Reconhecendo a genialidade

Sou um grande fã de Stephen King. Gosto particularmente de suas histórias que fogem ao gênero de terror/suspense que o consagrou. Prefiro as histórias que escreve que tratam menos do sobrenatural e mais do casual e mundano, sempre com uma pegada ácida e resignada de dramaticidade. Me encanta os contos reunidos no livro “Quatro Estações”, em que o autor escreve 4 histórias mais curtas sobre temas diversos que são riquíssimas em profundidade e sensibilidade. Ainda escreverei uma resenha detalhada sobre cada um dos contos, mas por ora, basta que saibam que 2 destes contos renderam os maravilhosos filmes “Um sonho de liberdade” e “Conta Comigo”, além da história chocante e com muitos traços de contemporaneidade do conto “Aluno Inteligente”, que trata de um adolescente fascinado pelos campos de concentração nazistas da Segunda Guerra mundial.

Mas, muito mais do que isso, um dos aspectos mais fascinantes desse autor é a sua capacidade de capturar a atenção do leitor de seus livros quase que imediatamente. Comecei a ler neste final de semana um de seus mais recentes livros, “Conto de Fadas” e, com menos de 3 paginas de leitura, já havia sido completamente capturado pela narrativa. Ainda não havia ocorrido nenhum fato dramático na história que pudesse tirar o ar logo de cara, mas somente fatos triviais e introdutórios a respeito da história do narrador, mas a forma como a escrita se dá, sem excessos, mas sensível e natural, te cativa de uma maneira que você se vê impelido a continuar na leitura ansiando por saber os próximos desdobramentos. No caso deste livro em questão – um calhamaço de mais de 600 páginas – este ‘clique’ imediato com a história é essencial para garantir que o leitor irá perseverar na aventura de continuar por aquelas páginas, e isso explica claramente o fato de que o autor é um best-seller ambulante há 40 anos e um escritor incansável que lança facilmente de 3 a 4 novos romances todos anos.

Ainda não sei como irá se desdobrar a história, ou sequer se irei gostar do livro ao término da leitura, mas não é isso o importante neste momento. O que me impressiona profundamente é esta capacidade que algumas pessoas possuem de naturalmente serem excepcionais contadoras de histórias, e como isso gera uma conexão entre leitura e leitor que torna o ato de ler muito mais prazeroso e interessante. Pessoas assim devem ser reconhecidas e valorizadas como os artistas excepcionais que são. Sou um grande fã de Stephen King. Possivelmente em poucos dias já terei finalizado a leitura de “Conto de Fadas” – dada a velocidade com que a leitura tem se desenrolado – ainda que se pese o fato de eu estar começando um novo emprego e tendo um bebê recém nascido em casa.

Ainda não é hora, porém de resenhar o livro. Assim que finalizar a sua leitura, trarei as minhas impressões e opiniões a respeito, mas neste momento o desejo era somente o de exaltar as qualidades deste autor lendário e expressar a minha admiração por pessoas que possuem esse dom maravilho de contar histórias.

Resenhando (#15)

Como disse na última postagem, perdi um pouco do ritmo nas semanas pré e pós eleições, não consegui escrever muito e ler ainda menos. Mas havia finalizado algumas leituras que ainda não havia compartilhado a resenha por aqui. Como não gosto de deixar nada para trás, e no intuito de enriquecer o debate com quem se interessar por mergulhar nestas leituras que apresento, vou trazer a resenha de algumas obras que li ainda neste ano de 2022, a começar pelo livro “Operação Cavalo de Troia 3 – Saidan”. Sigamos.

Operação Cavalo de Tróia 3 – O mais cansativo da série até o momento.

Não gostei deste livro. Simples e direto. Não há muito o que falar quando a leitura não é minimamente prazerosa e infelizmente foi o caso destes “Operação Cavalo de Troia 3 – Saidan” de J.J. Benitez. O primeiro livro da extensa série foi muito marcante para mim, e me propôs reflexões muito importantes a respeito de religiosidade e espiritualidade, além de misturar temáticas de romances de suspense e thrillers interessantes, além da óbvia abordagem de ficção científica. Por isso eu me propus a ler toda a série, mesmo sabendo que seriam mais de 10 livros. A minha resolução foi levemente abalada ao ler o volume 2, que, ainda que fosse interessante, se utilizou muito dos mesmos elementos no primeiro livro, especialmente no que se referem às críticas à igreja e aos evangelhos tradicionais. Essa insistência que, no primeiro volume soava espontânea e agregando ao texto, no segundo se transformou em uma insistente critica pela crítica e no terceiro volume atingiu níveis ainda maiores, ao ponto de me deixar desconfortável.

Aos que não conhecem, acredito que não haja problema em tratar de possíveis spoilers sobre o livro – ainda mais que se tratam de volumes com mais de 20 anos de lançamento – ainda assim, quem não quiser saber maiores detalhes da trama, melhor pular esse parágrafo. O livro trata-se de uma ficção cientifica em que os personagens principais são militares do exército estadunidense que durante as pesquisas cientificas descobrem uma forma de manipular o tempo e realizar viagens entre períodos distintos da história – essencialmente, criam uma máquina do tempo – e decidem por retornar ao tempo de Jesus Cristo. Nos dois primeiros volumes são abordados a paixão e ressurreição de Cristo.  Neste terceiro livro os “exploradores” se propõem a seguir os passos dos discípulos ao retornarem à Galileia após a ressurreição de Jesus e suas milagrosas aparições em meio aos seus apóstolos.

Até aí, parece muito interessante, porém o desgastante é que o autor demora enormemente a entrar no chamado “diário do major”, cansando o leitor que espera ansiosamente partir para a Galileia do século I. O autor constrói sua narrativa como um personagem da própria história e participa ativamente do desenrolar dos fatos ao buscar a segunda parte do diário do major na Jerusalém do século XX. Porém ele demora tanto a resolver essa parte da narrativa, se detendo ao menor e mais insignificante detalhe e pensamento aleatório ocorrido, diminuindo muito a fluidez da leitura e o interesse do leitor pelo andamento da obra, tanto que quando finalmente inicia a narração dos episódios fantásticos da viagem no tempo, o leitor já está com má vontade com o livro e os menos determinados provavelmente já o deixaram de lado.

Acredito que eu ainda darei chances à série de livros, até mesmo para ver se transformo a má impressão dessa leitura, mas a realidade é que o terceiro livro é chato, pouco emocionante e descartável. Não me cativou, nota 1,5/5.