O sucesso do governo Bolsonaro

No último final de semana, enquanto as redes sociais se fervilhavam de postagens celebrando o Natal e as festas de final de ano, uma publicação me chamou a atenção. Estava eu rolando aquele “Explorar” do Instagram, gastando meu tempo olhando inúmeras postagens sugeridas para mim, sendo, porém 90% sem qualquer relevância, quando me deparo com uma publicação que destacava em letras garrafais que “Bolsonaro cumpriu somente 15% das promessas de campanha”, e alardeando como o governo dos últimos 4 anos foi um fracasso por não conseguir atender às expectativas criadas por seus eleitores.

Tal postagem me fez lembrar de um texto que havia pensado em escrever às vésperas das eleições para tentar reverter alguns votos de indecisos que se inclinavam para o inominável. Decidi aproveitar alguns trechos para fazer este último post de 2022 para celebrar o término destes 4 anos terríveis com este “governo” comandando a nação e ansiando para que seja a última vez que menciono este personagem nefasto que tivemos que aceitar como “presidente” nos últimos anos.

Eu entendo a tentação de querer afirmar que este “governo” foi um fracasso, especialmente entre pessoas que, como eu, repudiaram sistematicamente todas as atitudes e políticas adotadas desde 2018. Mas essa é uma afirmação muito mais emocional que racional. É o nosso desejo de expressar em palavras o quão ruim foi este período. Mas racionalmente falando, ao observar com distanciamento emocional os 4 anos de “governo” Bolsonaro, facilmente podemos afirmar que foi um governo de sucesso como poucas vezes visto na história do nosso país.

Assusta um pouco essa afirmação, não é mesmo? Porém o sucesso é determinado com base nos objetivos que se queria atingir ao iniciar um projeto, portanto, ao analisar os anos Bolsonaro, é claro perceber que foi um governo de fenomenal e avassalador sucesso para atingir os objetivos a que se propunha, como poucos conseguiram na história do país.

Não sejamos ingênuos. Nunca foi objetivo de Bolsonaro e seus apoiadores um projeto de pais que trouxesse crescimento e desenvolvimento à nação. Estava muito claro desde sempre que o objetivo era entregar o país aos desejos de quem financiava o seu projeto de poder. Nunca houve interesse em fomentar um projeto de governo para trazer ganho e crescimento à nação e aos seus cidadãos. Daí o desejo de comprar ferrenhamente brigas em searas ideológicas e subjetivas (como todas as temáticas ligadas à religião) e o pouco ou nenhum interesse em tratar com projetos viáveis de assuntos sérios e críticos à população, tais como saúde, educação, segurança pública, transportes e mobilidade urbana. Desde sempre Bolsonaro quis ser presidente somente para consolidar seu projeto de poder, tão limitado e obtuso que acreditava que um presidente teria poderes ilimitados, tal qual um ditador autocrata. O Estado Brasileiro e a máquina pública foram utilizados única e exclusivamente para tentar sujeitar todos à sua visão distorcida e odiosa do mundo, distorcendo narrativas e negando verdades palpáveis e históricas, a fim de perpetuar preconceitos e privilégios, gerar ainda mais divisão e justificar o uso indiscriminado da violência para eliminar quem se opunha a esta visão.

A escolha de um ‘outsider’ da política lá em 2018 condenou o brasil há anos de trevas, como os que vivemos e ainda serão os que virão pela frente, para tentarmos resgatar tudo aquilo que foi destruído ou se perdeu por negligência e incompetência. Por isso é impossível considerar esse “governo” como um fracasso. Ele se propôs ferrenhamente a entregar exatamente aquilo que se esperava dele: destruir, destruir, destruir. Não há um único indicador deste governo que seja positivo, não há um único aspecto relevante à qualidade de vida da população e da consolidação do bem-estar de um país que esteja melhor hoje do que estava em 2018: a educação piorou, a saúde está em frangalhos, a preservação do meio ambiente foi abandonada e passou a se estimular a devastação, a economia naufraga a olhos vistos, mesmo com o “posto Ipiranga” prometendo crescimento há 4 anos. Incentivos à melhoria do transporte público e mobilidade urbana? O assunto nunca foi sequer mencionado. Inflação a níveis de 30 anos atrás. Povo sem poder de compra algum. A população está visivelmente mais ansiosa, mais cansada, mais pessimista, mais triste.

Apesar de todo esse legado nefasto, o atual “governo” entra em sua última semana tendo estado a 2% de ter sido reeleito. Mesmo tendo sido o mais incapaz e incompetente de todas as pessoas a ter ocupado a cadeira da presidência da república, Bolsonaro conseguiu convencer cerca de 30% das pessoas do país de que ele é um semideus imaculado incapaz de fazer algo errado e que deve ser seguido religiosa e cegamente. Apesar de ter se vendido como o paladino da “antipolítica tradicional”, se sujeitou aos jogos de interesses políticos de uma forma nunca vista, chafurdando na lama do toma-lá-dá-cá político na forma do tal “orçamento secreto” – também conhecido como corrupção institucionalizada.

Foi um presidente que se vendeu como o defensor da vida aos fundamentalistas religiosos cristãos – não se enganem, fundamentalismo religioso não é exclusividade das religiões orientais. Porém ao se deparar com o maior desafio sanitário dos últimos 100 anos, ao invés de defender a vida, ele optou por banalizá-la. Diante da morte de quase 1 milhão de pessoas (sabemos que as mortes por covid foram em número muito maior que as 700 mil “oficiais”) durante a pandemia, ele optou por dar risada e debochar do sofrimento alheio. E mesmo assim, 45% dos brasileiros acharam que seria viável mantê-lo por mais 4 anos governando o país. Nunca tivemos um governo comprovadamente tão ruim em nosso país e mesmo assim uma parcela significativa da população conscientemente optou por lhe oferecer a possibilidade de se manter no poder, indiferentes à própria dor e sofrimento, acreditando estarem combatendo fantasmas inexistentes evocados pelo presidente para assombrar e assustar a parcela mais ingênua da população. Se isso não é indicativo de um sucesso assombroso, não sei o que mais pode ser.

Isso também demonstra que sucesso não é sinônimo de algo necessariamente bom. Pelo contrário, pode ser algo nefasto e causar inequívoco sofrimento. Mas isso pode ser assunto para outro momento. Por anos acreditei que o atual “governo” passaria à história como o maior fracasso da república brasileira, porém mudei de ideia: este governo é um sucesso. Atingiu (quase) todos os seus objetivos. Faltou somente um: o de se perpetuar no poder. Sorte do Brasil. Nenhum de seus objetivos visava o bem do país e este último era o golpe final para a derrocada da nação. Passou raspando, mas nos livramos desse futuro terrível.

A hora da esperança

Na última segunda feira, fiz uma postagem a respeito do resultado das eleições gerais do Brasil em 2022. No texto, repleto de tristeza e desânimo, comentei que mais do que o resultado das eleições, perdemos enquanto sociedade que desperdiçou mais uma chance de ser um pouco melhor, de avançar um pouco mais.

Não vou negar, fiquei muito decepcionado com o resultado; foi muito triste atestar que uma grande parte da população, mesmo tendo sofrido perdas pessoais e materiais enormes nos últimos 4 anos, continua apoiando este terrível projeto de poder neofascista excludente e preconceituoso representado pelo atual ocupante da cadeira de presidente da república. Minha frustração maior foi constatar que, para além dessa figura repugnante, boa parte de seus apoiadores que se lançaram em candidaturas próprias obtiveram bons resultados. Certamente acreditei que após tanta tristeza, esse movimento perderia forças.

Assumo a minha ingenuidade. Apesar de sempre fazer uma análise crítica do perfil sociocultural do brasileiro, ainda relutava em aceitar que o brasileiro poderia ser assim tão conservador, preconceituoso e misógino como se apresentavam estes candidatos. Mas a realidade é que somos verdadeiramente assim mesmo, o Brasil é um país com os dois pés fincados na tradição e ainda que tenhamos bolhas de progressismo e liberdade em alguns locais (quase sempre nos maiores centros urbanos); na maior parte do país, especialmente no interior, o tradicionalismo é quase lei, estimulado pela herança religiosa sistematicamente. Seja na tradição católica que ainda possui muito espaço, especialmente nas pequenas cidades e no campo, ou com o crescimento do número de evangélicos no país, com destaque para as representações neopentecostais pouco sérias que possuem explícita e quase que exclusivamente um projeto de tomada de poder no país, antes mesmo de um objetivo de propagação da fé cristã.

É esse retrato de Brasil que emergiu das urnas no último domingo. Talvez por estar esperando um resultado alinhado à minha visão de mundo e dos fatos nos últimos anos, eu tenha ficado um pouco assustado com o que apareceu. Mas a realidade que vejo agora, passadas 48 horas e com a cabeça mais fria, é que este resultado era esperado. O congresso nacional foi e continuará sendo a partir da próxima legislatura o mesmo espaço de sempre: branco, elitista, latifundiário e conservador. Com raríssimas exceções pretas, pobres e progressistas que demonstram a pluralidade do povo brasileiro, que ainda permite a eleição de pessoas fora dos centros de poder contra todas as expectativas.

Tenho uma teoria de que o baque que sentimos é porque hoje temos muito mais acesso à informação e podemos acompanhar em tempo real o desempenho do congresso, coisa que não era possível há alguns anos. Com a massificação da internet e das redes sociais, temos na palma da mão amostras diárias dos posicionamentos de todos os congressistas, bem como todas as articulações que são feitas ali. É como um grande reality show bizarro que acompanhamos e podemos a cada 4 anos escolher os participantes da brincadeira. Dessa forma pudemos perceber o quão baixo é o nível intelectual e moral dos ocupantes da “casa do povo” e tendemos a acreditar que a cada legislatura o congresso eleito é o pior da história. Acredito que a diferença é que anteriormente não tínhamos esse acesso à informação para perceber que historicamente, sempre foi assim e o nível do congresso sempre foi deplorável.

Fiz todo esse permeio para concluir que o meu estado de desânimo pós domingo de esvaneceu. O resultado era esperado e foi apenas reflexo de todas as nossas mazelas enquanto sociedade. Temos muito para avançar e muito pelo qual continuar lutando para que o futuro possa ser um pouquinho melhor. E mais do que isso: acompanhando um pouco da reação da seita bolsonarista ao resultado das eleições, todos ficaram chocados e verdadeiramente sentidos com a vitória do Lula na eleição presidencial, resvalando na possibilidade de fechar já no primeiro turno, apesar de todas as pesquisas indicarem esta possibilidade como real.

O descolamento da realidade vivido por esse pessoal é tão grande que uma parte gigante deles acreditava verdadeiramente que o excremento da república iria vencer a eleição no primeiro turno e sentiram muito o golpe. São tão fascistas e adoradores da figura do lider infalível que não conseguem olhar para a realidade como um todo, e se interessam somente pelo resultado que afeta o seu lider. E justamente esse resultado foi o mais negativo que tiveram. Os 5 pontos percentuais que o capiroto ficou atrás de Lula, representando cerca de 6 milhões de votos os deixaram chocados e transtornados, pois finalmente perceberam que a possibilidade de perderem a eleição é muito real. E isso já se traduziu em um crescimento massivo no disparo de notícias falsas e insultos a Lula.

Por isso, a nós progressistas que estamos do lado certo da história (a quem ainda duvida disso, o tempo irá confirmar) cabe redobrar os esforços e colocar ainda mais energia na eleição de Lula presidente, para deixar os bolsominions transtornados e sem chão. O congresso é retrogrado? Azar. Lula já enfrentou algo assim no passado e se saiu muito bem. O congresso vai dificultar a vida e os projetos de governo de Lula? Pode ser, mas ao mesmo tempo, Lula, como chefe do executivo, poderá vetar todos os absurdos que o congresso insistir em seguir adiante. Os próximos anos poderão ser um grande cabo-de-guerra do poder? É possível, por isso é ainda mais importante garantir que teremos um lado com muita força para travar essa batalha contra o obscurantismo e conservadorismo do outro lado.

O congresso está eleito, os cargos estão todos definidos e para nós, o foco agora é total na eleição de Lula Presidente. É hora de lutar contra cada peça de desinformação que for lançada. É hora que conversar com os mais humildes para ajudá-los a entender a importância de votar em quem olha para os mais pobres. É hora que conversar as pessoas religiosas que estão verdadeiramente com medo de uma “ameaça comunista” que está chegando desde 1945 e nunca se materializa de fato. Concluindo, é hora de lutar contra a mentira usando a verdade.

É hora de ser aberto, inclusivo, construir pontes com os mais humildes, incluí-los no centro da discussão, quebrar resistências, desmentir absurdos. É hora de força total. Sentimos o baque no primeiro turno. Vamos sacudir a poeira, respirar fundo e continuar a lutar pois a nossa vitória será muito maior e muito mais gratificante. O bolsonarismo é fruto do ódio e da violência, por isso sentiram e sentirão ainda mais o golpe após a derrota final, pois ela virá do amor e da alegria, da esperança em um futuro melhor, apesar de tudo. Como bem disse Zeca Baleiro em sua canção “nossa vingança vai ser de doer, porque seremos felizes como eles não podem ser”, pois quem ressoa no ódio e na carnificina não consegue experimentar verdadeiramente a alegria.

Seguimos na luta, são mais 25 dias de batalha pelo nosso futuro, para que possamos dar um passo mais próximo do destino que queremos seguir, do país que queremos construir e do futuro que queremos preparar para as próximas gerações. Para que possamos sonhar que podemos ser grandes, que podemos ser felizes e que podemos ser verdadeiramente um país inclusivo e justo para todos. Para que possamos verdadeiramente ser a imagem de acolhedores, alegres e sociáveis que tanto tentamos divulgar para o mundo. Podemos ser melhores, podemos ser mais felizes, basta querermos.

Batemos na trave, gente! Mesmo após 10 anos de insultos e perseguição diária da mídia e do gabinete do ódio, contra a máquina estatal usada para fins eleitoreiros, Lula conseguiu a maior votação que um candidato já conseguiu para presidente da república na história do Brasil. Faltou 1,5% para ser eleito no primeiro turno. Sendo massacrado diariamente por todos os lados, ainda assim quase deu pra fechar no domingo. É seguir na pegada. É hora de ter esperança. É hora de acreditar que podemos ser felizes. Que temos direito a um país onde tenhamos paz, respeito, liberdade e inclusão. Podemos e merecemos acreditar que o Brasil pode ser melhor do que somente ódio, ofensas e armas. Merecemos sorrir, brincar e se alegrar! Falta pouco! É só querer, converse com todos, vamos construir uma grande onda de alegria e esperança, é isso que o Brasil precisa após tantos anos de trevas e luto! O amanhã há de ser melhor! Seguimos lutando!!

Infelizmente, perdemos.

Sei que várias pessoas poderão me censurar ou me condenar por estar sendo muito pessimista em um momento já crítico ou estar desistindo antes da hora, mas a única palavra que me vem à mente ao tentar traduzir a sensação de vazio na boca do estomago ao acordar hoje, na primeira manhã pós resultado das eleições de ontem, é essa: perdemos!

Triste país – imagem autor desconhecido (para créditos, entrar em contato)

E o uso do pronome “nós” aqui é utilizado não somente para se referir a nós, militantes progressistas situados mais à esquerda no espectro político. O nós aqui é utilizado para se referir a todos NÓS, cidadãos brasileiros que, após passar anos nos deslocando a pé por um campo minado, debaixo de chuva contra inimigos muito mais bem equipados e sem qualquer clemência, chegamos à beira de um precipício e ao invés de usarmos a ponte que nos ofereceram para chegarmos em segurança ao outro lado, optamos por tentar pular o precipício acreditando que de alguma forma conseguiremos alcançar o outro lado do desfiladeiro.

Está além da minha capacidade lógica e racional entender o que acontece com o Brasil e o brasileiro nos últimos anos. O resultado das eleições de ontem mostram um povo perdido que procura a salvação nas mãos de seus carrascos, como animais que seguem com docilidade o caminho indicado por seus algozes ao matadouro. E aqui não me refiro exclusivamente à expressiva votação da pústula necrosada que temos o desprazer de chamar de “presidente”, mas sim ao cenário geral no qual praticamente todos os representantes desse mal pulsante chamado “bolsonarismo” tiveram expressiva votação para os mais diversos cargos.

É desesperadamente assustador pensar que um resultado desses pôde acontecer após estes 4 anos que vivemos. Este governo foi, com sobras, o mais desconectado dos anseios e necessidades da grande massa populacional do nosso país e o mais focado em governar visando única e exclusivamente os objetivos próprios. Foi um governo inteiramente voltado para atender aos caprichos do presidente e entregar o país aos desejos dos financiadores de sua campanha, utilizando a máquina estatal para dobrar o Brasil à suas vontades, não importando o quão inconstitucional eram suas atitudes.

E mesmo assim, conseguiu obter uma votação ainda mais expressiva que em 2018. Não importaram as mortes por descaso na pandemia. Não importaram as mortes na miséria causadas pela fome. Não importaram as mortes causadas pela escalada da violência com o armamento massivo de pessoas incapazes de operarem funcionalmente um garfo e faca à mesa. Não importaram as mortes causadas pelo avanço do desmatamento em nossas florestas. Não importaram quaisquer mortes causadas por esse governo, direta ou indiretamente. Pior, todos os cúmplices do “presidente” nessa carnificina – sejam por ação direta ou por conivência – que se lançaram candidatos a algum cargo nestas eleições foram eleitos com margem considerável, validando e relativizando os absurdos diários que vivenciamos nestes últimos anos.

Duas frases que vi ontem nas redes sociais resumem muito bem o desamparo e o desespero que estamos experimentando hoje: “o pior congresso da história será substituído pelo pior congresso da história”, provando que o fundo do poço pode não ter fim quando se há disposição de muitos para continuar cavando; e “agora é mais desanimador que em 2018, uma vez que as pessoas puderam experimentar o horror e metade delas quer continuar nele”, mostrando o inexplicável desejo do brasileiro em proporcionar meios para o próprio sofrimento.

Então, me desculpem as pessoas que querem se manter otimistas: admiro vocês, a resiliência e a capacidade em se manterem positivos e animados diante deste cenário aterrador. Até concordo com vocês, ainda há muito o que fazer e devemos continuar lutando para eleger Lula presidente. Acredito até que devemos fazer isso com ainda mais afinco, pois no final de contas esta é a única tábua de salvação que nos restou, a única boia que poderá nos manter à superfície em um mar revolto e repleto de tubarões. Mas a realidade crua e nua é que serão anos ainda mais difíceis pela frente, pois mesmo que Lula vença (e estarei 100% focado em lutar por este objetivo) a realidade é que será muito difícil para ele conseguir governar da forma positiva e progressista que gostaríamos, pois terá que lutar contra um congresso assustadoramente conservador e uma população que valida os seus absurdos. É uma tênue luz que pode nos guiar em um corredor longo e angustiante que nunca foi tão sombrio.

Lamento muito soar tão desanimado, mas depois de ontem, infelizmente a sensação é que mesmo que possamos vencer a última eleição que resta, na verdade já perdemos. Perdemos enquanto nação, enquanto sociedade que optou por validar a violência, a misoginia, o racismo, a vulgaridade, o desprezo pela vida humana, a falta de educação e o desprezo pela ciência e a defesa do meio ambiente. Por mais triste que seja assumir isso, a verdade é que, independentemente do resultado em 30 de outubro, nós já perdemos. Sairemos deste processo ainda pior que entramos.