Uma de minhas leituras mais agradavelmente surpreendentes de 2022 foi este livro chamado “18 dias – Quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush”, que trata, obviamente, do período de transição entre o final do governo FHC e o início do primeiro governo Lula, e os naturais desafios da mudança de um governo de centro direita para um governo de centro-esquerda, mas mais do que isso, faz um apanhado histórico do posicionamento diplomático brasileiro nos últimos 50 anos.
O principal objetivo com essa aliança durante o período de transição governamental entre dois partidos historicamente adversários, como o próprio subtítulo deixa explícito, consistia no objetivo de convencer os EUA – à época o maior parceiro comercial brasileiro e maior superpotência global inconteste – em acreditar e apoiar o Brasil, deixando de lado o seu tradicional posicionamento aversivo a qualquer governo de orientação política de esquerda surgido na América Latina. Não era uma tarefa fácil, alias. A história americana está repleta de exemplos em que os EUA utilizaram de sua posição econômico-militar e sua peculiar visão de observar a América Latina como um quintal de seus interesses para sistematicamente saquear, desestabilizar, intimidar, sabotar e derrubar qualquer governo minimamente resistente aos interesses imperialistas estadunidenses.
Mas digo que o livro foi agradavelmente surpreendente por trazer muito mais que somente isso. O livro faz um resumo dos anos anteriores ao governo FHC e traz bastante elementos referentes às suas políticas e posicionamentos durante os 8 anos de duração de seu mandato, os sucessos e insucessos, especialmente destacando o viés diplomático e o desgaste natural do governo ao término do período, tanto com a população, a imprensa e demais países e parceiros. O texto do autor aborda também – ainda que de maneira mais breve e sem tanto aprofundamento – as relações diplomáticas brasileiras com outros países relevantes, como a China (que ainda não era a superpotência atual, mas já se encontrava em vias de vir a se tornar), a Argentina, que (apesar do que acham algumas pessoas) é um grande parceiro comercial do Brasil, e também com nações do Bloco Econômico Europeu.
Existem dois pontos principais interessantíssimos a ressaltar: o primeiro é que – como já mencionei anteriormente – o livro aborda muito a questão diplomática e para quem se interessar pelo assunto, essa obra é um prato cheio, abordando a diplomacia brasileira desde meados da década de 50, passando pelo final do período Vargas, a ditadura militar e chegando à redemocratização e os desafios para o futuro pensados naquele já longínquo ano de 2002. Trata de momentos importantes da diplomacia mundial, períodos de crise e desafios enormes, especialmente ao se considerar todo o intrincado e complexo pano de fundo da guerra fria acontecendo, apresentando técnicas e abordagens dos governos e diplomatas brasileiros nesse período. Trata-se de um relato impressionante e cheio de detalhes que cativa com uma escrita profissional e nem um pouco cansativa.
O segundo e mais importante ponto, especialmente ao olhar para o Brasil agora, 20 anos depois, é o quanto impressiona a colaboração existentes entre dois partidos fundamentalmente rivais. PT e PSDB haviam disputado até aquele momento 4 eleições presidenciais e eram vistos como posicionados em lados diametralmente opostos no espectro político brasileiro. Ainda assim, porém colaboraram mutuamente, com o governo tucano abrindo as portas para todos os líderes petistas e os apresentando todos os aspectos do governo, contribuindo ativamente para que o país continuasse progredindo, incluindo aí o período de preparação e aproximação com os EUA que constituem os 18 dias que serviram de base para o título do livro, no qual os ministros e o próprio FHC não somente convidaram como trabalharam próximos aos principais integrantes do futuro governo petista durante essa aproximação e abordagem junto aos americanos . Parece uma atitude inexplicavelmente desapegada ou pouco preocupada em expor a um grupo adversário os meandros do tortuoso rio que é a governança de um país grande e complexo como o Brasil, mas, na realidade é o mínimo que se espera em um momento de transição governamental. Nós, com os olhos de 2023 enxergamos com estranheza devido a radicalização da polarização atual, e vendo como foi o processo de transição governamental no final do ano passado (ainda que muito menos dramático e atravancado como se imaginava anteriormente às eleições), é de se admirar a civilidade e a seriedade com que os envolvidos abordaram esse processo em 2002. Aqueles personagens – todos eles – foram verdadeiros patriotas que pensaram no bem do país. Deixaram as diferenças partidárias e ideológicas de lado para se portarem como democratas que visam somente servir de forma correta e produtiva a seu país. Li em uma resenha sobre esse livro que este foi o melhor período da democracia brasileira, e tendo a concordar fortemente, ainda que fosse à época um adolescente com hormônios em ebulição. Foi um período muito especial da política brasileira, em que se olhava para o futuro do país de forma conjunta e todos os lados políticos almejavam somente o desenvolvimento do Brasil. Um exemplo a ser resgatado. Pena que o PSDB da época, tão necessário e relevante para o bom funcionamento da democracia brasileira foi corroído por vaidades e intrigas pessoais internas e hoje encontra-se moribundo, se apegando ao extremismo golpista para tentar sobreviver.
Uma frase em especial, presente no livro, merece ser destacada ao final dessa resenha, por resumir bem o sentimento que o livro – e o período vivido à época:
“Quando Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial a Lula, foi a primeira vez que um presidente eleito pelo povo empossou um sucessor de oposição, também escolhido nas urnas, e este, por sua vez, completou o mandato sem morrer, renunciar ou ser derrubado por um golpe”.
Triste é pensar que, passados 20 anos desse momento, este ainda continua sendo o exemplo único dessa civilidade democrática tão necessária para o crescimento e desenvolvimento da nação. Nota 4,5/5.
Há meses que estou bastante atrasado com as minhas resenhas de livros e há muito tempo que não faço qualquer postagem aqui no blog. Com isso, estou com muitos livros aguardando algumas palavras para finalizar o processo de leitura. Desde que comecei a resenhar todo livro que leio, tornou-se um hábito para conclusão de fato do livro. Estou com um bocado de livros parados aguardando a resenha, então vou desovar todos antes de resenhar os livros que li neste começo de 2023, para pegar novamente o ritmo de escrita e de análise.
Começo essa retomada falando sobre o livro “Manuscritos do Mar Morto” que, como todo livro que carrega uma premissa de suspense envolto em mistério histórico me chamou atenção logo de cara. A história é envolta em um mistério a respeito de um povo milenar que sobrevive através dos séculos e atualmente busca alcançar um projeto de dominação mundial. Como diversos outros povos e lideres ao longo da história da humanidade, eles se veem como merecedores do direito de dominar todo o planeta. O ponto de maior destaque é que, segundo o livro, eles descendem de um personagem central presente na Bíblia, mas que, segundo a tradição bíblica, não deixou nenhum descendente
Confesso que, após tanto tempo da leitura, não me recordo absolutamente de todos os detalhes, para fazer uma resenha aprofundada, mas é possível descrever o livro focando nas sensações que ficaram em mim a respeito da leitura. Primeiramente, é um bom romance de suspense, com reviravoltas e dramas na medida certa, com encadeamento de diversos núcleos de personagens aparentemente distintos, mas que acabam tendo seus destinos cruzados., no qual o autor se utiliza amplamente do popular recurso de narrar uma história no tempo presente, mas permeá-la constantemente com flashbacks do passado que nos ajudam a entender melhor como se dá a relação entre os personagens que são apresentados.
Tem um determinado momento em que parece que o livro vai realmente decolar e nos deixar na ponta dos dedos ansiando pela próxima página, especialmente quando os membros da seita aparecem sorrateira e assustadoramente nas cenas de acidentes que ocorrem ao longo da história, quase sempre descritos como personagens sinistros e um tanto sobrenaturais, deixando uma pontinha de dúvida sobre sua real existência, quase como se fossem assombrações ou extraterrestres.
Ainda que não seja a história mais cativante que já li, além de sentir que faltaram alguns elementos para que a contextualização histórica do povo milenar fosse um pouco mais crível, o livro entretém e cativa, rendendo bons momentos de leitura e isso – no final das contas – é o que realmente importa. Portanto, nota 3,5/5.
REPORTER: Você vê essa temporada como um fracasso?
Giannis: Meu Deus do céu…Ok, porque eu não tô tão exaltado… você fez a mesma pergunta ano passado, Eric. Tá bom? Por acaso você é promovido todo ano no seu trabalho? Não né? Então se você não foi promovido você fracassou. Sim ou não?
REPORTER: Não.
GIANNIS: Não. Todo ano de trabalho é por alguma coisa, por um objetivo. Seja conseguir uma promoção ou conseguir cuidar da sua família, ou sei lá, dar uma casa para eles, ou cuidar dos seus pais… Você trabalha por um objetivo, não é um fracasso, é um degrau a mais para chegar ao sucesso. E se você nunca…sei lá… eu não quero tornar isso pessoal. Sempre tem degraus para o objetivo. Michael Jordan jogou 15 anos, conseguiu 6 campeonatos, então os outros 9 foram um fracasso? Porque é isso que você está me dizendo. Estou te perguntando, sim ou não?
REPORTER: Não.
GIANNIS: Não, ok. Então porque você está me perguntando isso? A pergunta está errada. Não existe fracasso em esportes. Existem dias bons, dias ruins, alguns dias você terá sucesso e outros não. Alguns dias é a sua vez outro dia não é sua vez. Esportes são sobre isso, você não vence sempre. Outras pessoas também vão vencer. Esse ano outra pessoa vai vencer. Simples assim, vamos voltar temporada que vem tentando ser melhores e tentando construir bons hábitos. Tentar jogar melhor, não ter sequencias de dias jogando nada. E com a esperança de vencer o título. Nos 50 anos entre 1971 e 2021 onde não vencemos um campeonato, foram 50 anos de fracasso? Não, não foram. Foram degraus necessários, conseguimos vencer um e talvez vamos vencer outro. Desculpe, isso não é para ser pessoal. Porque você me perguntou a mesma coisa ano passado. E no ano passado eu não estava no meu melhor para responder essa pergunta. Mas eu lembrei.
Fonte: Gary Dineen / AFP
Fiz questão de iniciar o texto de hoje com a descrição completa do diálogo acontecido entre um repórter e o astro da NBA Giannis Antetokounmpo, acontecido na última quarta-feira (26/04) e que viralizou em toda a internet(pode ser visto aqui, logo após o time do atleta grego ser eliminado na primeira fase dos playoffs da NBA. Antes de dar seguimento ao meu comentário, peço licença para fazer uma pequena contextualização que nos permitirá prosseguir na reflexão de maneira um pouco mais embasada.
Giannis Antetokounmpo é um atleta de basquete, nascido na Grécia e filho de pais nigerianos, que migrou para os Estados Unidos a fim de seguir a carreira. Foi draftado (seleção de novos atletas da NBA) em 2013 e desde então está jogando pelo Milwaukee Bucks, um dos times de menor mercado dentro da liga da NBA. Giannis é, há pelo menos 7 anos, um dos melhores jogadores da NBA. Ganhou prêmios de jogador que mais evoluiu de uma temporada para a outra(MIP), prêmio de melhor defensor da liga, e melhor jogador da liga por dois anos consecutivos(2019/2020) e nas ultimas 3 temporadas não ganhou novamente este prêmio, mas esteve sempre entre os 3 finalistas. É o atual líder em praticamente todas as estatísticas de sua equipe, bem como o líder em quadra. Em 2021 conseguiu levar o seu time, o Milwaukee Bucks ao titulo da NBA, após 50 anos de espera, tendo o primeiro e único titulo da equipe até então, acontecido na temporada de 1971, sob a liderança de outro gigantesco atleta do basquetebol, Kareem Abdul-Jabbar.
Na atual temporada, Giannis e seus colegas de Milwaukee conseguiram a melhor campanha de toda a NBA durante os 82 jogos da temporada regular, conquistando a primeira posição na Conferência Leste e lhes dando o privilégio de ter o mando de quadra contra todos os times da liga. Por uma dessas coincidências do destino, acabaram se cruzando com o Miami Heat, um de seus maiores algozes, tendo eliminado o Bucks na temporada 2020 quando também eram um dos principais favoritos ao título da NBA. Aconteceu que nesta semana o fato se repetiu, após o Heat eliminar o Bucks mesmo sendo somente a 8ª melhor equipe da conferência leste, por um respeitável 4 x 1 na série melhor de 7 jogos. A entrevista que transcrevi acima aconteceu logo após o 5º e ultimo jogo, após o Bucks perder na prorrogação e ser eliminado.
Como bem disse Giannis na entrevista, o mesmo repórter havia feito a mesma pergunta em 2022, quando o Bucks foi eliminado na semifinal da conferência leste pelo Boston Celtics, que acabou sendo o vice campeão da temporada. Na noite da última quarta-feira, ao ser novamente questionado pelo mesmo repórter, Giannis decidiu se pronunciar e apresentar a sua visão a respeito do que é sucesso, na vida e no âmbito esportivo, visão com a qual eu tenho muita simpatia e concordância. O mundo em que vivemos é tão brutalmente agressivo e exige resultados excepcionais diariamente que uma história tão grande e bem sucedida quanto a história recente do Milwaukee Bucks e de Giannis Antetokounmpo pode ser vista como um fracasso por um resultado ruim. Olhando somente para a própria NBA eu já acho isso particularmente brutal. São 30 times que competem todos os anos e somente 1 é campeão. Não é como no futebol que existem milhares de campeonatos acontecendo simultaneamente e um mesmo time joga 5 ou 6 deles ao longo do ano, podendo ter uma campanha lamentável em um deles e um resultado assombroso em outro. Não, na NBA é um campeonato anual e pronto. Todos os times e jogadores querem vencê-lo, mas ao final da temporada somente 1 time e cerca de 15 jogadores poderão ser chamados verdadeiramente de campeões.
Isso é muito brutal, e é um tanto desumano considerar um fracasso de um time que conseguiu o melhor recorde de vitórias durante a temporada, apresentou um basquetebol de altíssimo nível que encantou à maioria dos críticos e levou quase todos a os considerarem os maiores favoritos ao título da temporada. Sei que alguém certamente irá pensar ou dizer “mas pô, se forma os melhores da temporada regular, eram os favoritos ao título, perderem logo na primeira rodada de playoffs é um fracasso sim”. Concordo e discordo dessa afirmação. Concordo por entender a lógica direta envolvida e a relação entre potencial esperado e realizado. Porém discordo que, a eliminação não desfaz todo o bom trabalho envolvido na preparação. Como disse Giannis, eles fazem o melhor, se preparam, tentam executar tudo da melhor forma, mas simplesmente naquele dia o outro time conseguiu fazer melhor. Isso não é demérito de quem perdeu, mas sim um mérito enorme do vencedor, que apesar das baixas expectativas, conseguiu se exceder e entregar muito mais que todos esperavam, talvez até eles mesmos.
Mas, mais do que isso, e extrapolando o mundo do esporte, o que mais me assusta ao pensar essa necessidade incondicional por sucesso absoluto e constante é essa necessidade de que isso seja realizado em todas as esferas de nossa vida. Acho que Antetokounmpo foi muito preciso ao questionar o repórter se, devido ao fato de ele não ser promovido anualmente faz automaticamente dele um fracassado. É claro que não faz. O nosso mundo atual tem essa necessidade constante por sucessos grandiosos, premiações espalhafatosas que infla magistralmente o ego de quem as recebe e massacra a todos os outros que não conseguem a honraria, forçando-os quase imediatamente a se forçarem a fazer mais, a serem melhores, pois, se não conseguiram o sucesso máximo, é porque faltou algo a mais, e a culpa é exclusivamente sua.
Não acredito que o repórter estava imputando alguma culpa a Giannis pelo time não ter alcançado as expectativas de todos, mas serviu para que pudéssemos pensar um pouco melhor essa busca desenfreada por um sucesso que só é aceito verdadeiramente como sucesso se for validado por um prêmio espalhafatoso que precise o colocar maior e melhor que os seus semelhantes. Todos que estão por aqui lendo certamente vivem isso constantemente em seus trabalhos, sejam eles quais forem. São reconhecidos como profissionais de sucesso somente aqueles que conseguem as promoções mais visíveis, ou os elogios mais estridentes, sem sequer questionar aos demais se cada um deles realmente interpretam aquilo como sucesso.
A comparação que Giannis faz com a carreira de Michael Jordan é simplesmente brilhante, pois ele busca em um exemplo de seu próprio universo que foi extrapolado para todo o mundo como sinônimo de sucesso. Quantas apresentações empresariais e de gurus na internet eu vejo citações a Michael Jordan e sua brilhante carreira como sinônimo de sucesso. Quer dizer então que ele só obteve sucesso nos anos em que foi campeão? Será que praticamente 2/3 e sua carreira foram um desperdício e ele fracassou? Mas é claro que não. Michael entrou na NBA em 1984 e foi conseguir seu primeiro título somente em 1991. Todos os anos em que lutou, ganhou prêmios individuais, foi chamado por Larry Bird de “Deus vestido de Michael Jordan” e mesmo assim não alcançou a gloria máxima do esporte não foram desperdícios, ou frutos e insucesso, mas sim um sucesso gigantesco em pequenos passos para atingir o maior dos objetivos finais.
Sei que essa é uma discussão profunda e que diversas pessoas têm opiniões diferentes. Até mesmo dentro do universo da NBA, o grande astro do passado, Shaquille O’Neal (e um dos atletas com os quais Giannis é constantemente comparado) deu uma opinião diferente que, no final das contas, não é tão diferente assim e no final, ao menos na minha interpretação, corrobora o que disse o grego. Falhar eu um objetivo, em uma missão não é ser um fracasso. O Bucks falhou no objetivo de ser campeão, mas isso não faz da temporada deles um fracasso. As vezes fazemos tudo certo, mas simplesmente não era pra ser. Foi assim com o Bucks nesse ano e será assim sempre com alguém em algum lugar.
E é assim em nossa vida constantemente, seja pessoal, profissional ou ambas. Devemos nos propor objetivos grandes e estimulantes – a nossa busca enquanto humanos por realizações é algo inerente à nossa espécie – mas também não deve ser uma jornada excruciante e de dor e sofrimento, na qual somente a conquista plena e incondicional do desejo final deve ser comemorada. Aliás, essa deve ser a menos impactante de todas, pois ela será fruto de uma série sucessiva de pequenos sucessos e esforços, que foram tão ou mais recompensadores que o resultado final. Quem olha somente para quais foram os promovidos em uma empresa para tentar encontrar os profissionais mais bem sucedidos ou felizes pode ter uma surpresa muito impactante. Qualquer pessoa sabe que uma promoção no emprego é uma soma de fatores que envolve sim competência, mas também envolve muita boa vontade de quem promove, uma boa dose de autopromoção e bajulação, bem como o timing de estar no local exato na hora precisa.
Conheço diversos casos de pessoas promovidas que não se sentiram particularmente bem sucedidas, talvez por terem expectativas ainda maiores ou então por não se sentirem tão deslumbradas com a posição conquistada. Por outro lado podem existir pessoas no mais baixo nível hierárquico que se consideram excepcionalmente bem sucedidas simplesmente por estarem realizando bem o seu trabalho. Não devemos medir o sucesso de ninguém por nossa própria régua.
E mais ainda, precisamos urgentemente desconstruir esse modelo de que somente o sucesso deve ser alcançado a todo custo. Devemos repensar toda essa construção belicista, de que é preciso sobrepujar o outro, é preciso impor fracassos a alguém para conseguir ser um sucesso e, principalmente, precisamos reduzir essa busca desenfreada por sucesso. Essa correria incessante de que todos precisamos ser melhores que ontem, precisamos nos aprimorar sistematicamente, nos exaurir até a ultima gota de existência para que possamos talvez, com sorte e muita boa vontade, conseguirmos ser vistos como um sucesso para nossos pares. E daí? Precisamos todos ser um sucesso? Se todos formos um sucesso, ninguém será um sucesso. É preciso que saibamos aceitar que o conceito de sucesso e fracasso é subjetivo e diferente para cada pessoa. Sucesso para um é ser o maior profissional de sua área na companhia. Para mim é ser o melhor pai que eu posso ser para minha filha. Isso faz de mim ou do outro um fracasso? De forma alguma. Precisamos aprender a conviver com diferentes visões de mundo, onde a opinião do outro precisa ser respeitada e aceita como valida ainda que seja diferente da minha, e não que eu precise forçar a minha visão para que ele concorde e valide o que eu penso a respeito de sucesso. Precisamos mais do que isso aprofundar laços de parceria, de boa convivência e amizade, pois a busca egoísta e desenfreada pelo sucesso tido como “correto” no mundo altamente competitivo em que vivemos pode até elevar alguém a um patamar “maior” que os demais, mas está levando a sociedade toda – e o nosso mundo de carona – a um caminho sem retorno de destruição mútua da qual ninguém sobreviverá. Nem mesmo os fora de série que são ungidos como “bem sucedidos”.
Dando continuidade à finalização das leituras de 2022 que haviam ficado pendentes, acabo de (finalmente) concluir o livro “A Primeira Pedra – EU, padre gay, e minha revolta contra a hipocrisia da Igreja Católica”, do autor Krzysztof Charamsa. Foi um dos livros de mais difícil leitura que me deparei em 2022. Até por este motivo foi colocado de lado e por um tempo considerei desistir de vez e abandonar a leitura, mas a relevância do tema e o impacto em minha própria história com a igreja me levaram a insistir na leitura no início de 2023.
A temática da obra é explicita imediatamente com o próprio título. A contracapa se encarrega de dar um tom sombrio e assustador ainda maior quando faz afirmações bombásticas: “Um testemunho sem precedentes… Um alto sacerdote do Vaticano rompe o silêncio e revela uma face inquietante da Igreja Católica… A santa inquisição ainda existe…”. Todas estas colocações instigam o leitor a pensar que algo chocante está para ser apresentado no texto e ficamos na ponta dos dedos aguardando o momento das revelações.
“A Primeira Pedra” – de Krzysztof Charamsa. Difícil, porém necessário
A realidade, porém, é que infelizmente a editora “carregou nas tintas” para estimular um suspense revelador a respeito do Vaticano para vender exemplares do livro. A minha primeira motivação até foi a de conhecer o testemunho do padre que, sei por vivência própria, é somente um dentre tantos sacerdotes homossexuais na igreja, mas confesso que o principal interesse era o de saber “fofocas” internas a respeito do Vaticano e de sua postura engessada e altamente homofóbica.
Infelizmente o livro não apresenta nada disso. O autor até relata um pouco de sua experiência nos altos órgãos da igreja, em especial sua atuação na Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício, ex-Inquisição), mas em nenhum momento revela pormenores e detalhes da atuação da instituição, talvez até por receio de ser ainda mais rechaçado após se assumir homossexual e deixar a igreja. A maior parte das atividades e posturas da instituição não são surpresa para pessoas que, assim como eu, são católicas desde o nascimento e participam ou participaram ativamente dos movimentos pastorais dentro da Igreja. Não é preciso ser um sacerdote da mais alta corte para vislumbrar os atos e palavras que o autor relata em seu livro – basta acompanhar qualquer pastoral e as palavras da própria igreja no dia a dia de suas atividades.
Logo, esse aspecto foi um tanto frustrante para mim, confesso. E para dificultar ainda mais, a leitura é bastante comprometida e atravancada pela utilização excessiva do dialeto “igrejiano”. Claro que estou inventando palavras, mas qualquer católico praticante sabe do que estou falando: a igreja usa e abusa de uma linguagem excessivamente rebuscada em seus rituais e rotinas, dinâmica seguida por quase todos os fiéis ao se expressarem nos grupos e momentos de orações dentro da instituição. É um uso constante de “vós, tu que sois o altíssimo, o magnânimo, fazemo-nos humildemente servos de vossa inexorável compaixão”, se afastando muito da linguagem coloquial utilizada pelo seu povo. Estes sempre foram um dos aspectos que mais me incomodaram durante minha vivência dentro da igreja. Essa necessidade de soar sempre muito culto, quase que como para ser respeitado é preciso se distanciar da linguagem popular, o que, historicamente podemos entender perfeitamente como uma estratégia para subordinar os mais humildes – a dominação e a obediência mediante a opressão da língua – quem fala bonito é porque sabe muito, é inteligente, coisas assim, mas que acho que sempre distanciou a igreja daqueles que lhe são mais importante: os seus fiéis mais humildes, que são quem conseguem ter uma expressão de fé e devoção genuínas, sem afetação ou brilhantismos, com objetivo de autopromoção ou admiração.
Tudo isso contribuiu para o meu não-engajamento na leitura imediatamente e dificultou amplamente o meu avanço, que só a muito custo e determinação seguia adiante, mas sem me conectar muito com a história. O tom fortemente rancoroso do autor, externalizando constante e sistematicamente toda a sua revolta anunciada no subtítulo deixa o livro pouco convidativo. Não me entendam mal, entendo perfeitamente a revolta do autor e a sua necessidade de expressar todo o rancor com a opressão sofrida por uma instituição que amava e devia obediência, mas que ao mesmo tempo o impedia de ser quem verdadeiramente é, e incitava as pessoas a destilarem ódio a pessoas que, como ele, não se encaixavam no padrão único aceito como o certo pela instituição. Sua revolta é mais do que justificada e compreensível e, gritar isso aos quatro ventos é um processo catártico e de cura para sua verdadeira libertação e aceitação de quem é na integralidade. Só deixa a leitura difícil e pouco estimulante para quem acompanha, ainda que eu tenha feito desde o início o exercício de empatia de me colocar no lugar do autor.
E este aliás é o ponto que me fez insistir na leitura e chegar até o final. A conexão entre a história do próprio autor e minha própria experiência de vida no seio da igreja católica. Não que eu seja homossexual como o autor, mas ao longo de minha caminhada na igreja eu conheci inúmeros amigos e amigas que são homossexuais e sofriam imensamente dentro dos movimentos pastorais por ficarem divididos entre o amor pela igreja e sua própria expressão de fé e o desejo de se aceitarem como verdadeiramente são, vivendo honesta e livremente a sua sexualidade sem julgamentos. Mas, para além da questão da sexualidade de cada pessoa, a minha identificação com o livro decorre do sentimento de dicotomia entre admirar a igreja e a sua expressão de fé, ao mesmo tempo em que é muito difícil aceitar a sua postura e omissão em temas importantíssimos na qual ainda mantém um posicionamento vindo da idade média, sua incapacidade de verdadeiramente se abrir e abraçar a realidade colocada pelo mundo e estar ao lado das pessoas que amam a igreja, acolhendo-as, amando-as e sendo amparo ao invés de condená-las e sujeita-las a humilhações e ridicularizações públicas. Tenho inclusive um texto planejado a respeito desta temática, no qual eu devo relatar e expressar melhor algumas dessas incoerências que via na vida pastoral da igreja, mas que me levaram a uma série de questionamentos e posteriormente a um afastamento.
Mas nem tudo são críticas nesta resenha. O terço final do livro melhora bastante e torna a leitura mais fluida, ainda que na mesma linguagem rebuscada de outrora. Aliás, poderíamos dividir o livro em três momentos: a primeira parte, na qual o autor relata o início de sua vida e história com a igreja, o seu crescimento enquanto sacerdote e teólogo e sua ascensão até a chegada ao cargo que ocupava dentro da Congregação para a Doutrina da Fé. Aqui cabe um adendo: eu acho surreal existir um órgão assim dentro da igreja, responsável única e exclusivamente para rastrear, identificar, denunciar e perseguir sacerdotes que não sigam 100% aquilo que ditam as regras instituídas por homens como o que é correto dentro da igreja, ainda que contradigam em sua totalidade o que pregam as Santas Escrituras. Um exemplo: como pode existir um órgão instituído na igreja para julgar e condenar as pessoas quando nas escrituras diz que não cabe a nenhum homem julgar e condenar o próximo e que isso cabe somente a Deus? Enfim, este é um dos aspectos de incoerência entre a pregação e a realidade que me suscitam dúvidas e que foi o que me aproximou do sentimento contido neste livro.
Nesta primeira parte, ainda que o autor teça alguns comentários sobre a postura lamentável da igreja em diversos momentos ao tratar as questões referentes à homossexualidade e aos homossexuais, seu tom não é excessivamente rancoroso como se torna na segunda parte. Esta sim é a etapa mais difícil da leitura – é o momento em que o autor já se entende e aceita como homossexual, mas ainda não encontrou o caminho para sua libertação do meio em que está inserido e se ressente – com razão – da postura lamentável da igreja com relação a pessoas como ele. Porém, como já relatei anteriormente, o tom excessivamente revoltado dificulta um pouco a leitura e deixa o texto cansativo.
Felizmente ao chegar na terceira parte há uma mudança no tom. Ainda que continue criticando a postura da igreja e sua inanição em buscar uma transformação, este é o momento em que o autor se aceita plenamente e passa a viver realmente como é, livre e feliz de ser quem verdadeiramente é, entendendo que não há mais espaço para continuar preso às amarras da religião opressora em que foi criado. É um processo muito bonito o de aceitação de si e de comunicação a todos a seu redor de que não mais irá silenciar quem é e a consciência de que será achincalhado por isso, perseguido e desmoralizado por se assumir quem sempre foi verdadeiramente, e não se importar com isso, pois é mais urgente ser feliz e consciente de si mesmo que se esconder de sua própria essência para ser aceito como igual em um meio nocivo, excludente e preconceituoso.
A parte final do livro, especialmente no Post Scriptum, onde apresenta, na sequência, a sua carta de saída do armário, uma carta direta ao Papa Francisco e um manifesto da libertação gay, no qual exige essencialmente respeito e desculpas da igreja por conta de sua omissão e perseguição por séculos aos homossexuais. Este trecho é particularmente belo pois poderia facilmente ser transcrito como um manifesto em defesa de todas as minorias oprimidas ao longo da história pela tradição da igreja. Qualquer pessoa católica esclarecida sabe que há momentos profundamente lamentáveis na história da igreja na qual ela se omite ou se alinha e apoia diretamente a grupos perseguidores de minorias, cometendo atrocidades indescritíveis e, infelizmente, somente para uma ínfima parte houve um reconhecimento de culpa e um pedido de perdão. Daí este manifesto ser tão profundo, pois se posto em prática poderia resgatar muitos fiéis para a igreja e, mais do que isso, a tornaria mais humana e, a meu ver, muito mais cristã e amorosa.
No final das constas o livro vale a pena, muito mais por conta das reflexões que suscita do que propriamente do entretenimento contido na leitura em si. É sim um relato importante – sei de inúmeras pessoas que sofreram e sofrem como o autor por conta de não poderem ou não conseguirem se aceitarem integralmente por medo do julgamento dentro da igreja – e um ponto de partida em reflexões que a igreja deveria iniciar imediatamente. Sei que provavelmente algumas pessoas do meu círculo de amizade me execrarão simplesmente por estar falando nisso, ou abordando a igreja nestes termos, mas há tempos que deixei de me importar com estas opiniões retrógradas e acho que o verdadeiro e correto caminho para a igreja ser verdadeiramente Igreja é o de discutir e acolher a todas as minorias, fazendo uma revolução em suas antiquadas e retrógradas leis para que possa verdadeiramente ser a Igreja de Cristo na terra: AMOR. Cristo é Amor e somente pelo amor, inclusão e aceitação de todos é que a igreja pode verdadeiramente dar testemunho de fé a todos. Ainda que seja difícil e possa levar tempo, vale a pena a leitura. Nota 3/5.
Pela primeira vez vou fazer uma única resenha para dois livros. Por diversas razões; a primeira é que se trata de dois livros “fictícios” citados pelo personagem Barney Stinson na sitcom “How I Met Your Mother”; a segunda é que são dois livros igualmente ruins. Comprei ambos durante uma promoção na qual cada um deles saiu por menos de R$ 10,00. Vejo agora que ainda assim saíram caros.
“Bro Code” e “Playbook”, derivados da série How I Met Your Mother: dispensáveis
Raramente eu faço resenhas tão críticas e negativas de livros quanto farei destes, mas o ineditismo é necessário, tamanha a incapacidade dos livros em proporcionar o mínimo de entretenimento. São reproduções praticamente literais dos “livros“ citados na série, por isso já não esperava muita coisa, porém a impressão final é ainda mais decepcionante que o (pouco) esperado.
A série How I Met Your Mother é uma sitcom de grande sucesso e realmente é uma das mais divertidas, apesar de criticas referentes ao seu final e principalmente a algumas piadas consideradas machistas, homofóbicas e misóginas. Tudo isso é verdade, porém no contexto da série e na época em que foi produzida era considerado aceitável. Ainda que tenham menos de 10 anos do final da série, muitas dessas piadas não são mais toleradas pela sociedade atual e envelheceram muito mal.
E o livro, além de não acrescentar nada de diferente ao roteiro da série – eu esperava pelo menos alguma novidade nas piadas, ou uma forma diferente de apresentá-las – é excepcionalmente machista, sexista, misógino, e sem graça. Ainda que algumas piadas funcionassem na série, ainda mais com a interpretação brilhante de Neil Patrick Harris, a verdade é que escritas no livro tornam-se fúteis, baixas e muito sem graça.
Não tenho muito o que falar além disso. Não vale a pena nem como curiosidade trivial aos fãs da série. Foram as notas mais baixas que já dei a algum livro, mas não me arrependo. Livros totalmente dispensáveis. Playbook – Nota 1,5/5. Bro Code – Nota 0,5/5.
“Misery – Louca Obsessão”: o que dizer desse livro que mal conheci, mas já considero pacas?
A piadinha infame para começar esse texto relembra os tempos de Orkut, quando escrevíamos depoimentos “profundos” para pessoas recém-conhecidas, foi somente uma tentativa de quebrar o gelo neste primeiro texto de 2023, que começa com a resenha desse livro “leve” do mestre do terror Stephen King. Começo dizendo que sou fã do autor, não um fã fervoroso que lê tudo o que ele publica – até mesmo porque para isso eu teria que ficar 24 horas por dia, 7 dias por semana por conta de ler tudo o que ele escreve, tamanha a produtividade do homem – mas quase sempre os seus livros que chegam à minha mão entregam uma boa dose de entretenimento e diversão literária.
Alguns conseguem me entregar um pouco mais e percebo que todos eles possuem uma coisa em comum: são as histórias do autor que não entregam uma trama sobrenatural, como é comum na biografia dele. As obras de Stephen King que mais me marcam sempre são as que ele escreve a respeito de personagens tipicamente humanos, com suas virtudes e defeitos, e de uma forma particularmente rica e profunda ao tratar de temáticas relacionadas a traumas e problemas relacionadas à mente humana. King consegue quase sempre entregar com maestria personagens com fobias, distúrbios mentais, obsessões doentias e distorções fantasiosas.
Misery – Louca Obsessão – Imagem: Editora Suma
E é exatamente o caso nesta obra maravilhosa que é um dos clássicos da carreira do autor. Não somente por seu sucesso literário, mas também pelo sucesso de sua adaptação cinematográfica – que inclusive rendeu um Oscar de melhor atris a Kathy Bates por seu papel como a protagonista Anne Wilkes. Por se tratar de uma obra de mais de 30 anos, não terei pudores em citar fatos da trama, com medo de estragar a experiência de leitura para quem nunca leu. Portanto, fica somente o alerta: se você ainda pensa em ler esse livro, e não quer saber nada, absolutamente nada sobre a história, salte os próximos parágrafos. Pode retornar no penúltimo ou último parágrafo deste texto que acredito que aí já não haverá perigo.
O livro conta a história de Paul Sheldon, um escritor de sucesso, conhecido por suas histórias a respeito de Misery, uma personagem que desperta paixões em diversos leitores. Cansado de escrever histórias sobre Misery, Paul decidi escrever nova obra que, após o término ele considera o melhor que escreveu até o momento. Feliz pelo resultado, sai para comemorar dirigindo embriagado e sobre um acidente em uma estrada das montanhas rochosas durante uma tempestade de neve. Para sua sorte – ou não – ele é resgatado por Anne Wilkes, uma ex enfermeira que se autointitula fã número 1 de Paul, e absolutamente apaixonada pelos livros de Misery.
O problema começa quando Annie, ao invés de levar Paul para atendimento hospitalar, o leva para casa e passa a cuidar dele por conta própria, onde descobre que Paul matou a sua personagem favorita ao ler o último livro de Misery que havia sido lançado. Ao longo da convivência Paul descobre que Annie é profundamente desequilibrada e psicótica, com uma profunda obsessão por ele (daí o título) e com uma visão peculiar e distorcida do mundo, que a leva a torturar – física e psicologicamente – o debilitado autor, que está preso a uma cama devido às inúmeras lesões nas pernas e no quadril decorrentes de seu acidente automobilístico.
Durante a sua prisão torturante no manicômio Wilkes, Paul descobre que Annie possui distúrbios ainda mais profundos que os demonstrados inicialmente, e que possui um passado sinistro e assustador, do qual ela guarda recortes alegremente, como um álbum de lembranças macabras. A história é tão brilhantemente escrita que em diversos momentos, apesar da clara psicose de Annie, ela parece um personagem cativante e acolhedor, em que até mesmo a sua vítima – Paul – sente momentos de simpatia e carinho por aquela pessoa tão diferente.
O livro inteiro é chocante, assustador e cativante na medida certa. Há passagens que nos trazem um profundo desespero enquanto leitores, em outros nos leva a ficar na ponta dos dedos esperando o que irá acontecer, e a todo o momento nos chocamos mais e mais com a capacidade de Annie Wilkes em ser mais e mais assustadora. É uma história que te causa uma reflexão profunda acerca das capacidades humanas para a maldade e a dissimulação, e como isso pode ser fruto tanto de experiencias traumáticas quanto de distúrbios psicológicos graves, e o quanto é importante nos preocuparmos em tratar as doenças da mente tanto quanto as do corpo.
O livro é o oposto do que se espera de uma leitura de início do ano – leve, otimista e esperançosa – mas, não sem surpreender, atender perfeitamente ao objetivo de fisgar o interesse pela leitura e estimular o hábito para que ao longo do ano ele seja cultivado da melhor maneira possível: lendo mais. É uma obra irresistível. Aos que já conhecem, vale a releitura. Aos que ainda não conhecem, procurem. É Stephen King no ápice de suas capacidades literárias: nos deixa sistematicamente na ponta dos dedos esperando por mais e narra todos os fatos com uma maestria que parece que estamos dentro da história, ali ao lado da cama de Paul Sheldon, vendo o desenrolar de toda a loucura de Annie. Vai para meu top 3 de histórias favoritas do autor. Primeiro livro de 2022: recomendadíssimo. Nota 4,5/5.
Ontem foi a cerimônia de posse de nosso novo(velho) presidente. Lula chega ao poder pela terceira vez e – tenho a certeza – continuará no poder enquanto quiser/puder. O homem perdeu 3 eleições na sequência, mas depois que ganhou a primeira, nunca mais perdeu. Porém, espero sinceramente que este seja o seu terceiro e último mandato como presidente da república. Já havia dito que ele não tem nada a ganhar e tudo a perder com esse retorno. Mas já que decidiu retornar, que possa redirecionar o país no caminho correto, reunificar a população em torno de um Brasil em comum e possa após os 4 anos de seu mandato seguir seu caminho para uma merecida aposentadoria.
Cerimônia de posse presidencial – Linda, plural e inclusiva. Um acerto gigantesco.
Antes de falar de seu mandato, entretanto, gostaria de falar um pouco a respeito da tarde/noite de ontem. Das sensações e percepções acerca da posse de um presidente de verdade após os últimos 6 anos de caos institucional. Sei que pessoas mais preparadas e capazes já publicaram colunas a respeito de ontem, fazendo análises aprofundadas da conjuntura atual e do que há por vir, e meu texto, não tem qualquer dessas pretensões, mas gostaria, humildemente, de compartilhar um pouco de minhas sensações ao acompanhar – somente pela TV, infelizmente – a cerimônia da posse.
A primeira percepção era a sensação de tensão explicita que envolvia a todos – quem acompanhava pela TV, os jornalistas que faziam a cobertura do evento e até mesmo dos participantes – devido ao receio de um eventual atentado terrorista, fruto da insanidade dos apoiados extremistas do ex-presidente. Havia uma dúvida no ar desde o início: irão tentar algo? A segurança foi bem planejada? Haverá algum traidor na equipe de segurança que vai facilitar algum atentado, a exemplo do que houve no Capitólio dos EUA?
A segunda percepção era a de que, apesar dessa tensão, havia uma felicidade incontida no timbre de voz de todos os jornalistas que cobriam o evento, de todas as emissoras. Ainda que não pudessem expressar abertamente a felicidade com o término do mandato anterior, e o início de novo mandato de Lula – na grande mídia brasileira, expressar simpatia por um governo de centro-esquerda é visto como insubordinação passível de demissão – era óbvio que todos apresentavam um maior ou menor grau de felicidade e alivio pelo país estar encerrando o ciclo nefasto e sombrio resultado do estilo e ações do último governo.
Mesmo assim, a cerimônia de posse foi linda – ainda que menos catártica que em 2003, quando as pessoas invadiram os espelhos d’agua, se jogaram em cima de Lula, em um clima de celebração nunca visto. Este ano isso não seria possível, devido ao forte esquema de segurança. Ainda assim foi tudo lindo, desde a ousadia em desfilar em carro aberto, apesar de todas as ameaças; o tempo firme mesmo com toda a previsão de chuvas; a alegria e emoção no rosto de todos – até mesmo do vice-presidente, conhecido por não ser muito afeito a emoções – além é claro da presença maciça do povo brasileiro, que afluiu em grande número ao planalto central, apesar das ameaças de violência dos extremistas que ainda insistem em não aceitar a derrota nas urnas.
O momento ápice, claro, foi a cerimônia de subida à rampa do planalto e entrega da faixa presidencial – pela terceira vez – a Lula. Após semanas de especulações e debates, a opção escolhida de um pequeno grupo representativo de toda a pluralidade da população brasileira passar a faixa ao presidente foi linda e emocionante. O ex-presidente, ao se rebelar e fugir do país para não repassar o poder ao seu principal rival, sem querer, presenteou o Brasil com a mais bela cerimônia de posse da história. E convenhamos, as imagens foram muito mais emocionantes e belas sem a cara feia e carrancuda do ex-presidente presente. Minha opinião particular era de que poderiam ter incluído a presidente Dilma nessa passagem de faixa, simbolicamente representando que, após o golpe que a tirou do poder, ela retornava para entregar a faixa ao povo e esse ao seu eleito para governar. Mas, mesmo sem essa parte, a cerimônia foi linda e simbólica, passando uma imagem claríssima de que, após anos de um governo excludente, beligerante e avesso às minorias, o novo governo irá acolher e governar para todos, até mesmo para os que insistem em recusar a derrota e ofender o presidente.
Os desafios à frente do novo governo Lula, após 6 anos de governos nocivos ao povo e entreguistas ao extremo, servindo somente ao poder econômico e não ao país são enormes – talvez até maiores que os que enfrentou em 2003 ao chegar ao poder pela primeira vez – mas se o dito popular de que a primeira imagem é a que fica, o novo governo acertou em cheio e nos permite ter esperanças de que há mesmo uma luz ao final deste túnel sombrio que estivemos atravessando. Não será fácil, é claro, mas com muito esforço, trabalho e união, é possível reconstruir e voltar a sentir orgulho desse nosso tão sofrido e maltratado país. Vamos à luta.
No último final de semana, enquanto as redes sociais se fervilhavam de postagens celebrando o Natal e as festas de final de ano, uma publicação me chamou a atenção. Estava eu rolando aquele “Explorar” do Instagram, gastando meu tempo olhando inúmeras postagens sugeridas para mim, sendo, porém 90% sem qualquer relevância, quando me deparo com uma publicação que destacava em letras garrafais que “Bolsonaro cumpriu somente 15% das promessas de campanha”, e alardeando como o governo dos últimos 4 anos foi um fracasso por não conseguir atender às expectativas criadas por seus eleitores.
Tal postagem me fez lembrar de um texto que havia pensado em escrever às vésperas das eleições para tentar reverter alguns votos de indecisos que se inclinavam para o inominável. Decidi aproveitar alguns trechos para fazer este último post de 2022 para celebrar o término destes 4 anos terríveis com este “governo” comandando a nação e ansiando para que seja a última vez que menciono este personagem nefasto que tivemos que aceitar como “presidente” nos últimos anos.
Eu entendo a tentação de querer afirmar que este “governo” foi um fracasso, especialmente entre pessoas que, como eu, repudiaram sistematicamente todas as atitudes e políticas adotadas desde 2018. Mas essa é uma afirmação muito mais emocional que racional. É o nosso desejo de expressar em palavras o quão ruim foi este período. Mas racionalmente falando, ao observar com distanciamento emocional os 4 anos de “governo” Bolsonaro, facilmente podemos afirmar que foi um governo de sucesso como poucas vezes visto na história do nosso país.
Assusta um pouco essa afirmação, não é mesmo? Porém o sucesso é determinado com base nos objetivos que se queria atingir ao iniciar um projeto, portanto, ao analisar os anos Bolsonaro, é claro perceber que foi um governo de fenomenal e avassalador sucesso para atingir os objetivos a que se propunha, como poucos conseguiram na história do país.
Não sejamos ingênuos. Nunca foi objetivo de Bolsonaro e seus apoiadores um projeto de pais que trouxesse crescimento e desenvolvimento à nação. Estava muito claro desde sempre que o objetivo era entregar o país aos desejos de quem financiava o seu projeto de poder. Nunca houve interesse em fomentar um projeto de governo para trazer ganho e crescimento à nação e aos seus cidadãos. Daí o desejo de comprar ferrenhamente brigas em searas ideológicas e subjetivas (como todas as temáticas ligadas à religião) e o pouco ou nenhum interesse em tratar com projetos viáveis de assuntos sérios e críticos à população, tais como saúde, educação, segurança pública, transportes e mobilidade urbana. Desde sempre Bolsonaro quis ser presidente somente para consolidar seu projeto de poder, tão limitado e obtuso que acreditava que um presidente teria poderes ilimitados, tal qual um ditador autocrata. O Estado Brasileiro e a máquina pública foram utilizados única e exclusivamente para tentar sujeitar todos à sua visão distorcida e odiosa do mundo, distorcendo narrativas e negando verdades palpáveis e históricas, a fim de perpetuar preconceitos e privilégios, gerar ainda mais divisão e justificar o uso indiscriminado da violência para eliminar quem se opunha a esta visão.
A escolha de um ‘outsider’ da política lá em 2018 condenou o brasil há anos de trevas, como os que vivemos e ainda serão os que virão pela frente, para tentarmos resgatar tudo aquilo que foi destruído ou se perdeu por negligência e incompetência. Por isso é impossível considerar esse “governo” como um fracasso. Ele se propôs ferrenhamente a entregar exatamente aquilo que se esperava dele: destruir, destruir, destruir. Não há um único indicador deste governo que seja positivo, não há um único aspecto relevante à qualidade de vida da população e da consolidação do bem-estar de um país que esteja melhor hoje do que estava em 2018: a educação piorou, a saúde está em frangalhos, a preservação do meio ambiente foi abandonada e passou a se estimular a devastação, a economia naufraga a olhos vistos, mesmo com o “posto Ipiranga” prometendo crescimento há 4 anos. Incentivos à melhoria do transporte público e mobilidade urbana? O assunto nunca foi sequer mencionado. Inflação a níveis de 30 anos atrás. Povo sem poder de compra algum. A população está visivelmente mais ansiosa, mais cansada, mais pessimista, mais triste.
Apesar de todo esse legado nefasto, o atual “governo” entra em sua última semana tendo estado a 2% de ter sido reeleito. Mesmo tendo sido o mais incapaz e incompetente de todas as pessoas a ter ocupado a cadeira da presidência da república, Bolsonaro conseguiu convencer cerca de 30% das pessoas do país de que ele é um semideus imaculado incapaz de fazer algo errado e que deve ser seguido religiosa e cegamente. Apesar de ter se vendido como o paladino da “antipolítica tradicional”, se sujeitou aos jogos de interesses políticos de uma forma nunca vista, chafurdando na lama do toma-lá-dá-cá político na forma do tal “orçamento secreto” – também conhecido como corrupção institucionalizada.
Foi um presidente que se vendeu como o defensor da vida aos fundamentalistas religiosos cristãos – não se enganem, fundamentalismo religioso não é exclusividade das religiões orientais. Porém ao se deparar com o maior desafio sanitário dos últimos 100 anos, ao invés de defender a vida, ele optou por banalizá-la. Diante da morte de quase 1 milhão de pessoas (sabemos que as mortes por covid foram em número muito maior que as 700 mil “oficiais”) durante a pandemia, ele optou por dar risada e debochar do sofrimento alheio. E mesmo assim, 45% dos brasileiros acharam que seria viável mantê-lo por mais 4 anos governando o país. Nunca tivemos um governo comprovadamente tão ruim em nosso país e mesmo assim uma parcela significativa da população conscientemente optou por lhe oferecer a possibilidade de se manter no poder, indiferentes à própria dor e sofrimento, acreditando estarem combatendo fantasmas inexistentes evocados pelo presidente para assombrar e assustar a parcela mais ingênua da população. Se isso não é indicativo de um sucesso assombroso, não sei o que mais pode ser.
Isso também demonstra que sucesso não é sinônimo de algo necessariamente bom. Pelo contrário, pode ser algo nefasto e causar inequívoco sofrimento. Mas isso pode ser assunto para outro momento. Por anos acreditei que o atual “governo” passaria à história como o maior fracasso da república brasileira, porém mudei de ideia: este governo é um sucesso. Atingiu (quase) todos os seus objetivos. Faltou somente um: o de se perpetuar no poder. Sorte do Brasil. Nenhum de seus objetivos visava o bem do país e este último era o golpe final para a derrocada da nação. Passou raspando, mas nos livramos desse futuro terrível.
Não se engane: apesar do título extremamente sensacionalista, este é um bom livro. Bem escrito, com bom referencial bibliográfico e o melhor de tudo: imparcial. Como trata de política, os autores tiveram uma preocupação muito grande e latente de serem o mais imparcial possível, cuidado especialmente importante neste momento nefasto da história brasileira que vivemos, cheio de “nós e eles” cheio de ódios.
“Você foi Enganado”: apesar do título sensacionalista, uma excelente leitura.
O pior do livro realmente é o título, muito sensacionalista para o meu gosto, mas entendo o apelo de chamar a atenção logo de cara, tanto do militante esquerdista quanto do extremista de direita, e todos as demais vertentes que habitam este espectro. Relevando-se o título, o livro aborda de forma ilustrativa e direta mais de 40 anos da história política brasileira, começando nos primeiros anos da década de 80 até o limiar das últimas eleições presidenciais em 2018, passando, portanto, pelo final da ditadura militar, o movimento pelas “Diretas Já”, a luta incessante contra a inflação na chamada “década perdida” até a redemocratização e as primeiras eleições presidenciais diretas após mais de 25 anos.
Segue passando pelo impeachment de Collor, o plano Real, os governos FHC, a chegada da esquerda ao poder até a sua derrocada em 2016 e o governo neoliberal que sucedeu. Por finalizar sua pesquisa neste momento, o livro não teve a oportunidade de falar sobre a guinada ao extremismo neofascista que vivemos atualmente que teria amplo material para uma obra que fala de mentiras contadas pelos governantes do país.
O livro me surpreendeu positivamente pela forma como tratou estas mentiras, sem escolha de favoritismos, independentemente da orientação do governo retratado, e olha que passaram por presidentes de diversas orientações e perfis, dedicando um capitulo a cada um deles, focando especialmente no tema que consideraram mais importante de tratar sobre aquele governo. Aqui talvez seja o momento de maior parcialidade dos autores, ao definir quais as “mentiras” iriam focar a respeito de cada presidente da república; mas ainda assim entendo que as escolhas foram feitas muito mais por uma necessidade de definir o objeto da pesquisa para delimitação do tema que algum interesse pessoal escondido por detrás. A meu ver, o trabalho foi bem feito.
Dessa forma, o livro traz capítulos sobre o general Figueiredo, sobre o presidente eleito indiretamente – e jamais empossado – Tancredo Neves, seu vice José Sarney, que foi quem assumiu de fato o poder e governou até 1990. Trazem um capítulo sobre Collor, e posteriormente sobre seu vice, Itamar Franco e a criação do plano Real. Tem outro capítulo dedicado aos governos FHC, Lula e Dilma, chegando até ao seu vice/traidor Michel Temer que assume o poder após o golpe que tirou a primeira mulher eleita presidente de nosso país. Reparem que em pouco mais de 30 anos tivemos 3 vice presidentes alçados ao poder no Brasil. Afinal de contas, não parece ser um cargo tão figurativo quanto vendem por aí… ao menos no Brasil.
Concluindo, o livro foi uma agradável surpresa me entregando mais do que esperava, e por este motivo eu recomendo a todos a leitura, sempre, porém com o viés critico de entender que, ainda que a temática do livro sejam as mentiras presidenciais, elas precisam ser contextualizadas para serem entendidas integralmente, não somente como um exercício de ódio à política. Nota 4/5.
Encontrei este livro por acaso na internet, quando navegava em busca de novos ebooks para alimentar meu desejo incessante por novas histórias. Logo de cara me chamou atenção, principalmente por gostar de história política e o JFK ser um personagem tão mencionado na cultura pop nos últimos 60 anos e alvo de tantas teorias conspiratórias e discussões reais que me fisgou imediatamente.
Mais do que um relato de somente os últimos dias do presidente americano antes do atentado que custou a sua vida em Dallas no fatídico novembro de 63, o livro retrata de uma forma direta e objetiva a maior parte de sua vida pública, e como chegou ao cargo político mais cobiçado do século XX. O autor faz um relato da ascensão de Kennedy e sua chegada à Casa Branca, algumas das alianças e parcerias que firmou ao longo dos anos com personagens igualmente famosos e que podem ou não ter influenciado de forma mais impactante sua postura como presidente.
Algumas trivialidades chamam bastante atenção, como a questão sobre a vida sexual de Kennedy, ou suas amizades com o mundo artístico e musical, no qual me chamou a atenção especialmente a ligação com Frank Sinatra e os vínculos que este possuía com a máfia da época.
Mas, indiscutivelmente, o motivo maior por ter me interessado pelo livro e ter desfrutado imensamente da leitura foi o fato de que o governo de JFK se situa exatamente durante o momento mais dramático e significativo da Guerra Fria e do século XX de modo geral. Outros podem citar momentos que considerem mais relevantes, mas para mim a ebulição social e o acirramento da tensão entre URSS e EUA no começo dos anos 60 e a chegada de um presidente jovem e civil ao poder da nação com o maior arsenal nuclear da época logo após um antigo general da Segunda Guerra Mundial, com toda a questão da revolução cubana ainda ressoando em todo mundo a partir da ilha caribenha, a somente alguns quilômetros da costa da Florida, além do surgimento dos distúrbios internos decorrentes do crescimento dos movimentos pelos direitos civis e luta pela igualdade racial nos EUA tornam, ao menos para mim, um relato interessantíssimo de como a situação era encarada à época.
Tenho um interesse perene por história e geografia, e a geopolítica da década de 60 é um assunto simplesmente delicioso de se observar pelos mais diversos olhares. Invasão da Baía dos Porcos fracassada, pressão dos militares por um conflito direto em Cuba, crise dos misseis e novo episódio dos milicos sedentos por sangue precisando ser controlados, tudo isso foi muito bem permeado com questões familiares triviais, como a postura da primeira dama (e também uma celebridade para a população americana) Jackie Kennedy, a relação do presidente com a esposa e a família e o drama da gestação durante o mandato e a perda gestacional pouco depois. Tudo isso possibilitou uma humanização do presidente como nunca houve antes, tornando-se histórico. Nenhum outro político americano é tão lembrado e citado quanto JFK. Nem Lincoln possui tamanho alcance e apelo.
As teorias conspiratórias a respeito de sua morte(das quais possuo algumas opiniões que podem valer um novo texto posteriormente), a questão geopolítica da Guerra Fria, o embrião dos direitos civis em seu governo, o discurso e a promessa que foram a base para a corrida espacial que culminaria com Neil Armstrong colocando os pés em solo lunar ao final da década, tudo isso é um conjunto irresistível. O livro é escrito de forma didática, interessante e casual, sem parecer uma biografia de fato, tampouco um romance barato sobre a vida de celebridades. É um relato poderoso de um personagem peculiar e carismático vivendo um dos períodos mais turbulentos do século XX. Muito interessante, especialmente a quem gosta de geopolítica e história. Recomendado. Nota 4/5