Resenhando

Guerra dos Tronos – Livro 1: Bom, “pero no mucho”.

Vou iniciar uma nova seção aqui no blog. Estou sempre lendo um livro, foi um hábito adquirido ao longo dos anos que mantenho com muito prazer. De uns tempos para cá, estou participando dos desafios Skoob lá na plataforma, e um dos desafios é o de sempre fazer a resenha de um livro lido. Vou começar a trazer aqui no blog também uma resenha dos livros que leio, quem sabe posso estimular alguém a ler novos livros, não é mesmo? Será uma seção fixa, e sempre que finalizar uma leitura, vou trazer a minha percepção aqui para que possamos falar sobre o delicioso hábito da leitura. Pois bem, vamos lá ao que realmente interessa:

Decepcionante. Esta é a palavra que melhor define o meu sentimento ao finalizar a leitura deste livro. Calma, não me julguem. Leiam até o final que eu explico o motivo de usar este adjetivo. Conheço a fama da saga criada pelo autor, e mais ainda, acompanhei toda a repercussão da série derivada da obra. Por isso a minha expectativa era alta com esse livro. Aliás, altíssima, pois além de todo o zum, zum, zum, tive recomendações de duas pessoas que são leitores tão ávidos quanto eu e ambos me recomendaram enfaticamente a leitura desta obra. Então cheguei já esperando um enredo arrasa-quarteirão e avassalador. Claro que quando esperamos tanto de algo, pode ser que a realidade não corresponda à nossa expectativa imaginada, mas por muitas vezes ainda é algo gratificante. Com livros isso acontece constantemente, não era tudo aquilo que eu esperava, mas ainda me rendeu uma boa leitura. E é o caso de “A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro 1”, ainda que, se fosse localizá-lo numa escala de 0 a 100, sendo 100 o indicador para ter atendido e até superado as minhas expectativas, penso que o colocaria próximo à metade da escala, talvez até um pouco abaixo.

Fiquei realmente frustrado com a leitura. O livro é um calhamaço de quase mil páginas, mas que certamente metade ou menos que isso daria conta de contar a história sem divagar tanto em descrições. O livro perde muito da ação por conta da opção do autor por descrever rica e exaustivamente cada peça de figurino e cenário de cada um dos personagens que vão aparecendo ao longo da história. Sério, não estou brincando. Em determinados momentos o autor usa 2 ou 3 páginas para descrever o modo como cavaleiro tal está vestido, com a armadura assim, o elmo assado, o manto de tal jeito com bordados de não sei o que e coisa e tal. Sei que na escrita literária, a descrição rica de personagens e cenários é essencial para o envolvimento com a história e o despertar da imaginação para o que se lê, mas acho que o autor abusou um tiquinho demais desse recurso e deixa o livro cansativo e pesado desnecessariamente.

Em contraponto, fiquei com a sensação de que os momentos de ação da história que possuem relevância direta para o fechamento do primeiro volume são contados de forma acelerada e simplista, quando poderiam ser mais bem exploradas, especialmente se considerando o tempo e energia dedicados à descrição de vestimentas. Por exemplo, (aqui solto um breve spoiler, se ainda não leu o livro e espera ler no futuro, e não gosta de saber nada antecipadamente, recomendo pular o restante deste parágrafo e seguir a leitura no parágrafo seguinte), o episódio do embate entre o Regicida e seus asseclas contra Lorde Eddard Stark, que resulta na perna quebrada e total mudança de planos deste, acontece de forma tão rápida que não entendi muito bem como se deu de fato a queda que ocasionou a lesão na perna do senhor de Winterfell. Acho que um fato tão relevante para o direcionamento da história poderia ser mais bem explorado.

Além disso, para um livro tão extenso, a sensação de que nada de realmente relevante acontece na história deixa um gostinho de “enganação” no leitor. Não enganação de fato, de se sentir traído pelo autor, mas uma enganação no sentido figurado, de se pensar que com quase mil páginas, existiriam acontecimentos mais marcantes ao longo da trama e mais perguntas respondidas ao término da leitura. Sei que o autor escreveu o livro pensando-o como parte de um enredo ainda mais extenso, quase que como somente a introdução do universo fantasioso que criou, para realmente explorar os desdobramentos ao longo dos volumes futuros, mas é possível um livro que seja parte de uma coleção maior ter mais respostas e uma história independente da trama geral (aí está o universo Harry Potter e seus sete livros que não me deixam mentir).

Durante a leitura, fui observando que o universo criado pelo autor possui muitas semelhanças com o universo fantasioso de Eragon, como as intrigas antigas do reino, a história de dragões desaparecidos que retornam à vida, diversas criaturas místicas e um mundo vasto e perigoso. Posteriormente, ao pesquisar, vi que o primeiro livro da saga Game Of Thrones foi lançado em 1996 e Eragon em 2002, portanto pode ser até que o autor Christopher Paolini (de Eragon) fosse um fã do universo criado por George R.R. Martin e tenha se inspirado diretamente em sua obra para criar os cenários de sua própria história.

Mas não achem que eu detestei o livro. Pelo contrário, achei até uma boa leitura, somente cansativa por conta do excesso de descrições como já mencionei, mas ainda assim é uma leitura que prende e desperta a atenção e provavelmente irei ler os demais volumes da saga, até para saber como o autor irá encerrar a batalha pelo trono de ferro. O recurso do autor de não haver um narrador fixo, mas vários olhares diferentes sobre os acontecimentos, contados capítulo a capítulo pelos olhos de cada personagem, nos possibilitando vários pontos de vistas sobre o que acontece em diferentes locações da história torna a leitura estimulante e compensa o ritmo lento pelo excesso de descrição dos cenários. Especialmente quando o capítulo narrado por determinado personagem começa a ficar mais envolvente e ficamos na expectativa do desenrolar da história, mas aí o capítulo se encerra, e a narrativa passa para outro personagem, que está seguindo uma linha do tempo distinta e destacando fatos que considera mais relevantes, sem porém qualquer ligação direta com o desenrolar no capítulo anterior, ficamos ansiosos para retomar o ponto anterior e com isso a leitura avança mais rápida.

Peço que me perdoem pela resenha majoritariamente negativa. Talvez ainda esteja levemente chateado por esperar muito mais da história. Possivelmente essa sensação possa melhorar ao ler as obras seguintes e o cenário geral ganhar mais corpo e profundidade. A primeira impressão pode não ter sido das melhores, mas certamente darei nova chance ao universo do autor e irei retornar aos Sete Reinos e, quem sabe, com a expectativa menor, possa vir a ser arrebatado como milhões de pessoas ao redor do mundo. Nota 2,5 de 5 considerando todos os fatores.