Resenhando (#17)

Não se engane: apesar do título extremamente sensacionalista, este é um bom livro. Bem escrito, com bom referencial bibliográfico e o melhor de tudo: imparcial. Como trata de política, os autores tiveram uma preocupação muito grande e latente de serem o mais imparcial possível, cuidado especialmente importante neste momento nefasto da história brasileira que vivemos, cheio de “nós e eles” cheio de ódios.

“Você foi Enganado”: apesar do título sensacionalista, uma excelente leitura.

O pior do livro realmente é o título, muito sensacionalista para o meu gosto, mas entendo o apelo de chamar a atenção logo de cara, tanto do militante esquerdista quanto do extremista de direita, e todos as demais vertentes que habitam este espectro. Relevando-se o título, o livro aborda de forma ilustrativa e direta mais de 40 anos da história política brasileira, começando nos primeiros anos da década de 80 até o limiar das últimas eleições presidenciais em 2018, passando, portanto, pelo final da ditadura militar, o movimento pelas “Diretas Já”, a luta incessante contra a inflação na chamada “década perdida” até a redemocratização e as primeiras eleições presidenciais diretas após mais de 25 anos.

Segue passando pelo impeachment de Collor, o plano Real, os governos FHC, a chegada da esquerda ao poder até a sua derrocada em 2016 e o governo neoliberal que sucedeu. Por finalizar sua pesquisa neste momento, o livro não teve a oportunidade de falar sobre a guinada ao extremismo neofascista que vivemos atualmente que teria amplo material para uma obra que fala de mentiras contadas pelos governantes do país.

O livro me surpreendeu positivamente pela forma como tratou estas mentiras, sem escolha de favoritismos, independentemente da orientação do governo retratado, e olha que passaram por presidentes de diversas orientações e perfis, dedicando um capitulo a cada um deles, focando especialmente no tema que consideraram mais importante de tratar sobre aquele governo. Aqui talvez seja o momento de maior parcialidade dos autores, ao definir quais as “mentiras” iriam focar a respeito de cada presidente da república; mas ainda assim entendo que as escolhas foram feitas muito mais por uma necessidade de definir o objeto da pesquisa para delimitação do tema que algum interesse pessoal escondido por detrás. A meu ver, o trabalho foi bem feito.

Dessa forma, o livro traz capítulos sobre o general Figueiredo, sobre o presidente eleito indiretamente – e jamais empossado – Tancredo Neves, seu vice José Sarney, que foi quem assumiu de fato o poder e governou até 1990. Trazem um capítulo sobre Collor, e posteriormente sobre seu vice, Itamar Franco e a criação do plano Real. Tem outro capítulo dedicado aos governos FHC, Lula e Dilma, chegando até ao seu vice/traidor Michel Temer que assume o poder após o golpe que tirou a primeira mulher eleita presidente de nosso país. Reparem que em pouco mais de 30 anos tivemos 3 vice presidentes alçados ao poder no Brasil. Afinal de contas, não parece ser um cargo tão figurativo quanto vendem por aí… ao menos no Brasil.

Concluindo, o livro foi uma agradável surpresa me entregando mais do que esperava, e por este motivo eu recomendo a todos a leitura, sempre, porém com o viés critico de entender que, ainda que a temática do livro sejam as mentiras presidenciais, elas precisam ser contextualizadas para serem entendidas integralmente, não somente como um exercício de ódio à política. Nota 4/5.

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