Resenhando (#16)

Encontrei este livro por acaso na internet, quando navegava em busca de novos ebooks para alimentar meu desejo incessante por novas histórias. Logo de cara me chamou atenção, principalmente por gostar de história política e o JFK ser um personagem tão mencionado na cultura pop nos últimos 60 anos e alvo de tantas teorias conspiratórias e discussões reais que me fisgou imediatamente.

Mais do que um relato de somente os últimos dias do presidente americano antes do atentado que custou a sua vida em Dallas no fatídico novembro de 63, o livro retrata de uma forma direta e objetiva a maior parte de sua vida pública, e como chegou ao cargo político mais cobiçado do século XX. O autor faz um relato da ascensão de Kennedy e sua chegada à Casa Branca, algumas das alianças e parcerias que firmou ao longo dos anos com personagens igualmente famosos e que podem ou não ter influenciado de forma mais impactante sua postura como presidente.

Algumas trivialidades chamam bastante atenção, como a questão sobre a vida sexual de Kennedy, ou suas amizades com o mundo artístico e musical, no qual me chamou a atenção especialmente a ligação com Frank Sinatra e os vínculos que este possuía com a máfia da época.

Mas, indiscutivelmente, o motivo maior por ter me interessado pelo livro e ter desfrutado imensamente da leitura foi o fato de que o governo de JFK se situa exatamente durante o momento mais dramático e significativo da Guerra Fria e do século XX de modo geral. Outros podem citar momentos que considerem mais relevantes, mas para mim a ebulição social e o acirramento da tensão entre URSS e EUA no começo dos anos 60 e a chegada de um presidente jovem e civil ao poder da nação com o maior arsenal nuclear da época logo após um antigo general da Segunda Guerra Mundial, com toda a questão da revolução cubana ainda ressoando em todo mundo a partir da ilha caribenha, a somente alguns quilômetros da costa da Florida, além do surgimento dos distúrbios internos decorrentes do crescimento dos movimentos pelos direitos civis e luta pela igualdade racial nos EUA tornam, ao menos para mim, um relato interessantíssimo de como a situação era encarada à época.

Tenho um interesse perene por história e geografia, e a geopolítica da década de 60 é um assunto simplesmente delicioso de se observar pelos mais diversos olhares. Invasão da Baía dos Porcos fracassada, pressão dos militares por um conflito direto em Cuba, crise dos misseis e novo episódio dos milicos sedentos por sangue precisando ser controlados, tudo isso foi muito bem permeado com questões familiares triviais, como a postura da primeira dama (e também uma celebridade para a população americana) Jackie Kennedy, a relação do presidente com a esposa e a família e o drama da gestação durante o mandato e a perda gestacional pouco depois. Tudo isso possibilitou uma humanização do presidente como nunca houve antes, tornando-se histórico. Nenhum outro político americano é tão lembrado e citado quanto JFK. Nem Lincoln possui tamanho alcance e apelo.

As teorias conspiratórias a respeito de sua morte(das quais possuo algumas opiniões que podem valer um novo texto posteriormente), a questão geopolítica da Guerra Fria, o embrião dos direitos civis em seu governo, o discurso e a promessa que foram a base para a corrida espacial que culminaria com Neil Armstrong colocando os pés em solo lunar ao final da década, tudo isso é um conjunto irresistível. O livro é escrito de forma didática, interessante e casual, sem parecer uma biografia de fato, tampouco um romance barato sobre a vida de celebridades. É um relato poderoso de um personagem peculiar e carismático vivendo um dos períodos mais turbulentos do século XX. Muito interessante, especialmente a quem gosta de geopolítica e história. Recomendado. Nota 4/5

Resenhando (#15)

Como disse na última postagem, perdi um pouco do ritmo nas semanas pré e pós eleições, não consegui escrever muito e ler ainda menos. Mas havia finalizado algumas leituras que ainda não havia compartilhado a resenha por aqui. Como não gosto de deixar nada para trás, e no intuito de enriquecer o debate com quem se interessar por mergulhar nestas leituras que apresento, vou trazer a resenha de algumas obras que li ainda neste ano de 2022, a começar pelo livro “Operação Cavalo de Troia 3 – Saidan”. Sigamos.

Operação Cavalo de Tróia 3 – O mais cansativo da série até o momento.

Não gostei deste livro. Simples e direto. Não há muito o que falar quando a leitura não é minimamente prazerosa e infelizmente foi o caso destes “Operação Cavalo de Troia 3 – Saidan” de J.J. Benitez. O primeiro livro da extensa série foi muito marcante para mim, e me propôs reflexões muito importantes a respeito de religiosidade e espiritualidade, além de misturar temáticas de romances de suspense e thrillers interessantes, além da óbvia abordagem de ficção científica. Por isso eu me propus a ler toda a série, mesmo sabendo que seriam mais de 10 livros. A minha resolução foi levemente abalada ao ler o volume 2, que, ainda que fosse interessante, se utilizou muito dos mesmos elementos no primeiro livro, especialmente no que se referem às críticas à igreja e aos evangelhos tradicionais. Essa insistência que, no primeiro volume soava espontânea e agregando ao texto, no segundo se transformou em uma insistente critica pela crítica e no terceiro volume atingiu níveis ainda maiores, ao ponto de me deixar desconfortável.

Aos que não conhecem, acredito que não haja problema em tratar de possíveis spoilers sobre o livro – ainda mais que se tratam de volumes com mais de 20 anos de lançamento – ainda assim, quem não quiser saber maiores detalhes da trama, melhor pular esse parágrafo. O livro trata-se de uma ficção cientifica em que os personagens principais são militares do exército estadunidense que durante as pesquisas cientificas descobrem uma forma de manipular o tempo e realizar viagens entre períodos distintos da história – essencialmente, criam uma máquina do tempo – e decidem por retornar ao tempo de Jesus Cristo. Nos dois primeiros volumes são abordados a paixão e ressurreição de Cristo.  Neste terceiro livro os “exploradores” se propõem a seguir os passos dos discípulos ao retornarem à Galileia após a ressurreição de Jesus e suas milagrosas aparições em meio aos seus apóstolos.

Até aí, parece muito interessante, porém o desgastante é que o autor demora enormemente a entrar no chamado “diário do major”, cansando o leitor que espera ansiosamente partir para a Galileia do século I. O autor constrói sua narrativa como um personagem da própria história e participa ativamente do desenrolar dos fatos ao buscar a segunda parte do diário do major na Jerusalém do século XX. Porém ele demora tanto a resolver essa parte da narrativa, se detendo ao menor e mais insignificante detalhe e pensamento aleatório ocorrido, diminuindo muito a fluidez da leitura e o interesse do leitor pelo andamento da obra, tanto que quando finalmente inicia a narração dos episódios fantásticos da viagem no tempo, o leitor já está com má vontade com o livro e os menos determinados provavelmente já o deixaram de lado.

Acredito que eu ainda darei chances à série de livros, até mesmo para ver se transformo a má impressão dessa leitura, mas a realidade é que o terceiro livro é chato, pouco emocionante e descartável. Não me cativou, nota 1,5/5.

Resenhando (#14)

Acabo de terminar o meu maior desafio literário de 2022: ler as mais de 1600 páginas de “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas. Foi um processo longo, penoso, cheio de altos e baixos, mas com um resultado misto, de emoções diversas. Ou como dizem os falantes da língua inglesa, um tanto “bittersweet”.

O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas

Mas, vamos à análise. Conheci a história por conta do filme lançado há 20 anos. Na minha ingenuidade de menino do interior de Minas, não tinha muita noção da existência destes clássicos da literatura de mais de 200 anos atrás, por isso a minha primeira experiência foi com a película cinematográfica, de uma forma um tanto curiosa. Em uma viagem de escola, nos tempos de colegial, o organizador havia levado 2 filmes para assistirmos na viagem. Um era “O Terno de 6 bilhões de dólares”, com Jackie Chan e o outro, O Conde de Monte Cristo.  Havia visto o primeiro no cinema, e o segundo acabou me prendendo ainda mais. Achei a história bem cativante e interessante e, quando soube muitos anos depois que era um filme baseado em um romance literário, fiz uma anotação mental para me embrenhar na leitura assim que conseguisse colocar as mãos no romance de mais de 150 anos.

A oportunidade surgiu há alguns anos, quando encontrei o ebook disponível na internet e o coloquei em minha biblioteca. Fiquei namorando e buscando disposição para encarar o calhamaço de quase 2000 páginas e, finalmente neste 2022 resolvi encarar o desafio. Como a versão que tive acesso é uma versão estendida, com nova tradução e comentários, acabou sendo um pouco mais extenso que o romance original, com impressões de jornalistas sobre a vida e a obra do autor, que auxiliaram a compreender um pouco mais sobre a conjuntura na qual a obra foi escrita e o processo construtivo de todo o texto. Algumas novidades me chamaram a atenção logo de cara, que foi o fato de que o livro não foi lançado completo logo de cara, mas sim em diversas partes ao longo de meses, quase como uma série de diversos volumes que iam se interligando para construir todo o universo do romance. A segunda parte que me chamou a atenção foi a de que Dumas não escrevia sozinho os seus romances, tendo vários colaboradores que auxiliavam ao longo do texto, colocando as suas próprias ideias e impressões, o que pode ser sentido ao longo da obra, ainda que de forma sutil em que nada impacte no resultado.

Posto isso, vamos ao livro. A primeira coisa a se falar é que é uma leitura um tanto cansativa, logicamente pelo tamanho do livro, que se pode presumir uma riqueza excessiva de detalhes e um prolongamento da narrativa além do essencial para garantir o interesse e a riqueza da história. Como a minha primeira experiencia com o universo foi pelo filme, é inevitável traçar paralelos e fazer comparações entre a película e o livro, e são absolutamente diferentes. O trecho mais fiel no filme é o início da narrativa, mostrando como Edmond Dantes foi traído e condenado à prisão perpétua e o seu tempo no cativeiro, até a ousada fuga do Castelo de If. A partir daí, há uma constante separação entre o filme e o livro, optando por caminhos diversos para narrar os caminhos que o Conde de Monte Cristo segue para perpetrar a sua vingança àqueles que o traíram.

O ponto mais marcante sobre essas diferenças é que no livro, são essencialmente 3 os personagens que tramam a prisão de Dantés e o levam a alimentar desejos de vingança, enquanto no filme, talvez até para se enquadrar melhor no formato cinematográfico de mocinho x vilão, os 3 personagens tornam-se um só que é o responsável por todo o infortúnio do nosso herói

Um aspecto interessante e ao mesmo tempo cansativo do livro é que, todo o cenário de fundo que permeia os trechos iniciais da obra, e os seus eventuais desdobramentos refere-se ao período napoleônico e o seu exilio para a ilha de Elba, sua tentativa de retomada do poder e sua expulsão definitiva, o que, para fanáticos por história como eu, é bastante rico de detalhes e agrega muito à história, ao mesmo tempo que, a riqueza de discussões politicas e históricas torna a leitura um tanto cansativa e deixa a sensação de que a leitura seria mais impactante se não fosse tão extensa. Esse mesmo aspecto retorna em vários outros momentos da narrativa, onde, para chegar ao momento do ápice narrativo em um episódio, o autor retrocede a pontos muito antigos e relata detalhadamente como tudo aconteceu até se chegar ao momento realmente relevante para a história. Vou ilustrar esse ponto:  em um determinado ponto da história, o visconde Albert de Morcef (não vou dizer quem ele é na história, para não dar spoiler) é capturado por bandoleiros romanos sob o comando de Luigi Vampa. Para chegar neste ponto da história, o autor retrocede até antes do nascimento de Vampa, para explicar que havia um corso que aterrorizava determinada região da Itália, com assaltos e sequestros, passando pelo nascimento e infância de Vampa, até que Vampa se encontra com este corsário e o desafia para um duelo ao ter sua namorada sequestrada por ele, vencendo o duelo e se tornando o lider do bando e como eles mudam de ataques nas regiões campestres da Itália para se sediarem em Roma e daí se desdobrar ate o sequestro do visconde de Morcef.

Exemplos de saltos retrospectivos e narrativas amplamente descritivas de fatos pouco impactantes no desenrolar da história principal são comuns e acabam por cansar o leitor um pouco, deixando a sensação de que, com um romance mais enxuto, de cerca de 700 paginas a história poderia ser contada de forma muito mais objetiva e sem perder nenhum detalhe, mas sendo um volume muito mais eletrizante e cativante. Mesmo vindo em um ritmo de leitura bastante rápido, acabei levando 2 meses para concluir a obra, claro que também se considerando o tamanho do calhamaço, mas ainda assim, a minha sensação é de que uma narrativa mais objetiva poderia aumentar a capacidade de prender a atenção do leitor e dar aquela sensação de não querer deixar o livro de lado.

Entendo perfeitamente porém, que, na época em que foi escrito, este era o modelo vigente na literatura e ele foi escrito para as pessoas de seu tempo, por isso relativizo esta questão e contemporizo, pontuando com os meus olhos de leitor do século XXI mas, respeitando a tradição e o brilhantismo da obra, ao mesmo tempo em que avalio com base nos meus critérios e pensando em leitores do meu tempo que, porventura, leiam esta resenha ao decidirem se irão se embrenhar no emaranhado de intrigas, conspirações e jogos de aparência da Paris do século XIX.

Um outro ponto que gostaria de destacar antes de finalizar esta resenha é com relação ao final do romance. Ainda que eu não vá dar qualquer spoiler a respeito de como o livro é finalizado, a conclusão é de conhecimento de muitas pessoas, tendo em vista que foi lançado um filme hollywoodiano sobre a obra. E talvez influenciado por este filme, eu esperava um final diferente, que a meu ver foi concluído muito sem emoção e de uma forma um tanto acelerada, quase como se o autor, a escrever mais de 1600 páginas não soubesse como terminar de forma satisfatória o seu romance. É estranho, pois ficamos esperando aquele clímax da história, onde tudo é desvelado, somos impactados e no final, há somente umas páginas de conclusão e respiro para assimilar tudo o que aconteceu nas paginas anteriores. Neste livro não tive essa sensação, parece que tudo se encerra de forma muito sem clímax, somente com pequenas pinceladas de emoção e drama, mas sem aquele momento de “puxa vida” que adoramos na conclusão de uma história. É quase como se a história fosse esquentando, mas ao invés daquele momento de pegar fogo, ela voltasse a se esfriar e seguisse no máximo, morno até o final.

Foi gostoso viver essa experiência e estou feliz por ter me desafiado a encarar esta leitura, e agradecido por ter conhecido um clássico da literatura mundial, mas para meu gosto pessoal, foi uma leitura apenas mediana, sem o impacto avassalador que me fez apaixonar por literatura. Nota 3,5/5.

Resenhando (#13)

Acabo de finalizar a leitura mais demorada e trabalhosa nesse 2022. Não que fosse a obra mais longa e difícil que encarei neste inicio de ano, mas por algum motivo eu não consegui engajar tão facilmente neste “O Silêncio das Montanhas”, do autor afegão Khaled Hosseini. É a segunda obra do autor que leio, após o sucesso “O caçador de pipas”, que li há muitos anos atras.

Acredito que seja uma questão de gosto pessoal mesmo, mas não consigo me conectar tanto com as histórias escritas pelo autor. Não que sejam mal escritas, muito pelo contrário. O autor tem uma sensibilidade muito tocante ao escrever sobre a cultura afegã e este país tão sofrido e maltratado, que se tornou um joguete nas mãos das superpotências durante a guerra fria e depois.

Este, aliás, é o ponto que mais gosto neste livro: o autor aborda muitos detalhes sobre como era a vida dos afegãos antes, durante e depois dos acontecimentos dramáticos que jogaram o país no meio do conflito entre as superpotências no final da década de 70 do século XX e os posteriores desdobramentos, até nos trazer ao século XXI.

Falando sobre a obra, o autor retrata dois irmãos pequenos vivendo em uma pequena aldeia afegã no início dos anos 50 e os desdobramentos de suas vidas ao longo de meio século. Não vou retratar detalhes da história, mas um detalhe interessante que acabei apreciando, ainda que tenha achado um pouco confuso é o fato de o autor alternar entre diversos narradores sem uma cronologia específica e declarada. Não há aquele prefácio em cada capítulo, informando “cidade tal, dia tal, ano tal”. A narrativa inicia-se sem que você saiba quem é o narrador, onde ele está e nem em qual época. Tudo isso vai sendo desvelado aos poucos durante a leitura, até que se consiga fazer a conexão de onde está a história e como esse fato se conecta com o restante da narrativa.

Um outro ponto bastante legal, é que a narrativa avança sempre tendo como narrador um personagem pessoa diferente do personagem principal naquele momento. Quase sempre os detalhes da história são fornecidos por um personagem secundário e por muitas vezes sem uma conexão direta com a narrativa principal, quase como se ficasse sabendo das histórias por um terceiro que o informa.

Acho que um dos pontos que me pega um pouco nas histórias do autor é que há sempre uma melancolia latente em todos os personagens, com uma sensação de que ninguém pudesse ser de fato feliz, mesmo os personagens felizes na história. Talvez seja um reflexo do próprio autor, que explora em suas obras toda a tristeza e o sofrimento que se abate sobre o povo afegão, mas confesso que é uma sensação que mina bastante a minha empolgação com a leitura. Não consigo avançar por muito tempo na história, preciso de fazer pausas sucessivas, para não me deixar levar por essa energia melancólica, para respirar e não ficar também melancólico.

Mas não é um livro ruim, é uma leitura rica, cheia de detalhes, que dá uma dimensão da realidade vivida pelas pessoas no país, a tristeza, as circunstâncias que minam a capacidade do país em se estabilizar, e personagens cheios de nuances e facetas. Apesar de triste e melancólica, é uma leitura recomendada. Nota 3,5/5.

Resenhando (#12)

A leitura dessa semana foi o livro “Fortaleza Digital” de Dan Brown. Claro que todos que gostam de livros ou cinema conhecem o autor, que alcançou uma fama avassaladora com o premiadíssimo “O Código da Vinci”, que posteriormente virou filme com Ton Hanks e abalou toda a estrutura da Igreja Católica e gerou revolta nos tradicionalistas.

Fortaleza Digital – Primeiro lampejo do estilo Dan Brown

Mas voltando ao Fortaleza Digital, foi o primeiro romance escrito pelo autor, e não obteve muito sucesso quando foi lançado, mas depois do sucesso de “O Código da Vinci” teve uma saída muito melhor, com os fãs procurando conhecer as obras anteriores do autor. A verdade é que o livro me passa a sensação de ter sido escrito um pouco antes do tempo, com a temática de criptografia digital, segurança da informação e pirataria de segredos de estado. Talvez no mundo de 2022 ele teria uma repercussão muito maior, mas no final dos anos 90 quando foi lançado, este tema ainda não tinha tanto apelo com o grande público, daí talvez o sucesso não tenha chegado como se esperava.

Na realidade o livro é uma obra Dan Brown do início ao fim. Aliás, tanto esse quanto o livro seguinte “Ponto de Impacto”, que também não teve tanto sucesso, são obras com o mesmo DNA dos sucessos “O Código da Vinci” e “Anjos e Demônios”. Todos os elementos que compõem a narrativa de Dan Brown estão ali presentes: uma história eletrizante em ritmo acelerado, no qual há um problema urgente a ser resolvido em que o protagonista corre contra o tempo para solucionar o mistério e salvar a situação. Tem também a divisão entre duas frentes, há o mocinho correndo atrás no campo e um “guru” que o recrutou para a missão por detrás acompanhando a missão de longe, mas com uma relevância enorme no desenrolar da história. Há ainda a perspectiva do vilão, na qual acompanhamos o desenrolar de suas peripécias para frustrar os planos dos “mocinhos” na história, até o momento em que as duas narrativas sem cruzam no clímax da história.

É um livro muito bom, no final das contas. É cativante, prende o leitor do início ao fim e a narrativa acelerada instiga a chegar ao final da história o quanto antes. Talvez falte um protagonista carismático como Robert Langdon, e talvez por estar acostumado com a dinâmica dos livros que tem o professor de Harvard como protagonista, mas senti falta de uma explicação mais detalhada e até professoral de alguns temas abordados na obra. Isso enriquece a leitura, e ao menos para mim, torna ainda mais interessante, porém nada que atrapalhe no desenrolar do cerne da história.

Acredito que o autor ainda estava moldando o seu estilo nesse primeiro livro, daí a história parecer um tanto verde em comparação com as obras seguintes, mas é um livro muito interessante, com uma história legal que vale a pena a leitura e recomendo a quem queira um livro intenso, bem no estilo do autor. Nota 4/5.

Resenhando (#11)

Vou ser bem honesto com vocês: eu não tenho a menor ideia de como esse livro apareceu na minha biblioteca do Kindle. Não conheço a história do fantasma da Opera, nunca vi o musical, nem li o livro, e não tenho a menor noção do que se trata de fato. Então confesso que achei bem estranho quando vi que esse livro estava na minha biblioteca e por algum motivo eu havia o colocado em minha meta de leitura para 2022. Por um efêmero instante, eu quase o deletei e achei melhor seguir com alguma outra leitura que me parecesse mais auspiciosa. Mas, no final das contas, decidi dar um voto de confiança ao meu eu do passado que, por alguma razão, olhou para esse título e achou que seria interessante ler.

O Fantasma de Manhattan – Superficial e pouco marcante

Não é uma leitura ruim, de todo. A história é, basicamente, uma continuação da história do Fantasma da Ópera, livro obscuro do século XIX que ganhou notoriedade após a adaptação para o cinema e musical. Eu não sou muito ligado em musicais e ainda menos em ópera, então não é algo que me chamasse muito a atenção. Acho que pensei que se tratasse de algum suspense sobrenatural sobre algum fantasma na Manhattan do início do século XX. Mas não é esse o caso.

A história inicia-se em tese no final de “O Fantasma da Ópera”, e explica como o personagem mudou para a América do Norte e os desdobramentos a partir daí. Não é a narrativa mais emocionante e surpreendente, e a maioria dos fatos se desenrola de forma muito rápida, o que é normal para um livro de menos de 200 páginas, o que me causa sempre um desconforto, gosto de um pouco mais de detalhamento no desdobramento de cada caso. Porém isso é gosto pessoal, a história é bem encadeada e não deixa pontas soltas que possam causar chateação em que gosta de ter todas as respostas ao final do livro.

A construção textual é até bacana, ao invés de um único narrador explicando os fatos no presente, são utilizados vários narradores diversos, dando uma perspectiva diferente a cada capítulo, e quase sempre narrando a partir de lembranças do passado, o que deixa a narrativa interessante. O final é relativamente previsível, porém é satisfatório, dessa forma, ainda que uma leitura que não deixará muitas saudades, não foi desagradável. Simplesmente não é tão marcante, mas ainda rendeu momentos leves de distração. Razoável. Nota 2,5/5.

Resenhando (#10)

Minha sexta leitura deste ano de 2022 foi o livro “30 e poucos anos e uma máquina do tempo”, da autora Mo Daviau. É uma ficção científica sobre um ex músico que descobre um buraco de minhoca que o possibilita retornar ao passado e reviver shows de música antigos, e ele transforma isso em um negócio com o passar do tempo.

“30 e poucos anos e uma máquina do tempo” – Genérico e sem emoção

Não me lembro ao certo como esse livro apareceu para mim, mas me recordo de ler a sinopse e achar interessante, o que aliado ao bom preço me fez adquiri-lo para a minha biblioteca e iniciar a leitura. Já deixo claro que não esperava muito do livro, foi mais uma compra de oportunidade e, talvez uma pequena identificação com o título – por eu mesmo estar nos trinta e poucos anos e adorar a ideia de ter uma máquina do tempo para reviver shows de rock que não tive a oportunidade de acompanhar no passado – por isso eu tinha baixa expectativa, e era muito mais uma leitura de relaxamento após o livro anterior ter sido uma leitura muito densa.

Mesmo com tudo isso, infelizmente, a leitura foi menos cativante do que imaginava. Ao longo de toda a leitura eu já ficava pensando o que escrever ao término, tentando encontrar bons momentos para relatar, e ao final, essa sensação cresceu ainda mais ao saber que é o romance inaugural da autora. Fico muito sentido em fazer uma resenha negativa sobre um primeiro romance de um autor, porque imagino a frustração que deve ser lutar por muito tempo por uma história e as críticas não serem positivas, ainda que de um simples leitor do interior do Brasil, sem nenhuma influência.
Mas a realidade é que o livro é muito disperso. Questões muito grandes e profundas são abordadas de forma muito simplista e superficial. Normalmente, as histórias de ficção que já li e que envolvem viagem no tempo escolhem dois caminhos: uma explicação cientifica tão profunda e detalhada, como o caso de “Operação Cavalo de Troia”, ou então como uma simples causalidade, como se o portal estivesse sempre ali e fosse encontrado por acaso e não houvesse o que explicar, simplesmente desfrutar, como relatado em “Novembro de 63”, de Stephen King.

A autora, em seu romance, porém, escolheu o caminho do meio em que inicia uma explicação científica para o “buraco de minhoca”, mas parece que desiste no meio do caminho e em alguns momentos aborda como se o portal estivesse ali e pronto, sem muito a dizer. Outro ponto que me incomodou foi que os personagens viajam no tempo, conversam com seus eus passados ou futuros sem qualquer surpresa ou estranheza. Como se fosse extremamente normal você estar vivendo e de repente uma versão mais velha ou mais jovem de si mesmo aparecesse em sua frente, conversasse contigo e tudo fosse feito com extrema naturalidade e sem qualquer consequência para o futuro ou passado.

Sem falar nos desdobramentos emocionais da história, que são resolvidos em um piscar de olhos, sem profundidade ou sem lógica alguma. Em um momento as pessoas estão rompendo o relacionamento e, no momento seguinte e uma viagem no tempo após, se encontram e ficam juntos apaixonadamente, sem qualquer construção emocional que permita justificar aquele envolvimento.

Infelizmente, essa é uma história, na melhor das intenções, para passar o tempo de forma descompromissada, sem esperar muita coisa ou um envolvimento profundo com os cenários, o enredo ou os personagens. Fica como registro histórico, mas sem cativar o leitor em nenhum momento. Nota 2,5/5 mais por simpatia com a autora, por ser seu primeiro romance.

Resenhando (#9)

Estava tentando encontrar um jeito de iniciar essa resenha de uma forma diferente das demais, porém não tem como eu não começar dizendo que acabo de finalizar a leitura de mais um livro. “21 lições para o século XXI”, do historiador israelense Yuval Noah Harari. Este foi a minha quinta leitura encerrada neste ano, e, de longe a mais profunda, densa e desafiadora. O autor alcançou notoriedade mundial com sua obra “Sapiens”, que relata a história da humanidade e as construções histórico-sociais que permitiram à espécie humana dominar os demais animais e o ambiente. É um relato profundo, interessantíssimo e recomendado a todos. Este livro das 21 lições, por outro lado, é muito mais sombrio, ameaçador e provocante, pois nos coloca frente a frente com discussões e cenários assustadores sobre nossa existência e futuro enquanto espécie humana.

21 lições para o século XX1 – Provocante e reflexivo

O autor relata logo no início que a ideia para o livro surgiu de conversas com colegas, amigos e leitores de suas obras anteriores, que o abordam com questionamentos sobre a espécie humana e os rumos que ditarão o futuro do Homo Sapiens neste mundo, e até se haverá um mundo no futuro. De tantos e-mails, seminários, entrevistas e abordagens diretas, o autor optou por consolidar os principais temas em uma nova obra, com 21 temas desenvolvidos a serem considerados para o século XXI e o futuro a curto e médio prazo (considerando-se o histórico de existência da vida humana no planeta).

Esta foi a segunda vez que tentei engajar na leitura, sendo a primeira vez cerca de 2 anos atrás. Tenho por habito sempre colocar meu nome e a data de aquisição de novos livros na primeira página(sei que alguns apaixonados por livros consideram isso quase um sacrilégio, mas gosto de ter um registro histórico de quando o livro entrou em minha vida) e neste caso vi que a primeira vez que tentei ler foi em abril de 2020, quando o adquiri como presente de aniversário para mim mesmo. Comecei a ler a introdução e achei o livro pesado demais para o momento que estávamos vivendo. Lembrem-se bem: abril de 2020 foi o auge do momento de “quarentena” por conta da primeira onda de COVID 19 no Brasil. Foi a época em que tínhamos lives diárias de artistas, cheio de gente em casa fazendo pão caseiro e animadíssimos com a nova realidade de todos presos em casa. Com esse cenário acabei deixando o livro de lado até este ano, quando fui organizar minha meta de leituras para 2022 e decidi que era hora de resgatar a leitura e ver quais as lições que o autor propõe.

A obra está dividida em cinco partes, que o autor chama de desafios, cada qual composta por cerca de 4 ou 5 lições relacionadas àquele desafio. É um texto difícil, denso e por muitos momentos extremamente desafiador, com o autor fazendo conexões entre temas diversos, como meditação e revolução tecnológica. A provocação feita pelo autor é feita conscientemente e muito necessária, para que possamos refletir sobre os desafios que estão diante da espécie humana, que são únicos e maiores do que qualquer outro que tenhamos enfrentado no passado, desde que deixamos as savanas africanas e nos embrenhamos nas selvas de pedra do mundo moderno, com suas megacidades interconectadas mundialmente.

Não vou mentir para ninguém: é uma leitura difícil, tanto pela sua forma quanto pelo conteúdo. É o tipo de livro que raramente você consegue passar por mais de 2 ou 3 paginas sem fazer uma pausa para reflexão a respeito do que acabou de ler. Do contrário, você corre o risco de passar direto pela obra sem absorver quase nada. A reflexão profunda sobre o que é discutido é uma necessidade neste livro. Tanto que ao longo desde ano vinha em uma média de quase 60 páginas lidas diariamente, e para este livro, quase nunca consegui passar de 20 páginas. Por este motivo, foi o que me demandou mais tempo para finalizar e o que, com sobras, representou o maior desafio intelectual.

Mas, não descrevo este cenário para espantar eventuais novos leitores, pelo contrário, é somente um alerta sobre a discussão profundamente necessária que o autor propõe e por esse motivo o livro é recomendadíssimo. Uma leitura reflexiva que analisa o nosso passado, para auxiliar no entendimento do presente e conseguirmos nos preparar de alguma forma para o futuro assustador que se descortina perante nós. O autor consegue, uma vez mais, trazer temas tradicionais da seara acadêmica para um universo mais geral de leitores de uma forma didática e interessante. Nota 4/5.

Resenhando (#8)

A quarta leitura deste ano foi o livro “Onze Anéis: a Alma do Sucesso”, do mestre Phil Jackson. Apesar de ser um fã confesso do antigo treinador da NBA, estou há anos com esse livro guardado esperando um bom momento para iniciar a leitura. Confesso que minha hesitação se devia principalmente pelo receio de ser um livro estilo “autoajuda” ou voltado para o universo corporativo/empresarial. Já havia visto personalidades do mundo corporativo recomendando o livro, e isso sempre me causou arrepios. Detesto esse tipo de leitura.

Onze Aneis – Leitura Cativante e agradável – Imagem: Editora Rocco

Mas, como nesse início de ano estou me propondo a resgatar leituras antigas ou livros que estavam parados na minha biblioteca, resolvi deixar o preconceito de lado e dar uma chance, afinal de contas, se tratava de uma obra sobre o universo do basquetebol, com um personagem que me desperta muito interesse e admiração.

E que bom que optei por dar essa chance. É um bom livro, que conta de forma direcionada boa parte da carreira de Phil Jackson, desde a sua adolescência, sua carreira no basquete universitário até a chegada à NBA como jogador do New York Knicks, até a sua aposentadoria como treinador, após o recorde de 11 títulos. Não se trata, porém, de uma biografia. Não no contexto clássico de uma obra biográfica. Phil Jackson conta diversos detalhes sobre a sua vida e sua carreira, detendo-se com maior ou menor atenção em alguns pontos específicos. Mas é uma descrição direcionada, quase sempre para a sua abordagem como jogador e treinador de basquete, e sua busca incessante por autoconhecimento e crescimento espiritual, sem ser forçado ou enfocando alguma religião.

Acho interessante que ele descreve a sua intensa formação cristã, por conta da criação de seus pais, mas como nunca isso nunca o tocou profundamente e quando se tornou adulto partiu em busca de uma ressignificação de sua espiritualidade e o aprofundamento na doutrina zen-budista.

O autor descreve várias passagens interessantes e as visões e interpretações de diversos personagens relevantes, em especial Michael Jordan e Scottie Pippen, e no segundo tricampeonato do Chicago Bulls, os desafios de treinar e extrair o melhor do instável e brilhante Dennis Rodman. Há também passagens deliciosas sobre o tempo de Los Angeles Lakers, que, para um torcedor como eu, são maravilhosas, especialmente a relação cheia de altos e baixos de Shaq e Kobe, marcado por uma intensa rivalidade e uma parceria fantástica. Phil Jackson aborda amplamente suas estratégias para lidar com a luta de egos existentes no universo de Los Angeles, as maneiras com que possibilita a criação de uma conexão especial entre atletas de personalidades tão diversas buscando uma unidade enquanto time que possibilita a realização de feitos espetaculares.

Com a leitura, pude entender porque diversas pessoas citam o livro como obra de referencia para gestão, pois aborda muito aspectos de liderança e gestão de conflitos, principalmente. Mas, o livro vai muito além disso, o que simplifica quando o retratam como um livro de gestão. Pude finalmente entender também porque chamam Phil Jackson de o “Mestre Zen” da NBA, pois ele trata em diversos momentos dos ensinamentos do budismo e como aplicou em seu universo, especialmente os benefícios da meditação e direcionamento de foco, desligando-se dos ruídos e interferências que envolvem todo o universo do basquete profissional.

Foi uma leitura enriquecedora, tanto no conhecimento de curiosidades de momentos especiais dos últimos 30 anos da NBA, como Phil Jackson construiu 2 dinastias com duas franquias extremamente diferentes, e como trilhou seu caminho rumo ao autoconhecimento espiritual e como essa experiência foi fundamental no seu sucesso e no seu crescimento pessoal. Como alguém que vive um momento pessoal de questionamento profundo de suas verdades espirituais e não encontra familiaridade no universo que sempre frequentou, a busca do autor me tocou profundamente e possibilitou reflexões importantes e essenciais no processo pessoal que vivo atualmente. Livro surpreendentemente bom e leve, que me prendeu do inicio ao final, muito mais que estava esperando. Nota 4/5.

Resenhando (#7)

A terceira leitura do ano foi esse “Dez Argumentos para você deletar agora suas redes sociais”, de Jaron Lanier. Como o autor propõe uma ideia altamente transgressora para os dias atuais, fui procurar saber quem ela era e vi que realmente ele possui histórico e respaldo suficiente para falar do assunto e sua opinião deve ser levada em consideração.

Tive essa preocupação de fazer a pesquisa sobre o autor porque raramente leio esse tipo de livro que traz uma ordem ou um objetivo final da leitura, soando muito com os livros de gestão ou autoajuda que tanto detesto. Mas como se tratava de um tema intrigante e uma reflexão pessoal que já tenho feito, fiquei curioso para saber mais sobre os tais “argumentos” propostos pelo autor.

Livro da vez – interessante e reflexivo

Não é a primeira vez que me deparava com o livro – tive o primeiro contato com ele e tentei iniciar a leitura no final de 2020 – mas o combo pandemia + nascimento da minha filha + cirurgia no ombro foi muito avassalador para conseguir aprofundar em uma leitura como essa, que indiscutivelmente exige muita reflexão pessoal, além de paciência e atenção para entender a fundo os argumentos do autor.

Fato é que deixei o livro um pouco de lado até o momento em que estava definindo a minha meta de leitura para 2022. Aliás, recomendo a todos que façam o mesmo, além de ser um exercício gratificante, ajuda a estimular o hábito da leitura, especialmente para aqueles que estão com o objetivo de lerem mais.

Falando do livro agora, é uma obra curta(são menos de 200 páginas) e escrito de uma forma objetiva e direta, mas que ainda assim soa um pouco difícil de se entender em um primeiro momento, especialmente para alguém como eu, que não é um cientista da computação ou tem lá muita familiaridade com a terminologia utilizada nos escritórios do Vale do Silício e da galera que está sistematicamente nas redes sociais.

Ainda que reconheça o esforço do autor em tentar trazer as suas ideias e argumentos para uma realidade e publico mais abrangentes, em determinados momentos ainda fica uma pequena sensação de deslocamento para quem não acostumado aos jargões do meio. Porém, o meu conselho é: persista. Ainda que em algum momento possa ter a sensação de que você não está exatamente entendendo o que ele está falando, o autor constrói a obra de forma a que no final você tenha entendido a mensagem geral que ele quer passar, ainda que possa ter escapado um ou outro conceito ao longo do texto.

De todos os argumentos, o que soa com mais estranheza para mim é justamente o décimo e último, talvez por ser aquele em que o autor mais se arrisca a falar de algo metafísico e filosófico, um pouco mais distante de seu universo profissional, e mesmo que muito sutilmente, passa a soar um pouco mais messiânico ou como texto de auto ajuda.

No geral, achei uma leitura bacana, que propõe reflexões importantes (muitas das quais eu já estou fazendo há algum tempo, tanto que estou vivendo novo período de autoexílio das redes sociais), mas que talvez ainda soe um tanto técnico demais ou difícil ao grande público que hoje povoa as redes sociais. Além, é claro, da própria premissa do livro, de sugerir algo que é quase uma blasfêmia aos olhos do povo hiper conectado de hoje.

Acho que ninguém deva considerar este livro como uma obra de autoajuda ou um guia com respostas às questões que propõe, e nem ter um direcionamento profundo e concreto do que se deve ou não fazer com relação às suas redes sociais. O autor propõe simplesmente uma reflexão a respeito de uma opinião que ele possui e expõe argumentos pertinentes com base em sua história de vida e realidade profissional. Como ele mesmo disse no livro, existem diversos outros argumentos que podem ser utilizados para convencer alguém a deixar de lado as redes sociais, ele se ateve única e exclusivamente aos dez que considerou possuir maior conhecimento e propriedade para abordar.

Gostei bastante da reflexão, dos argumentos apresentados e me fizeram aprofundar em pensamentos que já venho ruminando há meses, portanto, me foi muito esclarecedor e produtivo a leitura, ainda que eu entenda os motivos de algumas resenhas não tão positivas existentes na internet sobre a obra. Eu recomendo a leitura a todos. Nota 4/5.