Resenhando #25

Durante o processo de releitura de algum livro, sempre acontece de eu gostar ainda de algumas histórias e um pouco menos de outras. Felizmente, nesse caso, “A Verdade sobre o Caso Harry Quebert” pertence à primeira categoria. Esse romance havia despertado meu interesse há um tempo atrás e acabei me decidindo adquirir por conta da belíssima capa que apresenta uma cena bucólica em uma rua qualquer.

O livro conta a história do jovem escritor Marcus Goldman que, após um estrondoso sucesso de seu romance de estreia, tinha dificuldades para engatar um novo livro. Sendo pressionado por seus editores, pelo público e por si mesmo, ele decidiu fazer um último movimento desesperado; vai se hospedar na casa de seu amigo e mentor Harry Quebert, autor de sucesso na década de 70 e seu professor na universidade. Harry, que mora em uma bela mansão à beira mar de uma bucólica e pequena cidade dos EUA desde a época de seu grande sucesso literário, acolhe o rapaz em busca de ajuda-lo.

Durante a estadia de Marcus no local, descobre-se o corpo de uma jovem desaparecida há décadas enterrada no quintal da casa de Harry e ele é imediatamente preso e acusado do assassinato, devido principalmente à uma prova substancial encontrada junto ao corpo da menina: um exemplar manuscrito do livro de sucesso de Harry. Daí em diante o livro se torna uma correria imensa de Marcus Goldman em buscar de provar a inocência de seu amigo. Durante esse processo de busca de provas para salvar Harry, Marcus acaba encarando um emaranho de histórias do passado muito mais complexas e profundas do que imaginava.

Todo este processo ocorre simultaneamente à sua busca por escrever um novo romance, quando decide escrever um livro para provar a inocência de Harry. E aqui encerro o detalhamento do romance, em primeiro lugar para não estender demais essa resenha, mas em segundo e principal lugar, por gostar sempre de deixar espaço para a descoberta da história por cada novo leitor que possa se deparar com essa resenha – como já falado em outros momentos, prefiro muito mais em minhas resenhas tratar das sensações que essa obra provocou em mim, pois acredito ser uma impressão mais honesta a respeito do impacto que o livro teve para mim.

Por esse motivo, eu afirmo sem o maior medo de parecer exagerado: A verdade sobre o caso Harry Quebert é um livro maravilho. Trata de diversos temas simultaneamente de forma brilhante, sem parecer superficial em nenhum momento, ainda que não seja o objetivo do autor aprofundar as discussões acerca de cada tema. Trabalha com fatos no presente bem como de flashbacks muito bem descritos de passado, que enriquecem a história e deixa no ar um suspense delicioso durante toda a leitura que nos leva a passar páginas e mais páginas sem sequer perceber. É um livro de 500 páginas que pode ser lido em 1 ou 2 dias facilmente, dependendo da disponibilidade do leitor. Não cansa e a cada novo desdobramento e reviravolta ficamos embasbacados imaginando se o autor irá verdadeiramente encontrar uma elucidação para o crime do assassinato da jovem, que, podia até ser jovem, mas nem um pouco inocente.

É um livro falando de livros também – todos os capítulos se iniciam com conversas entre Marcus e Harry nos tempos de universitário do primeiro a respeito de todas as etapas necessárias para se escrever um grande romance. E todo livro assim imediatamente atrai a minha simpatia e interesse, pois são grandes provas de amor à literatura e acho esse gancho maravilhosamente saboroso. Tudo isso misturado a um elenco de personagens da mais alta qualidade e heterogeneidade, os quais em determinado momento da leitura, podem todos ser considerados suspeitos de terem cometido o crime.

“A Verdade sobre o caso Harry Quebert” é o romance de estreia do autor suíço Joel Dicker e nada melhor do que um sucesso avassalador como esse para iniciar a carreira. Este livro foi o responsável por me fazer comprar todos os outros quatro romances do autor lançados posteriormente e fazendo com que ele se tornasse um de meus autores contemporâneos favoritos. Para quem gosta de suspense investigativo, é um prato cheio. Para quem gosta de romances policialescos, também. Para quem prefere uma história de amor proibido, em que tudo conspira contra o casal, idem. É um livro arrebatador. Vale muito a pena a leitura e garanto que irá desfrutar imensamente. Nota 4,5/5.

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