Seguindo em frente na estrada “retomando as resenhas dos livros lidos ainda em 2022”, chego ao tão esperado “Biblioteca da Meia Noite”. Desde que descobri a sinopse desse livro, ele entrou em minha lista de livros e assim que pude, o comprei para compor a minha biblioteca. É uma história com uma daquelas premissas avassaladoras e que todo mundo já se perguntou a respeito. Afinal de contas, quem nunca pensou que gostaria de voltar em algum momento importante da própria história e tomar uma decisão diferente da que tomou e ver qual seria o resultado daquilo em sua própria vida?
Essa é a dinâmica que compõe esse romance, contando a história de uma mulher por volta dos seus 30 e poucos anos, infeliz e deprimida com a própria vida, remoendo-se com a insignificância de sua existência e que fica constantemente pensando em como seria diferente a sua vida se houvesse tomado algumas decisões diferentes em momentos críticos de seu passado.
Um romance assim claramente é um prato cheio para qualquer pessoa com pouco mais de 30 anos, momento no qual a sociedade deixa de olhar com condescendência a nossa indecisão e decisões errática durantes os 20 anos e passa a julgar a pessoa que chega nessa faixa etária e ainda não tem claro “o que quer fazer da vida”. Consigo afirmar isso com propriedade pois é algo que vivencio e diversas pessoas próximas à minha faixa etária relatam sentimentos similares. É um momento da vida em que, aos olhos da sociedade julgadora e hostil, precisamos deixar de querer experimentar e viver novas experiências, conhecer novas pessoas e cenários e precisamos sedimentar o caminho que queremos, devemos ou precisamos seguir.
A sociedade não tem muita tolerância para quem não consegue ou escolher não seguir um único caminho para sua existência, e é entre os 30 e 40 anos que essa cobrança pela obrigatoriedade de se escolher um único caminho torna-se quase uma exigência, daí a dúvida de inúmeras pessoas, como eu mesmo e a personagem da história, que passam a olhar constante e sistematicamente para cada decisão de sua vida e pensando o que poderia ter feito diferente, em diversos momentos se martirizando e sofrendo por não ter tomado à época a decisão que julga melhor com a maturidade de ter vivido muita coisa após o momento crítico que exigiu uma escolha.
Para não trazer muitos spoilers sobre o livro, vou apenas mencionar que na história existe uma biblioteca na qual a personagem pode frequentar e que há um livro diferente para cada momento específico de sua própria existência, especialmente relacionado às decisões que tomou e pode escolher tirar um destes livros da prateleira da biblioteca e voltar a viver aquele momento, porém com uma decisão diferente da que tomou à época. Com essa possiblidade de escolha, se desenrolam diversos cenários pelos quais a personagem pode viver e se perceber mais ou menos feliz, ainda que não consiga ter uma percepção segura e verdadeira de que aquele caminho é realmente o que ela gostaria de fazer e que a tornaria realmente feliz e realizada.
Para as pessoas da minha geração, que atualmente estão entre 30 e 40 anos, que cresceram ouvindo sistematicamente que era preciso escolhermos e buscar um caminho único que nos faz verdadeiramente felizes, sabemos que é uma exigência que por muitas vezes nos direciona à uma busca insana, na qual se não formos bem sucedidos é porque cometemos um erro ou fomos incapazes de encontrar essa “galinha dos ovos de ouro”, que é a realização eterna. Não vou sequer mencionar todos os problemas psicológicos que podem resultar dessa cobrança imensa, sejam em depressão, ansiedade e infelicidade, mas a verdade é que crescemos, em maior ou menor escala, sendo filhos de pais que não foram essencialmente felizes profissionalmente ou até mesmo pessoalmente, mas que conseguiram ascender muito em comparação aos seus genitores, sejam financeiras ou profissionalmente. Mas que, em sua maioria relatavam que não puderam escolher ser felizes, fizeram somente o que tinham que fazer para conseguir ter uma condição de vida melhor e principalmente oferecer oportunidades melhores para que os filhos (minha geração) aí sim, pudessem ser felizes. Ainda que a felicidade nesse cenário seja, no final das contas, cumprir as expectativas que foram projetadas em nós pela geração anterior que acreditam não ter tido a oportunidade ou a permissão de ser tudo o que gostariam de ser.
O livro é um prato cheio para pensar a vida, as decisões, as experiencias que vivemos e as pessoas que cativamos ao longo do caminho, pois a cada caminho vivido, há desdobramentos, o que torna a busca pelo caminho perfeito um objetivo impossível de ser realizado, uma vez que essa própria perfeição não existe, dado que por mais que sejam diferentes versões de nós mesmos em cada cenário, ainda somos nós que vivemos aquilo, e a felicidade plena vem(ou pelo menos deveria vir) de nós mesmos e nunca do exterior.
Cativante, intrigante e profundamente reflexivo, o livro me proporcionou uma das leituras mais marcantes de 2022. Me provocou reflexões profundas acerca de mim mesmo, da minha história e das escolhas que fiz ao longo do percurso, muitas das quais eu mesmo já estava ruminando durante meu processo terapêutico de tomada de consciência de vida, o que torna a leitura muito mais prazerosa e rica, pois há uma conexão real com o que vivemos e não somente uma breve, porém cativante leitura de um bom romance de ficção científica. Nota 4,5/5.
Dando continuidade à finalização das leituras de 2022 que haviam ficado pendentes, acabo de (finalmente) concluir o livro “A Primeira Pedra – EU, padre gay, e minha revolta contra a hipocrisia da Igreja Católica”, do autor Krzysztof Charamsa. Foi um dos livros de mais difícil leitura que me deparei em 2022. Até por este motivo foi colocado de lado e por um tempo considerei desistir de vez e abandonar a leitura, mas a relevância do tema e o impacto em minha própria história com a igreja me levaram a insistir na leitura no início de 2023.
A temática da obra é explicita imediatamente com o próprio título. A contracapa se encarrega de dar um tom sombrio e assustador ainda maior quando faz afirmações bombásticas: “Um testemunho sem precedentes… Um alto sacerdote do Vaticano rompe o silêncio e revela uma face inquietante da Igreja Católica… A santa inquisição ainda existe…”. Todas estas colocações instigam o leitor a pensar que algo chocante está para ser apresentado no texto e ficamos na ponta dos dedos aguardando o momento das revelações.
“A Primeira Pedra” – de Krzysztof Charamsa. Difícil, porém necessário
A realidade, porém, é que infelizmente a editora “carregou nas tintas” para estimular um suspense revelador a respeito do Vaticano para vender exemplares do livro. A minha primeira motivação até foi a de conhecer o testemunho do padre que, sei por vivência própria, é somente um dentre tantos sacerdotes homossexuais na igreja, mas confesso que o principal interesse era o de saber “fofocas” internas a respeito do Vaticano e de sua postura engessada e altamente homofóbica.
Infelizmente o livro não apresenta nada disso. O autor até relata um pouco de sua experiência nos altos órgãos da igreja, em especial sua atuação na Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício, ex-Inquisição), mas em nenhum momento revela pormenores e detalhes da atuação da instituição, talvez até por receio de ser ainda mais rechaçado após se assumir homossexual e deixar a igreja. A maior parte das atividades e posturas da instituição não são surpresa para pessoas que, assim como eu, são católicas desde o nascimento e participam ou participaram ativamente dos movimentos pastorais dentro da Igreja. Não é preciso ser um sacerdote da mais alta corte para vislumbrar os atos e palavras que o autor relata em seu livro – basta acompanhar qualquer pastoral e as palavras da própria igreja no dia a dia de suas atividades.
Logo, esse aspecto foi um tanto frustrante para mim, confesso. E para dificultar ainda mais, a leitura é bastante comprometida e atravancada pela utilização excessiva do dialeto “igrejiano”. Claro que estou inventando palavras, mas qualquer católico praticante sabe do que estou falando: a igreja usa e abusa de uma linguagem excessivamente rebuscada em seus rituais e rotinas, dinâmica seguida por quase todos os fiéis ao se expressarem nos grupos e momentos de orações dentro da instituição. É um uso constante de “vós, tu que sois o altíssimo, o magnânimo, fazemo-nos humildemente servos de vossa inexorável compaixão”, se afastando muito da linguagem coloquial utilizada pelo seu povo. Estes sempre foram um dos aspectos que mais me incomodaram durante minha vivência dentro da igreja. Essa necessidade de soar sempre muito culto, quase que como para ser respeitado é preciso se distanciar da linguagem popular, o que, historicamente podemos entender perfeitamente como uma estratégia para subordinar os mais humildes – a dominação e a obediência mediante a opressão da língua – quem fala bonito é porque sabe muito, é inteligente, coisas assim, mas que acho que sempre distanciou a igreja daqueles que lhe são mais importante: os seus fiéis mais humildes, que são quem conseguem ter uma expressão de fé e devoção genuínas, sem afetação ou brilhantismos, com objetivo de autopromoção ou admiração.
Tudo isso contribuiu para o meu não-engajamento na leitura imediatamente e dificultou amplamente o meu avanço, que só a muito custo e determinação seguia adiante, mas sem me conectar muito com a história. O tom fortemente rancoroso do autor, externalizando constante e sistematicamente toda a sua revolta anunciada no subtítulo deixa o livro pouco convidativo. Não me entendam mal, entendo perfeitamente a revolta do autor e a sua necessidade de expressar todo o rancor com a opressão sofrida por uma instituição que amava e devia obediência, mas que ao mesmo tempo o impedia de ser quem verdadeiramente é, e incitava as pessoas a destilarem ódio a pessoas que, como ele, não se encaixavam no padrão único aceito como o certo pela instituição. Sua revolta é mais do que justificada e compreensível e, gritar isso aos quatro ventos é um processo catártico e de cura para sua verdadeira libertação e aceitação de quem é na integralidade. Só deixa a leitura difícil e pouco estimulante para quem acompanha, ainda que eu tenha feito desde o início o exercício de empatia de me colocar no lugar do autor.
E este aliás é o ponto que me fez insistir na leitura e chegar até o final. A conexão entre a história do próprio autor e minha própria experiência de vida no seio da igreja católica. Não que eu seja homossexual como o autor, mas ao longo de minha caminhada na igreja eu conheci inúmeros amigos e amigas que são homossexuais e sofriam imensamente dentro dos movimentos pastorais por ficarem divididos entre o amor pela igreja e sua própria expressão de fé e o desejo de se aceitarem como verdadeiramente são, vivendo honesta e livremente a sua sexualidade sem julgamentos. Mas, para além da questão da sexualidade de cada pessoa, a minha identificação com o livro decorre do sentimento de dicotomia entre admirar a igreja e a sua expressão de fé, ao mesmo tempo em que é muito difícil aceitar a sua postura e omissão em temas importantíssimos na qual ainda mantém um posicionamento vindo da idade média, sua incapacidade de verdadeiramente se abrir e abraçar a realidade colocada pelo mundo e estar ao lado das pessoas que amam a igreja, acolhendo-as, amando-as e sendo amparo ao invés de condená-las e sujeita-las a humilhações e ridicularizações públicas. Tenho inclusive um texto planejado a respeito desta temática, no qual eu devo relatar e expressar melhor algumas dessas incoerências que via na vida pastoral da igreja, mas que me levaram a uma série de questionamentos e posteriormente a um afastamento.
Mas nem tudo são críticas nesta resenha. O terço final do livro melhora bastante e torna a leitura mais fluida, ainda que na mesma linguagem rebuscada de outrora. Aliás, poderíamos dividir o livro em três momentos: a primeira parte, na qual o autor relata o início de sua vida e história com a igreja, o seu crescimento enquanto sacerdote e teólogo e sua ascensão até a chegada ao cargo que ocupava dentro da Congregação para a Doutrina da Fé. Aqui cabe um adendo: eu acho surreal existir um órgão assim dentro da igreja, responsável única e exclusivamente para rastrear, identificar, denunciar e perseguir sacerdotes que não sigam 100% aquilo que ditam as regras instituídas por homens como o que é correto dentro da igreja, ainda que contradigam em sua totalidade o que pregam as Santas Escrituras. Um exemplo: como pode existir um órgão instituído na igreja para julgar e condenar as pessoas quando nas escrituras diz que não cabe a nenhum homem julgar e condenar o próximo e que isso cabe somente a Deus? Enfim, este é um dos aspectos de incoerência entre a pregação e a realidade que me suscitam dúvidas e que foi o que me aproximou do sentimento contido neste livro.
Nesta primeira parte, ainda que o autor teça alguns comentários sobre a postura lamentável da igreja em diversos momentos ao tratar as questões referentes à homossexualidade e aos homossexuais, seu tom não é excessivamente rancoroso como se torna na segunda parte. Esta sim é a etapa mais difícil da leitura – é o momento em que o autor já se entende e aceita como homossexual, mas ainda não encontrou o caminho para sua libertação do meio em que está inserido e se ressente – com razão – da postura lamentável da igreja com relação a pessoas como ele. Porém, como já relatei anteriormente, o tom excessivamente revoltado dificulta um pouco a leitura e deixa o texto cansativo.
Felizmente ao chegar na terceira parte há uma mudança no tom. Ainda que continue criticando a postura da igreja e sua inanição em buscar uma transformação, este é o momento em que o autor se aceita plenamente e passa a viver realmente como é, livre e feliz de ser quem verdadeiramente é, entendendo que não há mais espaço para continuar preso às amarras da religião opressora em que foi criado. É um processo muito bonito o de aceitação de si e de comunicação a todos a seu redor de que não mais irá silenciar quem é e a consciência de que será achincalhado por isso, perseguido e desmoralizado por se assumir quem sempre foi verdadeiramente, e não se importar com isso, pois é mais urgente ser feliz e consciente de si mesmo que se esconder de sua própria essência para ser aceito como igual em um meio nocivo, excludente e preconceituoso.
A parte final do livro, especialmente no Post Scriptum, onde apresenta, na sequência, a sua carta de saída do armário, uma carta direta ao Papa Francisco e um manifesto da libertação gay, no qual exige essencialmente respeito e desculpas da igreja por conta de sua omissão e perseguição por séculos aos homossexuais. Este trecho é particularmente belo pois poderia facilmente ser transcrito como um manifesto em defesa de todas as minorias oprimidas ao longo da história pela tradição da igreja. Qualquer pessoa católica esclarecida sabe que há momentos profundamente lamentáveis na história da igreja na qual ela se omite ou se alinha e apoia diretamente a grupos perseguidores de minorias, cometendo atrocidades indescritíveis e, infelizmente, somente para uma ínfima parte houve um reconhecimento de culpa e um pedido de perdão. Daí este manifesto ser tão profundo, pois se posto em prática poderia resgatar muitos fiéis para a igreja e, mais do que isso, a tornaria mais humana e, a meu ver, muito mais cristã e amorosa.
No final das constas o livro vale a pena, muito mais por conta das reflexões que suscita do que propriamente do entretenimento contido na leitura em si. É sim um relato importante – sei de inúmeras pessoas que sofreram e sofrem como o autor por conta de não poderem ou não conseguirem se aceitarem integralmente por medo do julgamento dentro da igreja – e um ponto de partida em reflexões que a igreja deveria iniciar imediatamente. Sei que provavelmente algumas pessoas do meu círculo de amizade me execrarão simplesmente por estar falando nisso, ou abordando a igreja nestes termos, mas há tempos que deixei de me importar com estas opiniões retrógradas e acho que o verdadeiro e correto caminho para a igreja ser verdadeiramente Igreja é o de discutir e acolher a todas as minorias, fazendo uma revolução em suas antiquadas e retrógradas leis para que possa verdadeiramente ser a Igreja de Cristo na terra: AMOR. Cristo é Amor e somente pelo amor, inclusão e aceitação de todos é que a igreja pode verdadeiramente dar testemunho de fé a todos. Ainda que seja difícil e possa levar tempo, vale a pena a leitura. Nota 3/5.
No último final de semana, enquanto as redes sociais se fervilhavam de postagens celebrando o Natal e as festas de final de ano, uma publicação me chamou a atenção. Estava eu rolando aquele “Explorar” do Instagram, gastando meu tempo olhando inúmeras postagens sugeridas para mim, sendo, porém 90% sem qualquer relevância, quando me deparo com uma publicação que destacava em letras garrafais que “Bolsonaro cumpriu somente 15% das promessas de campanha”, e alardeando como o governo dos últimos 4 anos foi um fracasso por não conseguir atender às expectativas criadas por seus eleitores.
Tal postagem me fez lembrar de um texto que havia pensado em escrever às vésperas das eleições para tentar reverter alguns votos de indecisos que se inclinavam para o inominável. Decidi aproveitar alguns trechos para fazer este último post de 2022 para celebrar o término destes 4 anos terríveis com este “governo” comandando a nação e ansiando para que seja a última vez que menciono este personagem nefasto que tivemos que aceitar como “presidente” nos últimos anos.
Eu entendo a tentação de querer afirmar que este “governo” foi um fracasso, especialmente entre pessoas que, como eu, repudiaram sistematicamente todas as atitudes e políticas adotadas desde 2018. Mas essa é uma afirmação muito mais emocional que racional. É o nosso desejo de expressar em palavras o quão ruim foi este período. Mas racionalmente falando, ao observar com distanciamento emocional os 4 anos de “governo” Bolsonaro, facilmente podemos afirmar que foi um governo de sucesso como poucas vezes visto na história do nosso país.
Assusta um pouco essa afirmação, não é mesmo? Porém o sucesso é determinado com base nos objetivos que se queria atingir ao iniciar um projeto, portanto, ao analisar os anos Bolsonaro, é claro perceber que foi um governo de fenomenal e avassalador sucesso para atingir os objetivos a que se propunha, como poucos conseguiram na história do país.
Não sejamos ingênuos. Nunca foi objetivo de Bolsonaro e seus apoiadores um projeto de pais que trouxesse crescimento e desenvolvimento à nação. Estava muito claro desde sempre que o objetivo era entregar o país aos desejos de quem financiava o seu projeto de poder. Nunca houve interesse em fomentar um projeto de governo para trazer ganho e crescimento à nação e aos seus cidadãos. Daí o desejo de comprar ferrenhamente brigas em searas ideológicas e subjetivas (como todas as temáticas ligadas à religião) e o pouco ou nenhum interesse em tratar com projetos viáveis de assuntos sérios e críticos à população, tais como saúde, educação, segurança pública, transportes e mobilidade urbana. Desde sempre Bolsonaro quis ser presidente somente para consolidar seu projeto de poder, tão limitado e obtuso que acreditava que um presidente teria poderes ilimitados, tal qual um ditador autocrata. O Estado Brasileiro e a máquina pública foram utilizados única e exclusivamente para tentar sujeitar todos à sua visão distorcida e odiosa do mundo, distorcendo narrativas e negando verdades palpáveis e históricas, a fim de perpetuar preconceitos e privilégios, gerar ainda mais divisão e justificar o uso indiscriminado da violência para eliminar quem se opunha a esta visão.
A escolha de um ‘outsider’ da política lá em 2018 condenou o brasil há anos de trevas, como os que vivemos e ainda serão os que virão pela frente, para tentarmos resgatar tudo aquilo que foi destruído ou se perdeu por negligência e incompetência. Por isso é impossível considerar esse “governo” como um fracasso. Ele se propôs ferrenhamente a entregar exatamente aquilo que se esperava dele: destruir, destruir, destruir. Não há um único indicador deste governo que seja positivo, não há um único aspecto relevante à qualidade de vida da população e da consolidação do bem-estar de um país que esteja melhor hoje do que estava em 2018: a educação piorou, a saúde está em frangalhos, a preservação do meio ambiente foi abandonada e passou a se estimular a devastação, a economia naufraga a olhos vistos, mesmo com o “posto Ipiranga” prometendo crescimento há 4 anos. Incentivos à melhoria do transporte público e mobilidade urbana? O assunto nunca foi sequer mencionado. Inflação a níveis de 30 anos atrás. Povo sem poder de compra algum. A população está visivelmente mais ansiosa, mais cansada, mais pessimista, mais triste.
Apesar de todo esse legado nefasto, o atual “governo” entra em sua última semana tendo estado a 2% de ter sido reeleito. Mesmo tendo sido o mais incapaz e incompetente de todas as pessoas a ter ocupado a cadeira da presidência da república, Bolsonaro conseguiu convencer cerca de 30% das pessoas do país de que ele é um semideus imaculado incapaz de fazer algo errado e que deve ser seguido religiosa e cegamente. Apesar de ter se vendido como o paladino da “antipolítica tradicional”, se sujeitou aos jogos de interesses políticos de uma forma nunca vista, chafurdando na lama do toma-lá-dá-cá político na forma do tal “orçamento secreto” – também conhecido como corrupção institucionalizada.
Foi um presidente que se vendeu como o defensor da vida aos fundamentalistas religiosos cristãos – não se enganem, fundamentalismo religioso não é exclusividade das religiões orientais. Porém ao se deparar com o maior desafio sanitário dos últimos 100 anos, ao invés de defender a vida, ele optou por banalizá-la. Diante da morte de quase 1 milhão de pessoas (sabemos que as mortes por covid foram em número muito maior que as 700 mil “oficiais”) durante a pandemia, ele optou por dar risada e debochar do sofrimento alheio. E mesmo assim, 45% dos brasileiros acharam que seria viável mantê-lo por mais 4 anos governando o país. Nunca tivemos um governo comprovadamente tão ruim em nosso país e mesmo assim uma parcela significativa da população conscientemente optou por lhe oferecer a possibilidade de se manter no poder, indiferentes à própria dor e sofrimento, acreditando estarem combatendo fantasmas inexistentes evocados pelo presidente para assombrar e assustar a parcela mais ingênua da população. Se isso não é indicativo de um sucesso assombroso, não sei o que mais pode ser.
Isso também demonstra que sucesso não é sinônimo de algo necessariamente bom. Pelo contrário, pode ser algo nefasto e causar inequívoco sofrimento. Mas isso pode ser assunto para outro momento. Por anos acreditei que o atual “governo” passaria à história como o maior fracasso da república brasileira, porém mudei de ideia: este governo é um sucesso. Atingiu (quase) todos os seus objetivos. Faltou somente um: o de se perpetuar no poder. Sorte do Brasil. Nenhum de seus objetivos visava o bem do país e este último era o golpe final para a derrocada da nação. Passou raspando, mas nos livramos desse futuro terrível.
É surreal para mim pensar que estamos a poucos dias do término desse “governo” Bolsonaro. Após tanto tempo, dá até medo sentir alegria de esse período tenebroso estar finalmente terminando. Foram quatro anos intensos e exaustivos e é com uma forte sensação de esgotamento, tanto físico quanto mental, que chego a estas últimas semanas. Por essa razão eu gostaria de já não ter que falar desse personagem, até como forma de antecipar a leveza que esperamos ter em 2023 sem esse nome sendo falado diariamente em nossas cabeças. Ao mesmo tempo, porém, aconteceram tantas coisas que é impossível ficar indiferente e não esboçar umas últimas palavras a respeito desse período tão nefasto da nossa história.
Por isso decidi, como forma de passar uma régua neste assunto em minha mente, vou condensar tudo o que de mais importante e relevante ainda preciso falar sobre os “anos Bolsonaro” e que ainda não abordei em outro momento em um artigo em dois atos: no primeiro momento tentarei abordar de forma objetiva as razões pelas quais o atual presidente me causa tanta repulsa. Na segunda parte, vou compilar minhas impressões acerca dos últimos quatro anos e os resultados de seu “governo” para o nosso país.
De coração sincero espero que estas sejam as últimas vezes que eu precise mencionar o nome Bolsonaro. Desde que ouvi pela primeira vez e tomei conhecimento dos absurdos que saiam de sua boca, a antipatia foi imediata. A partir do momento em que se lançou candidato à presidência – se não me falha a memória, pouco após o término das eleições de 2014 – e começou a angariar apoiadores entre os renegados e boçais que habitavam o submundo das redes sociais, ganhando cada vez mais visibilidade e relevância, a minha aversão foi aumentando até chegar ao nível de hoje, de sequer conseguir ver sua imagem ou ouvir sua voz sem sentir algum tipo de repulsa.
Não vou fazer uma retrospectiva de todos os acontecimentos que o levaram à presidência da república, tampouco vou criticar a sua gestão sentado à cadeira mais importante do país. Quero focar unicamente em um aspecto, muito importante e que gostaria de tentar elucidar: por que tenho tanta aversão a Bolsonaro?
Essa não é uma resposta fácil. Aliás, estou há anos (pelo menos 6) tentando entender esse sentimento, que nunca havia sentido com relação a nenhum outro personagem da política brasileira. Nem sequer Aécio Neves, com sua cara debochada e seu estilo ardiloso, me causaram tanto incomodo. Durante esse período em que foi presidente, teci muitas críticas a Bolsonaro. Algumas pessoas inclusive me acusaram de odiar Bolsonaro. Por um bom tempo eu também acredito que isso era uma verdade. Porém busquei entender melhor esse sentimento e compreendi que não se trata de ódio. É uma aversão por tudo o que representa.
Essencialmente, o futuro ex-presidente representa, em suas atitudes e palavras, tudo aquilo que mais repudio em minha vida. Sua abordagem para com a vida é exatamente o oposto de tudo o que eu penso e faço. Tudo o que ele acredita e externaliza como o certo, eu considero errado e inadmissível. Sua forma de cultivar e multiplicar a violência e a intolerância, a boçalidade e a maldade de coração, me ofende profundamente.
Eu acredito na verdade. Ele opera somente na mentira. Eu confio na ciência. Ele repudia a ciência. Eu admiro e busco o conhecimento e a inteligência. Ele se ressente do conhecimento e estimula a estupidez. Eu gosto de demonstrar gentileza, educação e deferência às pessoas. Ele gosta da truculência, falta de educação e arrogância. Eu acredito que cada um tenha o direito de ser o que quiser ser, fazer e decidir o que preferir da própria vida, desde que não se coloque no caminho do livre arbítrio do próximo. Eu aprendi a admirar, gostar e aprender com a diversidade. Ele acha que tem o direito de regular a vida do outro, ofender e ameaçar quem não é como ele acha que deve ser. Eu acredito que devemos respeitar o diferente. Ele acha que é preciso reprimir e violentar com atos e palavras quem diverge de si. Eu acredito e desejo o bem. Ele opera e vibra única e exclusivamente no mal.
Nestes “anos de Bolsonaro”, um dos maiores absurdos que tentaram propagar a todo custo, além da ladainha acéfala de seus seguidores que se tornaram uma seita assustadora e violenta, foi a narrativa de muita gente tentando “normalizar” ou civilizar o futuro ex-presidente, como se ele fosse incompreendido, se expressasse mal ou fosse somente falastrão ou barulhento, mas inofensivo. Foi feito um esforço tremendo, em grande parte da mídia por pressão da classe dominante, para “amansar” ou tornar palatável alguém bruto, truculento e violento. Muito pode se falar sobre Bolsonaro, mas uma coisa que não se pode negar é que ele se expressou exatamente como gostaria e se apresentou exatamente como é: uma pessoa de violenta, rancorosa e de má índole. É aquele tipo de gente que você não entende como pode ser tão desagradável, como pode ser tão baixo, vulgar e de mau gosto. Alguém de caráter duvidoso, cheio de rancor e ódio por quem vive e vê o mundo de forma diferente dele.
Outro ponto importantíssimo em minha aversão pelo futuro ex-presidente é a sua visão de futuro, sua sanha destruidora do meio ambiente e o seu (mau) exemplo legitimador para que demais pessoas demonstrem ser tão vis e repugnantes quanto ele mesmo. Como o pai de uma menina nascida durante esse período, me assusta imaginar qual o futuro a esperaria se Bolsonaro tivesse mais tempo de poder continuar apresentando e convencendo pessoas de sua visão deturpada e estúpida de mundo. Em quatro anos já houve um estrago considerável e um retrocesso de décadas, mas ainda podemos crer que é possível reconstruir o país. Mais quatro anos e acredito que seria muito difícil não atingirmos um ponto de não retorno à normalidade e estaríamos vivenciando uma ruptura civilizatória.
Estes anos foram desafiadores, pois foi muito difícil ver alguém que representa o oposto de tudo o que acredito ocupando um cargo de tanto poder, capaz de estragar a vida de tantas pessoas, capaz de condenar o país a extremos nunca vistos, capaz de demonstrar tamanho desprezo pela saúde, educação e cultura. Foi um baque para mim – nascido nos pós ditadura e formado pessoa durante o período mais progressista e desenvolvimentista da história brasileira – entender que nem sempre o mundo andará para frente e que podem acontecer momentos de governos nefastos e que representam o oposto dos valores que acredito e que regem a minha vida. Foi assustador perceber que tantas pessoas deram carta branca a alguém assim tomar o poder no país e se sentiram representadas – e mais do que isso – autorizadas a serem tão más quanto.
Me doeu perceber que pessoas outrora próximas a mim e muito queridas, por motivos insondáveis que talvez busque discutir no futuro, se aproximaram de um personagem como esse e se deixaram seduzir pelo fascínio do fascismo. Foi doloroso, porém necessário me afastar dessas pessoas. Não foi uma divergência política. Foi uma divergência de valores e visão de mundo. Como poderia permitir que pessoas que acreditam e apoiam Bolsonaro estarem próximas e serem exemplos para a minha filha? Não tenho ilusões, sei que ela irá conviver com pessoas assim no mundo, mas é muito diferente de cruzar com alguém assim no mundo e eu acolhe-as abertamente em minha casa. Não é aceitável e normal permitir que alguém com tendência e que apoia pessoas misóginas e machistas possam brincar com minha filha e serem de alguma forma referência na vida dela.
Minha aversão a Bolsonaro não é política. Ainda que ele também seja o oposto de tudo o que acredito ser o melhor caminho para a política brasileira, minha aversão a ele é por valores essenciais, que regem a minha vida, e que para ele são descartáveis e irrelevantes.
Foram quatro anos de sofrimento, de angústia, de medo e tristeza. Quatro anos em que cada um dos meus valores mais caros eram pisoteados, ridicularizados e tratados como “frescura” e que a resposta para tudo era a intimidação e a violência. Nunca senti algo assim por nenhum outro personagem político na história do país. Houve alguns que, em maior ou menor escala, pareciam piores ou pouco confiáveis, mas como esse personagem que ocupou a cadeira da presidência nos últimos anos, nunca houve e sinceramente espero que não exista nunca mais. Após muita reflexão, entendi que o odeio. Tenho repulsa por ele. E uma aversão extrema por tudo o que ele representa, conjunto de ideias, valores e atitudes reunidos de forma muito perspicaz e verdadeira sob a alcunha de bolsonarismo. Bolsonaro irá desaparecer em breve, mas o bolsonarismo continuará sendo uma ameaça por muito tempo. Mas continuaremos a lutar. E iremos vencer, tal qual vencemos Bolsonaro., pois o mundo anda para frente. Com percalços e tropeços, é claro. Mas sempre para frente.
Sejam todos muito bem vindos ao meu blog pessoal. Aqui é um espaço livre para falarmos de tudo aquilo que me interessar ou não, mas considerar pertinente compartilhar com vocês. A ideia de um blog não é nova. Para as (poucas) pessoas que chegarem a este texto e talvez me conhecessem há 10 anos atrás, eu tinha um espaço similar que perdurou de 2009 a 2014, onde eu falava dos meus assuntos de maior interesse. Foi um período bastante prolifico, talvez por falta do que fazer – saudades da tranquilidade da vida naquela época – mas o fato é que ficava bastante tempo interagindo no blog em um tempo que blogs ainda eram uma ferramenta amplamente utilizada na internet – infelizmente as redes sociais vieram e eclipsaram quase que inteiramente todas as demais mídias.
Aliás, sei muito bem que um blog escrito em 2022 é quase um contrassenso, mas a realidade é que a minha vontade é exatamente essa: que este espaço seja um local de resistência, onde a palavra escrita possa resistir e continuar a existir. Em um tempo de vídeos rápidos e uma enxurrada de informações, este blog se propõe exatamente ao contrário; para aqueles que aqui chegarem possam tirar um tempo para ler um texto, refletir e cordialmente expressar suas opiniões se sentir vontade. Não sei quanto a vocês, mas acho que esse excesso de vídeos a que somos expostos estão nos emburrecendo. O texto escrito é mais desafiador, exige mais atenção, mais foco, mais disponibilidade e interesse, além de maior capacidade cognitiva para processar a informação, entender o sentido e finalmente absorver o que está sendo dito. Sei que soa um tanto arrogante, mas não é esse o desejo e sim de colaborar para a continuidade da existência da informação escrita. Ao menos para mim, prefiro mil vezes ler um texto de 3 páginas do que ver um vídeo poucos minutos falando exatamente a mesma coisa.
Como mencionei no início, este blog existiu em uma outra jornada e cenário, de 2009 a 2014, mas que optei por descontinuar devido à escalada do ódio nas redes sociais – mal imaginava eu que isso era somente o embrião de situações ainda mais sinistras e assustadoras e que hoje – agosto de 2022 – sentiríamos saudades de como as coisas eram naquele já longínquo 2014. Em 2020, tentei retornar no mesmo formato, mas com a chegada da pandemia e a descoberta da gestação de minha filha, este projeto ficou em segundo plano. Em 2021 busquei recomeçar uma vez mais, e cheguei neste espaço que hoje vocês encontram. Com maior ou menor assiduidade, tentarei manter uma frequência de postagens, que podem variam conforme as exigências de minha agenda. Porém seguirei insistindo.
Este é um espaço quase terapêutico, onde me expresso com calma e de forma às vezes prolixa a respeito de temas que me incomodam, me inspiram, ou ideias que me ocorrem cotidianamente. Aqui também posto resenhas das leituras que faço, das séries que vejo, ou sobre quase tudo que eu sinta vontade de expressar a minha opinião. Falo sobre política e esportes, e também sobre religião. Ou seja, a santíssima trindade de temas que não se devia discutir serão frequentes por aqui, talvez por fazerem parte da minha formação pessoal.
Portanto aqui falo sobre o tudo e o nada. Na maior parte os temas parecerão que interessam somente a mim, mas se aprendi algo nesse tempo de conexão remota é que nunca temos um interesse exclusivamente nosso, sempre poderemos encontrar alguém que partilhe daquilo. Aqui poderemos conversar, compartilhar e quem sabe até crescer com a opinião do outro. Ainda que possamos falar sobre o ódio, aqui não há espaço para sua existência. Aos que já frequentaram aqui anteriormente, desculpem a repetição do tema, mas aos que chegaram aqui pela primeira vez, achei importante fazer uma reapresentação. Sejam muito bem vindos, sintam-se à vontade. A casa é minha, claro, mas vocês são meus convidados de honra. Um texto, uma conversa, e uma reflexão podem não resolver os problemas do mundo, mas podem fazer maravilhas para ajudar a nos sentir melhor. Ao menos para mim é assim, e espero de coração que possa ser assim para vocês também… Saudações!
Acredito que a maior parte das pessoas já tenha visto as notícias de agora à tarde em Uberlândia,onde um drone pulverizador sobrevoou o local do evento de lançamento da campanha conjunta do ex presidente Lula e do prefeito de BH, Alexandre Kalil, lançando excrementos nas pessoas que encontravam-se no local.
No momento em que escrevo este texto não há comprovação dos autores do fato,mandantes nem as motivações por detrás do ato, mas não surpreende de as impressões digitais bolsonaristas estejam impregnadas em todo o incidente.
Em primeiro lugar, trata-se de um drone pulverizador de plantações, instrumento pouco barato e utilizado em plantações do agronegócio, um dos pilares de sustentação do regime bolsonarista, tanto financeiro quanto ideológico. Em segundo lugar,o desrespeito à dignidade humana, em que, não contentes em derespeitar manifestações contrárias ao seu “credo”, se usam de um demonstração repugnante de poder,o de jogar excrementos em outro ser humano.
Claro que posso estar falando besteiras aqui, e pode-se comprovar que o fato foi obra de um lunático solitário que achou que seria divertido jogar m**** em pessoas durante um ato político,ou mesmo um militante extremista que quis usar de um artifício para incriminar o atual presidente de um ato vil bem a seu estilo. Não duvido de nada. O Brasil de hoje esta tão surreal que qualquer narrativa,por mais absurda que pareça,pode se provar real.
Mas é fato que o episódio se encaixa à perfeição dentro da narrativa bolsonarista pra eleição que está por vir. Por um lado há a incansável acusação sem provas do “presidente” em cima da segurança das urnas e de todo o processo eleitoral. De outro, a narrativa de que as pesquisas eleitorais que apontam uma potencial derrota do atual presidente ainda no primeiro turno estão erradas, porque os eventos dos adversários tem pouca gente.
O ato de hoje é mais um elemento na construção dessa narrativa,onde os apoiadores do presidente iniciam um processo continuo de truculência e intimidação nos eventos dos adversários,a fim de deixarem os militantes opositores com medo de participar e esvaziar cada manifestação pública do principal adversário do presidente. Com isso utilizam de sua poderosa máquina de disseminação de notícias falsas e desinformação para vender a ideia de que se não tem gente nos eventos do adversário,como ele lidera as pesquisas? E assim vão construindo todo o cenário para contestar o resultado das eleições quando fatalmente o atual presidente for derrotado nas urnas. Contestação essa que ele irá usar como subterfúgio para validar o seu golpe na frágil democracia brasileira.
É tão claro quanto óbvio e triste. A democracia brasileira, que há uma década atrás parecia inexoravelmente solidificada, e a sociedade brasileira destinada aí progresso, hoje encontram-se reféns do retrocesso, da truculência e da estupidez, com uma pequena e tênue chance de sobrevivência,mas com a faca dos fantasmas do passado firme em suas gargantas, prontas para o golpe final que condenarão o país, uma vez mais, a tempos sombrios e de infelicidade. Já diziam que a história é cíclica e só mudam os personagens…
Estou de volta. Pouquíssimas pessoas, além de mim mesmo, se recordam que há alguns anos eu mantive um blog pessoal, com maior ou menor assiduidade, de acordo com o momento vivido à época. O blog sempre funcionou como um espaço de liberdade para falar sobre assuntos que fossem do meu interesse. Entre 2009 e 2014 isso significou basicamente falar de automobilismo e games, com uma ou outra exceção tratando de um assunto distinto. Porém, desativei este espaço em 2014, um pouco assustado com a escalada do ódio online, receoso de alguma palavra já escrita pudesse ser mal interpretada e acabar gerando alguma dor de cabeça. Ainda que à época eu considerasse esta decisão correta, hoje me arrependo levemente, pois os textos ali postados eram um recorte de um momento muito único de minha vida e que serviriam, pelo menos como amostra histórica de meu crescimento pessoal. Porém, como já é um fato consumado, não vale a pena ficar me lamentando e ser grato por ter aqui uma oportunidade para um novo começo. E como todo recomeço, temos a oportunidade de revistar algumas decisões, e por isso optei por explorar uma nova plataforma de blogs, a fim de reoxigenar a experiência e buscar uma nova abordagem conforme meus objetivos nesse espaço. Enfim, estou de volta. Há tempos venho ruminando este desejo de retorno e sempre postergando a decisão, porém aqui estou e mesmo com diversos desafios de tempo e agenda, além é claro de disposição, estou ansioso para trilhar um novo caminho neste espaço, compartilhar algumas ideias e reflexões, buscando ser um espaço livre e que possa trazer, ainda que tímida e minimamente, algo de bom para as pessoas que por aqui passarem e se dispuserem a ler as frases incertas e claudicantes que irei pingar por aqui de vez em quando. Não haverá um tema no blog. Não haverá um assunto principal. Não existirão objetivos. A ideia é que seja um espaço livre e despojado de compartilhamento de ideias. Sem certo ou errado. Somente liberdade para escrever, para ler, para refletir, para conversar. Com respeito, otimismo, uma pitada de humor e leveza. A única coisa que busco é paz. E todos que compartilham dessa busca, são bem vindos a desfrutar deste espaço. Será quase um exercício terapêutico, de extravasar algumas ideias que ficam ruminando em minha mente por dias a fio, ou mesmo um simples exercício criativo de escrita, processo que invariavelmente me proporciona um sentimento de paz e serenidade que faz bem nesses tempos tão sombrios que estamos vivendo. Espero que seja uma jornada prazerosa e enriquecedora. Aos que quiserem me acompanhar neste caminho, sejam muito bem vindos.