda a casa teve o mandato cassado. Acabou assumindo uma posição como vários dos suplentes e pôde fazer campanha em 2020 como vereador em exercício. Acabou sendo eleito com menos votos que muitos outros candidatos, graças àquele mistério insondável do coeficiente eleitoral, com base nas coligações partidárias.

Deixo claro que nunca votei nele. Em nenhuma das eleições que participou, e muito menos na que acabou eleito, da qual eu nem participei, por estar no meio de uma pandemia e há menos de 1 mês do nascimento de minha filha. Mas me alegrei com a sua eleição e acreditei se tratar do meu representante no poder. Por essa razão, decidi que iria acompanhar o seu mandato bem de perto, como deveríamos fazer com todos os políticos, mas infelizmente não fazemos.

Não cheguei a me surpreender com a sua postura enquanto vereador, mas confesso que me impactou negativamente. Para alguém que vinha de movimentos pastorais da Igreja, que pregava o amor ao próximo e a defesa dos pobres e oprimidos o seu mandato tem sido de uma irrelevância e de um posicionamento que, fosse comigo, me sentiria envergonhado. Em todo momento durante o exercício de seu mandato, o vereador se posicionou favoravelmente ao poder, defendendo interesses de ricos e poderosos e sempre se colocando contrário a pautas humanitárias ou em defesa do pobre ou da vida humana. Como estamos vivendo um contexto de pandemia, sempre se colocou do lado dos negacionistas, dos anti-ciência e dos que lutaram arduamente pela disseminação do vírus da covid 19.

Não satisfeito com essa postura vergonhosa, ainda quando havia projetos em defesa do meio ambiente, ou de projetos em prol da dignidade da vida dos pobres e da população marginalizada na cidade, se postava de forma contraria, sempre alinhado ao poder e ao elitismo. E o que há de pior no Brasil deste momento: alinhado ao Bolsonarismo.

Por conta dessa postura vergonhosa, na qual não me sinto de forma alguma representado, comecei a me posicionar contrário a ele. Passei a comentar as suas postagens nas redes sociais, cobrando uma postura mais coerente com a sua história de vida e com os valores que ele jurou defender. Como nunca recebia nenhum retorno, comecei a mandar mensagens no formulário inbox de suas redes sociais, tentando um posicionamento da parte dele. Inicialmente recebia respostas vazias do tipo “marque um horário em meu gabinete, venha conversar”, o que naturalmente era uma impossibilidade, dentro do contexto de pandemia que estávamos vivendo e no qual deixava minha casa única e exclusivamente para atividades essenciais. Como as respostas eram sempre genéricas, imaginei que se tratasse de um assessor fajuto que acompanhava suas redes sociais, até que me irmão comentou que ele passou a ligar para o meu irmão quando eu mandava alguma mensagem.

O objetivo dessa abordagem eu não entendi, uma vez que me irmão é uma pessoa totalmente diferente de mim e não tem qualquer responsabilidade sobre o que eu falei.  Em todo caso, continuei postando e cobrando posições mais cristãs (já que ele adora postar coisas religiosas em suas redes) e maior coerência entre o discurso que prega e a atuação parlamentar.

Confesso que sentia um pouco de prazer em ficar fazendo estas cobranças e provocações, pois sabia que ele lia todas, ainda que não respondesse sempre. Afinal, quem de nós brasileiros oprimidos não gostariam de ter uma linha direta com algum político para externalizar todas as frustrações e decepções com essa classe tão baixa e vil? Sim, eu gostava dessa ligação e podia expressar toda a minha irritação com um político em exercício de mandato, tão acostumado a ser somente bajulado e jamais contrariado.

Claro que como todo político vaidoso e que não tolera críticas, ele começou a se irritar comigo e ser um pouco menos polido nas respostas, até o momento em que ele foi coautor de um projeto na câmara de Uberlândia proibindo passaporte vacinal. Essa postura tão negacionista foi demais para mim e me posicionei duramente contra ele, acusando-o de fazer necropolitica e se alinhar ao que há de mais baixo na política nacional, e que deveria ter vergonha dessa postura que defende a morte. Ele se irritou e me acusou de não estar aberto ao diálogo e que não aceitava contestações em minhas posições. Retornei colocando o meu telefone e endereço na mensagem, o convidando a ligar para mim caso quisesse conversar, ou me visitando em minha casa, me colocando a disposição para ouvir o que ele tivesse a dizer, com a condição que pudesse ouvir também o que eu tivesse para falar.

Ele, claro, não se manifestou mais. Não me ligou e obviamente não apareceu em minha casa. Nesse meio tempo passei a confrontar toda postagem inútil que ele fazia nas redes sociais, especialmente aquelas que nada condizem com o seu mandato como parlamentar. Como na vez em que foi comentar sobre a decisão da justiça colombiana pela descriminalização do aborto naquele país, eu apareci falando “o que uma decisão da justiça colombiana influencia no mandato de um vereador de Uberlândia? Deixe de conversa e vá se preocupar com os problemas de nossa cidade”. Ou agora recentemente quando foi fazer vídeo de repudio sobre a falsa polemica do filme do Danilo Gentili. Aquele filme lançado há mais de 5 anos atrás e que foi aplaudido pelos bolsonaristas como “uma perola em defesa do politicamente incorreto”, ou “contra a ditadura do politicamente correto”, asneiras desse tipo. Agora que o governo é incapaz de combater a inflação galopante, buscou no filme do ex aliado e agora desafeto a distração necessária para afastar o povo das cobranças em cima do que é relevante.

E vem esse vereador fazer vídeo repudiando o filme, como se isso tivesse alguma relação com o seu mandato como parlamentar municipal. Mais uma vez, é claro, fui aos comentários falar que isso nada tem a ver com o seu cargo, que ele deveria deixar de dar ibope para essas cortinas de fumaça do governo federal e se preocupar em atuar pelo bem da população da cidade. E fui à mensagem direta cobrar dele a oportunidade de falarmos pessoalmente. Como ele não quis entrar em contato comigo, perguntei como fazia para marcar um horário no gabinete dele para conversar pessoalmente, agora que a pandemia está (finalmente) recuando, já me sinto seguro para sair e ter esse encontro pessoalmente.

Fui além e disse que queria encontrar pessoalmente para poder dizer olhando nos olhos dele o quanto considero o mandato dele uma decepção. Ahh, foi a deixa para ele encrespar. Acabei tocando em um ponto sensível. A vaidade é algo que mexe profundamente com um político, né. São seres tão acostumado a terem sempre diversos assessores os bajulando diariamente, e quando encontram com a população, são acostumados a serem tratados sempre com tantas mesuras e veneração que se ofendem quando um zé ninguém como eu não os trata com deferência, pelo contrário, ousa dizer que os considera uma decepção. Não faltei com respeito e nem o acusei de nada. Simplesmente disse que considerava o seu mandato uma decepção e um desperdício de uma excelente oportunidade de fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Afinal de contas, um vereador, se quiser, pode criar projetos de leis que beneficiam muitas pessoas, ainda mais em uma cidade grande e com tantas pessoas em situação de vulnerabilidade, como é o caso de Uberlândia.

Mas o vereador se doeu como se eu tivesse o atacado pessoalmente. Me acusou de ser “tão assertivo com todos”, como se isso fosse uma ofensa (mal sabe ele que todo o meu processo terapêutico é essencialmente uma busca por assertividade constante) e que não “iria se sujeitar a algo tão baixo”. Eu o questionei sobre o que seria algo tão baixo, uma vez que ouvir críticas está no escopo de um servidor público que representa a população, como é um vereador. Ouvir críticas e sugestões deveria ser a primeira demanda de um político, não acham? Não é função dele ouvir o que a população tem a dizer, mesmo que seja contrário ao que ele ache correto? Um político que ouve somente aquilo que quer ouvir está verdadeiramente abrindo espaço para todos ou está somente alimentando o seu ego e inflando ainda mais a sua bolha? Um político que está realmente aberto a ouvir a população e buscar soluções que melhore a vida de todos não deveria estar receptivo às críticas para buscar crescer com a diferença? Um político em exercício de mandato não é representante de toda a população e jamais somente àqueles que o elegeram? Entendo que um político deva satisfações aos cidadãos que o elegeram, mas não deve jamais buscar governar somente para esses, e sim para toda a população. Sei que hoje é difícil entender isso, uma vez que o próprio presidente da república governa só em benefício próprio ou fazendo gracejos para os 25% que ainda o defendem, mas cabe a todos nós, cidadão esclarecidos os recordarem que uma vez que estão em um cargo público, são responsáveis por governar para a população, inclusive para aqueles que os criticam.

O nobre vereador a que me refiro nesse texto me intimou a buscar falar com todos os vereadores, sem distinção. E eu respondi que, em um mundo ideal, isso seria sim o melhor a se fazer, mas que é impossível e impraticável, primeiramente porque a maioria dos vereadores são inacessíveis e caso você não possua um vínculo direto, eles jamais abrirão espaço para conversar com quem quer que seja que não tenha poder ou influência, como é o meu caso. Então, nessa seara, já que é impossível falar com todos os vereadores, prefiro visitar e falar com aquele que conheço pessoalmente, aquele que já frequentou a minha casa, aquele já fez pregações em grupos de oração que tocaram o meu coração e aquele que eu imaginava que verdadeiramente poderia fazer a diferença em um cargo público. Vamos ver se ele terá a coragem de me conceder um espaço para conversar pessoalmente.

É impressionante como a classe política no Brasil é mal-formada, mal estruturada, e mal assessorada. E como os egos são inflados rapidamente e com pouquíssimo tempo de mandato eles passam a acreditar que são superiores à população que o elegeu, e passam a se colocar em um pedestal acima de todos, não aceitando críticas de quem pensa minimamente diferente deles. É um jogo de vaidades em que ficam se elogiando mutuamente, um corporativismo arraigado que não aceitam ser contrariados por quem quer que seja.

E vejam só, estou falando de um ínfimo vereador de uma cidade do interior do país, que, quando era um zé ninguém era cheio de simpatia, de disponibilidade, de vontade de acolher as pessoas. Agora, com um mínimo de poder, se coloca acima do bem e do mal, se acha no direito de julgar quem pensa diferente dele como “baixo”, e fica querendo diminuir a posição alheira e fugindo do debate com o diverso.

Não por acaso vivemos esse descaso e desilusão da população com a classe política. Quando acreditamos que alguém que é “gente como a gente” chega ao poder e poderá fazer a diferença, ele se esquece de suas origens e passa a agir exatamente como os que já estão lá há anos, perpetuando um modelo político baixo, vil, corporativista e vaidoso, que não acrescenta nada à vida do cidadão comum e possui um distanciamento absurdo da população, a ponto de não se identificar mais como um cidadão comum, exceto quando quer fazer politicagem barata.

Enquanto não mudarmos a sociedade para que saibamos cobrar os políticos, e aí tenham que verdadeiramente mudar a sua postura, estaremos condenados a repetir esse mesmo modelo instituído há mais de 100 anos e que não levará o país a lugar nenhum.

Resenhando (#12)

A leitura dessa semana foi o livro “Fortaleza Digital” de Dan Brown. Claro que todos que gostam de livros ou cinema conhecem o autor, que alcançou uma fama avassaladora com o premiadíssimo “O Código da Vinci”, que posteriormente virou filme com Ton Hanks e abalou toda a estrutura da Igreja Católica e gerou revolta nos tradicionalistas.

Fortaleza Digital – Primeiro lampejo do estilo Dan Brown

Mas voltando ao Fortaleza Digital, foi o primeiro romance escrito pelo autor, e não obteve muito sucesso quando foi lançado, mas depois do sucesso de “O Código da Vinci” teve uma saída muito melhor, com os fãs procurando conhecer as obras anteriores do autor. A verdade é que o livro me passa a sensação de ter sido escrito um pouco antes do tempo, com a temática de criptografia digital, segurança da informação e pirataria de segredos de estado. Talvez no mundo de 2022 ele teria uma repercussão muito maior, mas no final dos anos 90 quando foi lançado, este tema ainda não tinha tanto apelo com o grande público, daí talvez o sucesso não tenha chegado como se esperava.

Na realidade o livro é uma obra Dan Brown do início ao fim. Aliás, tanto esse quanto o livro seguinte “Ponto de Impacto”, que também não teve tanto sucesso, são obras com o mesmo DNA dos sucessos “O Código da Vinci” e “Anjos e Demônios”. Todos os elementos que compõem a narrativa de Dan Brown estão ali presentes: uma história eletrizante em ritmo acelerado, no qual há um problema urgente a ser resolvido em que o protagonista corre contra o tempo para solucionar o mistério e salvar a situação. Tem também a divisão entre duas frentes, há o mocinho correndo atrás no campo e um “guru” que o recrutou para a missão por detrás acompanhando a missão de longe, mas com uma relevância enorme no desenrolar da história. Há ainda a perspectiva do vilão, na qual acompanhamos o desenrolar de suas peripécias para frustrar os planos dos “mocinhos” na história, até o momento em que as duas narrativas sem cruzam no clímax da história.

É um livro muito bom, no final das contas. É cativante, prende o leitor do início ao fim e a narrativa acelerada instiga a chegar ao final da história o quanto antes. Talvez falte um protagonista carismático como Robert Langdon, e talvez por estar acostumado com a dinâmica dos livros que tem o professor de Harvard como protagonista, mas senti falta de uma explicação mais detalhada e até professoral de alguns temas abordados na obra. Isso enriquece a leitura, e ao menos para mim, torna ainda mais interessante, porém nada que atrapalhe no desenrolar do cerne da história.

Acredito que o autor ainda estava moldando o seu estilo nesse primeiro livro, daí a história parecer um tanto verde em comparação com as obras seguintes, mas é um livro muito interessante, com uma história legal que vale a pena a leitura e recomendo a quem queira um livro intenso, bem no estilo do autor. Nota 4/5.

Resenhando (#11)

Vou ser bem honesto com vocês: eu não tenho a menor ideia de como esse livro apareceu na minha biblioteca do Kindle. Não conheço a história do fantasma da Opera, nunca vi o musical, nem li o livro, e não tenho a menor noção do que se trata de fato. Então confesso que achei bem estranho quando vi que esse livro estava na minha biblioteca e por algum motivo eu havia o colocado em minha meta de leitura para 2022. Por um efêmero instante, eu quase o deletei e achei melhor seguir com alguma outra leitura que me parecesse mais auspiciosa. Mas, no final das contas, decidi dar um voto de confiança ao meu eu do passado que, por alguma razão, olhou para esse título e achou que seria interessante ler.

O Fantasma de Manhattan – Superficial e pouco marcante

Não é uma leitura ruim, de todo. A história é, basicamente, uma continuação da história do Fantasma da Ópera, livro obscuro do século XIX que ganhou notoriedade após a adaptação para o cinema e musical. Eu não sou muito ligado em musicais e ainda menos em ópera, então não é algo que me chamasse muito a atenção. Acho que pensei que se tratasse de algum suspense sobrenatural sobre algum fantasma na Manhattan do início do século XX. Mas não é esse o caso.

A história inicia-se em tese no final de “O Fantasma da Ópera”, e explica como o personagem mudou para a América do Norte e os desdobramentos a partir daí. Não é a narrativa mais emocionante e surpreendente, e a maioria dos fatos se desenrola de forma muito rápida, o que é normal para um livro de menos de 200 páginas, o que me causa sempre um desconforto, gosto de um pouco mais de detalhamento no desdobramento de cada caso. Porém isso é gosto pessoal, a história é bem encadeada e não deixa pontas soltas que possam causar chateação em que gosta de ter todas as respostas ao final do livro.

A construção textual é até bacana, ao invés de um único narrador explicando os fatos no presente, são utilizados vários narradores diversos, dando uma perspectiva diferente a cada capítulo, e quase sempre narrando a partir de lembranças do passado, o que deixa a narrativa interessante. O final é relativamente previsível, porém é satisfatório, dessa forma, ainda que uma leitura que não deixará muitas saudades, não foi desagradável. Simplesmente não é tão marcante, mas ainda rendeu momentos leves de distração. Razoável. Nota 2,5/5.